sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A MINHA GERAÇÃO alcançou a Cachoeira como um dos entrepostos comerciais mais importantes da Bahia, quando o meio de transporte no estado era fundamentalmente fluvial. Assim, galera, existiam centenas de saveiros, pequenas embarcações motorizadas (lanchas) e os navios da Companhia de Navegação Bahiana. (Assim mesmo com "h").
Alvinho Monteiro era o proprietário de uma concessão de uma empresa de transporte de pequenas cargas, valores e correspondências para Salvador e vice-versa através dos navios da Bahiana. Ao aposentar-se, seu filho, Carlinho, ficou tocando a empresa. É ele, Carlinho, o nosso personagem de hoje.
"Carrin" como era chamado pela tripulação do navio, protagonizou episódios incríveis dos quais fui testemunha ocular, pelo simples fato de ele ter sido empregador de Dadinho, e, depois, empresário de OS TINCOÃS.
"Carrin" não sabia montar bicicleta. Comprou uma moto onde não morreu por milagre!
Nos finais de semana em que ficava em Salvador o piloto da sua moto era quem? Adivinhou que pensou que era Dadinho que sempre chiava;
_ Tem um desgraçado de um dedo duro que me entrega ao Galo toda a vez que eu pego a máquina dele!  "Galo" era o apelido que Dadinho botou em Carlinho Monteiro.
Eu mesmo fiquei intrigado e resolvi investigar. Era óbvio que qualquer pessoa na cidade poderia ser o autor da delação que não era premiada. Quem?!  Até que, certa feita peguei Monteiro mentalizando o ladrilho do chão onde ele colocava os pneus da moto. Pronto; a charada havia sido solucionada, daí pra frente,Dadinho não teve mais problemas.
Num dia que nem me lembro mais, comprei em Nael o jornal A Tarde por causa de uma inusitada manchete:
"Kombi bate em navio!"
Não tive dúvidas; foi Monteiro. E foi! Se não fosse o navio ancorado no cais ele iria com kombi e tudo pro fundo do mar!
Carlinho namorava uma telefonista de São Félix, irmã de China, funcionário dos Correios. A moça mudou-se com seus pais para o Rio de Janeiro. Naqueles tempos sem os meios de comunicação de hoje, não havia como prosseguir o namoro, só casando.Ele então se deu de paixão por uma viuvá que as más línguas diziam que o marido era gay. Surgiu até uma piada no meio da galera. Foi assim; a pretendida viúva ao ver passar o corretor zoológico chamado Louro Afoxé resolveu fazer uma fezinha:
- Louro venha ´ca! Tive um palpite e quero que você cerque o veado!
E Louro distraído:
- A senhora sonhou com o falecido?!
Naqueles tempos a gente gostava de fazer uma serenata nos finais de semana. Monteiro não esquecia aporta da casa da sua viúva pretendida e cantava a mesma música de Maysa:
- Meu mundo caiu/ E me fez ficar assim/ Você conseguiu/ E agora diz que tem pena de mim..."
E Dadinho que o acompanhava ao violão resmungava:
- O Galo não muda o disco! É ele e o Boneco de Ferro (Wandecock) com Bronze e Cristais:
- Quem seguir a senda florida/ Onde o bem se esquece do mal/ Verá que há contraste na vida/Feitos de bronze e cristal"
Monteiro era meticuloso no preparo para o chamado jogo de azar. eu explico melhor; certa feita eu o vi o dia inteirinho "preparando" um par de baralhos com marca nos versos das cartas tão sutis que apenas ele conseguia enxergar e as identificar. Coisa de louco!rsrsrs.
Vi, depois, ele ser convidado insistentemente pela marujada para jogar um carteado rolando grana e ele fingindo desinteresse:
- Hoje não estou disposto...Sentindo uma dor da cabeça danada, parece que estou de boi (menstruado)...Aliás, eu até trouxe dois baralhos novinhos da Bahia. 
Naqueles tempos o pessoal gostava de chamar a capital do estado, Salvador, pelo nome do estado,Bahia.
Depois de muita insistência ele foi pro navio "brincar" deixando em mim a certeza de que ele estava levando nítida vantagem.
Antes da jogatina desenfreada hoje em dia pelos governos (municipais,estaduais e federal),existia na Bahia o "Bolo Tricolor" impresso com timbre do Bahia onde apareciam os times que iriam jogar naquela semana. O apostador teria de acertar os escores em cheio, caso contrário, ficaria acumulado para outras rodadas do campeonato baiano. Monteiro era o agente para a cidade. Fui testemunha de escutar Dadinho perguntando a ele se havia entregue a listagem, de ele responder que havia esquecido e que iria devolver a grana dos apostadores. Então, galera, certa feita o "Bolo Tricolor" estava acumulado. Na época era como se fosse hoje uns 150 mil reais!
Era uma bela tarde de domingo, tudo corria dentro da normalidade, da Pitanga de Cima acontecia um foguetório danado e logo toda a cidade tomou conhecimento: dona Pequenão, mãe de Gsbi do Trânsito, acertou o bolão acumulado !
Quando desci pra praça encontrei Dadinho em pânico. Foi logo me dizendo:
- Magnata (ele gostava de tratar os amigos assim), estou com o c* no ponto, não sei se o Galo entregou o "Bolo Tricolor".
Não demorou muito e a apreensão, o medo se generalizou por toda a turma que frequentava o Expresso.
Na segunda-feira, quando o navio Maragojipe apontou na Pedra da Baleia,todo mundo estava no aguardo do desfecho fatal. O primeiro passageiro que apareceu na 
proa do navio com aquela careca reluzente era Carlinho Monteiro. O impaciente Dadinho encheu o peito de vento e bradou:
- Monteiro! Você entregou o "Bolo Tricolor"?
E ele, incisivo:
- Entreguei !
Entregou mesmo! Dali pra frente, depois que dona Pequenão recebeu a bolada, como era de se esperar, a arrecadação aumentou assustadoramente. S´não tomei conhecimento de novos "esquecimentos" na entrega.
Bom final de semana,galera.










OPINIÃO   

Depois da Eleição 
Agora não é hora de chororô tão a gosto dos botafoguenses, de argumentar isso e aquilo, que a campanha foi agressiva e beligerante, que o país se dividiu... Como se diz na terrinha: lugar de chorar é no pé do caboclo!
A doutora Dilma levou um susto danado mas, ganhou outro mandato e pronto. Parabéns, tudo de bom.
Como estamos presenciando, a doutora não terá muito tempo para festejar nada além dos que os diazinhos aí na Bahia. O PT, PMDB  e outros aliados de um Congresso conservador e fisiológico está ávido por cargos, não existe nenhum recurso de retórica, nenhum discurso conciliador, nenhum marqueteiro que dê jeito.
Enquanto o mercado espera uma guinada na economia, os políticos aguardam o anúncio dos integrantes do novo ministério, já temos mais ou menos a base de quanto será o novo salário mínimo e o reajuste do aposentados do INSS.
O país está vivendo o clima de um filme de Hitchcock, aguardando a devassa na Petrobras. As evidências preliminares apontam como disse o compositor Chico Buarque de Holanda, no passado, "tenebrosas transações", um sistema de corrupção sem precedentes na história do país. Qualquer pessoa mais ou menos informada e não alienada sabe disso.
A História Universal nos dá uma dica de que foi na antiga Grécia que surgiu quase que simultaneamente a política e o teatro. Não importa quem surgiu primeiro pois no presente andam juntas. Quem poderia imaginar Lula, Collor, Sarney, Maluf, Renan, todos juntos em fotografias, abraçados e sorridentes?  Aqui no Rio, no mesmo palanque, a doutora Dilma, Garotinho, Lindberg e Crivella!   Não será surpresa para mim algum dia vermos Aécio e Dilma abraçadinhos sorridentes.
Os que fizeram inimizades por ocasião da campanha presidencial, os que se xingaram nas redes sociais é que ficaram com cara de bobo no teatro que é a política.








DATAS
A Igreja Brasileira na Cachoeira  
No dia de hoje, 31 de outubro,há 49 anos volvidos, portanto no ano de 1965, falecia no distrito do Capoeiruçu o tenente Clemente José de Macedo (foto), natural da cidade de Coração de Maria, nascido em 8 de abril de 1904.
Chefe da Regional de Trânsito que funcionava na cidade da Cachoeira, católico fervoroso e praticante, o tenente Macedo era o organizador voluntário de todas as procissões que se realizavam na cidade..
Era devoto dos Santos Mártires, Cosme e Damião. Todos os anos ele abria a sua casa, uma verdadeira mansão situada nas proximidades do Virador, para receber quem chegasse para se fartar de caruru, bebidas e muita dança, muita festa, muita alegria. Estive presente em algumas.
Lembro-me de ele haver contado no Banco da Bahia onde eu trabalhava, que tivera um sonho com duas crianças gêmeas pedindo-lhe para ele construir uma ermida no alto do Cucuí, nas proximidades da sua residência.  Ele havia ficado profundamente  impressionado com o sonho. Partiu para realizá-lo.
A proprietária do terreno então chamado de Vila Ana Maria era dona Orna Velame Dantas, cujo procurador era o cidadão Félix Manoel de Brito que professava a religião espírita kardecista porém, intermediou a concessão da uma área de aproximadamente trezentos metros quadrados onde seria edificada a referida capela.
Muito bem relacionado na cidade, o tenente Macedo começou a tocar a obra no dia 13 de fevereiro de 1962 com o lançamento da pedra fundamental e bênção ministrada pelo Monsenhor Fernando Carneiro (foto).
Dentre os beneméritos para a construção e ampliação do que hoje é a sede do Bispado da Igreja Brasileira, encontramos a figura dos prefeitos Julião Gomes dos Santos e Geraldo Simões, do secretário da prefeitura João Gualberto de Carvalho Filho (Jonga) e o deputado Cristóvão Ferreira.






Curiosidades da Bíblia  
Quarenta e duas mil pessoas perderam suas vidas por não saberem pronunciar a palavra SHIBOLETH. Você sabe o que é Shiboleth? Era uma espécie de senha usada pelos homens de Gileade, território montanhoso localizado no Oriente do Jordão, para identificar os afraimitas que tentavam fugir através do rio.
SHIBOLETH significa "curso de água".
Referência Bíblica: Juízes, capítulo 12 versículos 5 e 6.


QUEM SOU EU?
Na história do jornalismo da Bahia vários são os nomes que se projetaram em todo o país,e, dentre esses, um cachoeirano ilustre (foto que, ainda acadêmico de Direito, fundou uma revista a que deu o título de PAPÃO, e fazia parte de O Jornal de Notícias tendo como companheiro de redação o futuro governador Octávio Mangabeira.
Estamos falando de Ernesto Simões da Silva Freitas Filho, o Simões Filho, nascido na Cachoeira no dia 4 de outubro de 1886, - há 128 anos passados,portanto -, e falecido no Rio de Janeiro em 24 de novembro de 1957.
Mesmo com formação acadêmica em Direito, Simões Filho resolveu palmilhar as veredas jornalística e política, fundando em 15 de outubro de 1912 o conceituadíssimo jornal A TARDE (que, conforme o nome sugere, na sua origem, circulava às tardes).
Na política, participou ativamente ao lado do grande Rui Barbosa, sendo eleito deputado federal e sendo escolhido para líder da maioria.
No governo do presidente Getúlio Vargas ocupou a pasta da Educação e Saúde, sendo o responsável pela liberação de recursos através do seu conterrâneo deputado Augusto Públio, para a construção do Ginásio da cachoeira, atual Colégio Estadual da Cachoeira.
A IGREJA DO CARMO NA CIDADE DA CACHOEIRA, BA ,QUE FOI DEMOLIDAAdicionar legenda

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ouví certa feita do meu pai, que não se deve discutir sobre Religião, Política e Futebol, daí, sabendo de antemão a declaração de voto de parentes e amigos fraternos, daqui e alhures, lendo cuidadosamente as coisas postadas nas redes, esta página optou pela óbvia neutralidade. O que está prevalecendo nas redes e nas ruas é o discurso do ódio, fomentado e incrementado pelos donos da bola, os marqueteiros. A eleição presidencial virou uma espécie de FLA-FLU, BA-VI, etc.
Os eleitores do PT e do PSDB se xingam,os candidatos não discutem políticas públicas. Vamos ver no debate de hoje na Globo. Tomara que seja deixado de lado quem roubou mais, quem levou mais propina de escândalos nem sempre comprovados. 
Hoje, o que mais tenho ouvido é sobre as pesquisas, que foram ouvidas tantas pessoas nos dias tais e tais, em tais municípios, porém, por que não se divulgam em que estado e municípios ? Isso tornaria a informação mais completa. Ou não?
Outra coisa a cerca de pesquisas de intenção de votos; até que ponto as divulgações podem influenciar o ânimo ou desânimo de parte do eleitorado? Brasileiro não gosta de "perder o voto"!
Na nossa modesta observação, os eleitores não são alienados como deduzem os marqueteiros, na hora de votar são outros quinhentos, votam com os ditames da sua consciência e do seu bolso, sobretudo este último, pois é assim no mundo todo e no Brasil, logo no Brasil, a coisa não poderia ser diferente, por isso, parafraseando o que se dizia no futebol, a política é uma caixinha de segredo.
Com certeza, galera, o nosso país não vai soçobrar. Vai sobreviver ao medo e ao ódio, se bem que, tenham a certeza, seja qual for o resultado, o vencedor terá pouco tempo para festejar diante dos enormes problemas, ter de ter uma atitude conciliatória, chamar adversários para conversar,sem contar com os PFBs (Partidos Fisiológicos Brasileiro), aquela rapaziada do "é dando que se recebe".
Ânimos exaltados, a ingovernabilidade pedirá passagem.
Que tenhamos todos uma eleição de muita paz.

 


 
QUEM SOU EU? 
Filho do alto negociante Joaquim Pacheco de Miranda, de origem portuguesa, e dona Domitila Gomes de Miranda, PACHECO DE MIRANDA FILHO (foto de clichê), nasceu na cidade baiana da Cachoeira em 28 de fevereiro de 1860.
Indo concluir seu curso superior na cidade do Porto em Portugal, começou a se destacar no meio literário lançando o seu primeiro livro a que deu o título de Aerólito, publicado em 1886.
Retornando ao Brasil, mais precisamente à sua terra natal, além das suas atividades laborais, Pacheco de Miranda Filho publicou uma vasta produção literária em os jornais A ORDEM e O SOCIAL.
Ao falecer em 21 de abril de 1947, aos 87 anos de idade, deixou os originais de um livro de poemas a que ele próprio dera o nome de Miosótis,que não foi publicado até hoje, infelizmente.

 
Dalva, a estrela do Samba de Roda  
 
Está programado para amanhã, sábado, no Cine Glória, a exibição do documentário sobre a Primeira Dama do Samba de Roda da Bahia, minha amiga Dalva Damiana de Freitas (foto).
Agradeço a gentileza do convite e do envio do trailer que me deixou saudoso e com agua na boca. Meus parabéns aos idealizadores. Um abraço na amiga Dalva e uma umbigada no outro.
  

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

MEMÓRIA

Maestro Irineu Sacramento
Eu devia ter uns cinco anos de idade quando, juntamente com a minha madrinha, Laura Soares, ia ao sobrado onde morava o já idoso e alquebrado regente da filarmônica Lira Ceciliana, Irineu Sacramento,foto), sua esposa, dona Pequena e a única filha do casal chamada Zizete. 
Lembro-me do Coral da igreja do Monte sob a regência da professora Amélia Fróes, dos cantores Agenor Carvalho, José Minho, um cunhado dele cujo nome no momento não lembro, as cantoras Quenoca, Regina, Etifrance Almeida, as irmãs Mimita e Miná, minha madrinha Laura, e os músicos João Cândido (violino), Firmo Costa (trombone), um filho do maestro Bastos chamado Menininho (flauta) e Irineu Sacramento (piston).
O renomado historiador, professor e jornalista Antônio Loureiro de Souza, no seu livro intitulado "Notícia Histórica da Cachoeira", coleção estudos baianos nº 5  da Universidade Federal da Bahia,ano de 1972, às páginas 45 inclui o músico com nascido na Cachoeira:
"Irineu Sacramento, grande músico, que foi regente da centenária Lira Ceciliana, durante mais de cinquenta anos. Era conhecido como piston de Veludo, tal a pureza do som que tirava desse instrumento. Irineu Sacramento foi discípulo do maestro Manoel Tranquilino Bastos (foto), perfilado neste livro"
Sempre ouvi falar lá em casa que o velho Irineu era nascido na ilha de Itaparica, que foi acompanhando uma companhia circense que se apresentava na Cachoeira que conheceu dona Pequena com quem viria a se casar fixando na Terra Heróica a sua residencia.
Lembro-me  de ter assistido a alguns ensaios da Lira sob a regência do sanfelixta Firmo Costa mas, com a presença de Irineu.
Sabino de Campos (foto) autor da letra do Hino da Cachoeira, no seu livro "A Voz dos Tempos", editora Pongetti - 1971, nos conta um episódio interessante ocorrido no dia 25 de junho de 1948. Ele relembra "a tradição gloriosa nos anais da cidade, dos tempos juvenis de músico e orador da querida filarmônica Minerva Cachoeirana" e da sessão solene presidida pelo doutor Aurelino, então presidente da Câmara de Vereadores e da Lira Ceciliana que compareceu ao local "sob a regência do meu amigo e colega Firmo Costa, o melhor trombonista, desde rapazola, que já encontrei na vida, e foi imediatamente executando o Hino da Cachoeira, de minha autoria (letra) e música do maestro cachoeirano Manoel Tranquilino Bastos".
Num certo dia 8 de dezembro, após a missa, Menininho me convidou para tomar um licor na casada família dele. A irmã dele, Durvalina, que chegou a tocar clarineta na Lira, me contou que, na comemoração do centenário (25 de junho de 1922), a Lira, sob a regência de Irineu Sacramento ensaiava todas as noites o Hino da Cachoeira. O velho Bastos mandou-lhe então um recado pois também ouvia em casa os ensaios: "Diga a Irineu que já está bom!" O homem era perfeccionista. 
Voltemos à narrativa de Sabino de Campos:
"A noite, no coreto armado na Praça da Aclamação, Firmo Costa entregou a batuta a seu mestre, Irineu Sacramento, antigo e prestigioso regente da Lira Ceciliana que ia regê-la pela última vez (25/06/1948).
"Irineu, acentuado tipo caboclo, por sua vez, discípulo, no passado, do glorioso maestro Manoel Tranquilino Bastos, recebeu a batuta das mãos de Firmo, e, velhinho como estava, mandou que se distribuísse nas estantes a ópera O Guarani>"
"A cena comoveu-me! Pedí que esperassem. Desci do coreto e chamei entre a multidão de assistentes o popular comerciante Júlio Costa a fim de procurarmos fotógrafo que batesse um flash da despedida de Irineu".
"Não encontramos o fotógrafo providencial. Que pena! A ópera foi magistralmente executada e perdemos uma fotografia histórica".
Oito anos após tão rica narrativa, no dia 2 de outubro de 1952, aos 79 anos de idade, Irineu Sacramento mudou-se com a família para Salvador, sendo alvo das mais justas homenagens por parte da sociedade cachoeirana, diretoria,sócios e aficionados da  filarmônica que ele regeu.
Dois anos depois, no dia 18 de outubro, aos 81 anos de idade, o"Piston de Veludo" veio a falecer na capital do estado.
O advogado e professor Nelson Alves da Silva (foto), (presidente do Rotary Club 1944-45 e orador oficial do 25 de junho nos anos de 1937 e 1942),representando a Cachoeira na solenidade fúnebre, pronunciou o seguinte discurso que nós transcrevemos em nosso livro "Oradores e Poetasz Cachoeiranos", editora Odeam - 1982:
"Morreu Irineu Sacramento!
A notícia chegou e passou como chegam e passam as coisas de rotina...Mas,um extraordinário homem, esse que acaba de falecer! E como viveu, morreu: glorioso na pobreza,pobre na glória.
Jamais os sucessos, maiores que fossem, macularam a sua humildade sem restela sequer de vaidade.
Jamais a pobreza, mais extrema que fosse, esmaeceu o vivo colorido, o colorido vivo e inimitável das fulgurações do seu talento.
Irineu viveu toda a sua longa vida entre ser gigante e ser pigmeu; gigante para a Cachoeira, pigmeu para si próprio.. Só de uma coisa ele sabia; fugir e fugia às pressas, da glória.
Corria sempre da fama e ia esconder-se na humildade. Deixava sempre que outros colhessem os frutos que ele conseguia na árvore da sua arte. E que frutos!
Jamais homem algum, em minha geração, se tornou tão grande no serviço e no amor a m inha terra. Os medalhões que fulgem por aí, querendo atrair méritos que não se enxergam, são simples pirilampos face ao luzeiro, aos méritos verdadeiros de Irineu. Fosse cada cachoeirano, cada qual no seu setor, eficiente como foi Irineu no âmbito da Divina Arte, à frente da sua Lira, e estaríamos numa terra transbordante de talentos,  desperdiçar abnegações, desprendimentos, nobreza e renúncias.
Mas, a coragem de viver como viveu esse homem e de morrer como ele morreu, é qualquer coisa esplêndida, de raro,de edificante.
Perdoem-me os que se julgam ou que pensam que são o que gostariam de ser, se neste instante, confesso-me devedor de religiosa obrigação para com a terra que me serviu de berço: curvar rentemente pelo espírito ante o túmulo de Irineu, certo de curvar-me ante a lembrança daquele que jamais foi ultrapassado por qualquer que fosse no espargir de glórias e na distribuir de amor por este rincão querido, certo de homenagear, palidamente embora, a recordação de quem viveu uma vida inteira pela voz da Ceciliana, a soletrar em harmonia, o nome bendito da minha terra".
NOTA; fui informado que o autor do discurso que transcrevemos acima, o advogado e professor cachoeirano  Nelson Alves da Silva faleceu recentemente aos 91 anos de idade. Será que a Cachoeira se fez representar?













Horário de Verão
Muita gente pensa que é uma invenção brasileira; não é!  O seu criador foi um britânico chamado William Willett no ano de 1907 sob o argumento de "sobrar mais tempo para o lazer, menor criminalidade e redução no consumo de luz artificial".
O primeiro país a adotar o sistema foi a Alemanha em 1910 durante a I Guerra Mundial.
No Brasil, o Horário de Verão foi implantado a primeira vez no ano de 1931. Este ano, vai começar mais cedo e terminar mais tarde por causa do carnaval. Assim,à zero hora de amanhã, sábado,aqui no sudeste, teremos de adiantar os ponteiros dos relógios em uma hora.
Não faço parte dos adeptos do Horário de Verão. Para meu azar,enquanto estive na minha Bahia ele existia por lá, foi bastante eu transferir o meu domicílio para o Rio de Janeiro...
Particularmente considero uma tortura imposta pelo governo, sobretudo para os "da melhor idade", sobretudo porque o próprio governo reconhece ser,ínfima a economia de eletricidade.
Para a racionalização do gasto de energia elétrica, galera, existe "ene" procedimentos eficazes, todavia, não são levados em consideração sobretudo para os que querem sair do trabalho e ainda "pegar" um bronze. O resto que se lixe.
QUEM SOU EU?  
Durval Chagas    
Nasceu na cidade da Cachoeira, Bahia, no dia 11 de junho de 1876, filho de José Ramiro das Chagas e dona Antônia Estefânia das Chagas.
Jornalista da mais alta competência e talento, poeta, empresário de larga visão, assumiu a direção de A ORDEM, bissemanário cachoeirano fundado pelo seu pai,que funcionava em um prédio (hoje em completa ruína) no correr na atual agência da Caixa Econômica Federal (foto)
Segundo um dos seus biógrafos, ele com o seu jornal, "jamais se envolveu com qualquer causa com o interesse de comerciar, com a ambição do lucro" E prosseguiu: "Tudo quanto estava à medida das forças, fez pela causa da instrução das crianças,em Cachoeira, empenhando-se pelo desenvolvimento e pela intensificação das suas escolas".
Bem o merece ter emprestado o seu nome para uma das ruas da sua cidade natal.

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Entre “aspas”  
Os leitores assíduos deste blogger dão a sua opinião, através do seguinte e-mail:
britopatriarca@gmail.com   
NELSON BRITO
'Causos" Verídicos - Ressuscitou! Ressuscitou! 
"É sempre prazeroso ler as matérias deste blog. Abraços,Erivaldo.


INÁCIO TADEU GONÇALVES DA SILVA
"Erivaldo; seu Hemetério era um barbeiro que morava no Caquende".

DIRAJARA PEDREIRA
A história dos cinemas da Cachoeira
Saudades desse cinema (CTC).

MARILUCE ALVES
Estátua da Liberdade 
"Hoje ela se encontra quase escondida nas árvores e sem limpeza. É pena, tão linda!"     

LÊDA MARGARIDA
"Acabei de ler o que você escreveu esta semana, adorei. Vou aguardar outros. Abraços". 

PATRÍCIA MENGHI
Eulina Tomé de Souza 
"Olá! Obrigada pelo texto. Sempre procuro informações sobre ela, e, fico sempre feliz de ser bisneta dela. Parabéns pelo texto".

FERNANDO CÂNDIDO
O futuro do país
"Dá-lhe, Britão! Você é um brasileiro nato que não fica à margem dos rumos do seu país. Abraços".










sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Existem pessoas de uma imaginação prodigiosa, de uma fertilidade incrível, que contam histórias muito interessantes. São taxados de "mentirosos", mentirosos são os políticos.
Em as "Efemérides Cachoeiranas", Aristides Milton nos fala de um tal José Caetano Alvim que usando de seriedade (uma caracterítica dos nossos herois de hoje), dizia que plantou um pé de abóbora cujas ramas acabaram por entrar pela janela da sua cozinha. O mais incrível, - segundo relato do citado autor e obra -, é que as abóboras que pendiam da rama e eram retiradas, no dia seguinte aparecia nov fruta no lugar!
Meu saudoso compadre Valdir de Gegeu, dentre os vários "causos" e piadas contava a cerca de seu Sala (que eu não conheci) e era comerciante antigo na Cachoeira. O referido cidadão, - conforme Valdir dizia -, gostava de criar neologismos como certa feita na chegada do navio e uma composição férrea passando na ponte Pedro II disse:
- Tá vendo aí seu Valdir o que é o progresso? Transporte terrestre (apontando as marinetes e carros de praça), mareste (sinalizando com o indicador o navio paraguaçu), ferrestre (apontando para o trem), só falta mesmo o areste (apontando para as nuvens).
Do seu Sala, Valdir contava que, certa feita chegou um caminhão com uma mercadoria que ele não havia pedido e ele acabou declinando um verbo esquisito:
- Não as zas pedí, não as zas quero, quem as zas trouxa, as zas fique, as zas leve !
Vamos agora atravessar a ponte e vamos encontrar em São Félix o seu Portela conversando com Tote barbeiro.
- Pois é seu Tote; ontem cedinho quando cheguei no quintal vi que o pé de limão e3stava apinhado com cem rolinhas. Apanhei meu serrote e fui pensando em pegar todas as cem. Pé entre pé serrei o pé de limão e fui carregando para dentro de casa sem assustar nenhuma das cem rolinhas. Porém, quando estava contando tinha noventa e nove!
E Tote ficou curioso:
- Você não disse que eram cem?
E ele em cima da bucha:
- Você acha que eu vou mentir por causa de uma seu Tote?
Estava na moda usarem-se sapatos com peles de animais. Eu usava um assim, peludo, quando me encontrei com Wilson Pigmeu que foi logo afirmando o seguinte:
- Já tive um sapato assim, é de pele de gato.
- Como é que você sabe? - quis saber,curioso - .
E ele "esclareceu" bem a moda dele:
- Quando eu passei no passeio de seu Luiz (pai de Ceguinho) tinha um cachorro e meu sapato ficou com o pelo eriçado !
No verão cachoeirano de 40° Arlindo Tinoco me veio com essa:
- Cheguei em casa, tirei o blusão da farda do Ginásio que estava encharcado de suor e pendurei numa cadeira na sala de jantar. No outro dia quando fui pegar o blusão, para minha surpresa, tinha quase meio quilo de sal no chão!
E para não cansar o leitor mais duas recentes. Como sabemos as religiões são alicerçadas pela fé porém, independentemente disso e das denominações, existem as curas milagrosas, os livramentos, a paranormalidade, cirurgias mediúnicas etc e tal. Ouví recentemente dois "depoimentos" que se encaixam bem no presente "causo". O primeiro foi de um ex-padre de nome Nivaldo. Vinha ele a sua esposa de São Paulo para o Rio de Janeiro...um parêntese: já repararam que padre só larga a batina pra casar? Então, Nivaldo vinha no seu fusca que apresentava alguma falha mecânica a ele atribuída a "gasolina batizada" E veio tocando o carro, dirigindo e orando, ele a sua dígna consorte até que chegaram ao Rio e pararam na primeira oficina. Quando o  mecânico foi examinar e diagnosticar o problema perguntou, curioso:
- Cadê o motor ?!
Vamos passar rapidamente para o último "causo" que aconteceu a menos de um mês, quando de uma reunião de pastores, sendo autor o músico chamado Péricles. No seu depoimento ela falou de uma senhora crente que morava perto der um manguezal. Ele deu o nome e endereço mas eu não decorei.
A piedosa senhora tinha em sua despensa um pouco de farinha e alguns caroços de feijão. E entre orações lamuriava:
- Meu Deus, eu não tenho Bolsa Família, minha casa tá pelada, não tenho o que comer!
E foi tentar a sorte no manguezal. Para surpresa dela, apareceu do nada um caranguejo com uma cédula de cinquenta reais na boca !!!!!
O tal de Péricles Gaiteiro só não disse se o caranguejo foi sacrificado, o que para nós
cronistas do cotidiano e contadores de "causos" pouco importa, como dizem os italianos:
- Se non é vero...é ben trovato!
Bom final de semana, galera.




A Inauguração da “Estátua de Liberdade” cachoeirana
Quando Augusto de Azevedo Luz (foto 4) assumiu a direção do jornal cachoeirano A ORDEM, "a folha de maior circulação no interior do estado", órgão que circulava às quartas-feiras e sábados, ele promoveu uma espécie de enquete popular a fim de auscultar os cachoeiranos quanto ao local onde deveria ser erigido o movimento para lembrar aos prósteros a resistência dos seus avós ao jugo lusitano nos idos de 1822.
O jornal começou a publicar um cupão que era preenchido pelo leitor e depositado em uma urna na redação do jornal na rua Dr.Seabra (hoje Irineu Sacramento) nº 24,(hoje em completa ruína), no correr da agência da Caixa Econômica Federal.
Como era previsível, foram várias as sugestões: praça Dr.Milton, Praça da Aclamação e até na Pedra da Baleia.
Venceu, finalmente, a praça Teixeira de Freitas. A inauguração festiva se deu em a tarde do dia 12 de outubro de 1930 (foto 1), com as presenças de autoridades municipais, do prefeito Cunegundes Barreto (foto 2) e as filarmônicas Lira e Minerva Cachoeirana.
Segundo o jornal A ORDEM em sua edição de 22 ded outubro de 1930, o doutor Borges de Barros, "idealizador do plano construtor da Estátua da Liberdade", encaminhou à Comissão Patriótica  o seguinte ofício:
"Exmº Sr. Coronel Cunegundes Barreto, muito digno prefeito municipal da Cachoeira.
Em meu nome e no do Museu da Bahia cumpre-me agradecer a V.Exª o inexcedível auxílio prestado não só no tocante ao erguimento do monumento aos heróis cachoeirano inaugurado a 12 co corrente".
Com todo o respeito aos nossos avós, a tgal "Estátua da Liberdade" é uma cópia malfeita da verdadeira que se encontra em Nova Iorque e foi inaugurada coincidentemente no mesmo mês de outubro, porém no dia 28 e o ano 1886.
Na nossa modesta concepção artistica, o monumento deveria retratar o coronel Rodrigo Brandão conforme foto nº3 que ilustra esta memória.
OPINIÃO
O futuro do país   
Recomeçou a propaganda eleitoral gratuita (alguém pagaria para assistir?) para o segundo round (desculpem) segundo turno das eleições presidencial  para governadores em alguns estados.
De acordo com a lei eleitoral vigente eu alcancei a minha alforria, estou liberto de comparecer "obrigatoriamente" ao local de votação mas, longe de mim deixar de exercer o sagrado dever de cidadania.
Vamos todos assistir de novo as autolouvações, as manobras satanizadoras boladas pelos gênios marqueteiros, tudo a fim de derrubar o adversário. É aquela lamaceira que todos conhecemos de denúncias comprovadas e delações premiadas. Breve alguém vai criar o Trofeu Silvério dos Reis.
É impossível evitar o desalento quando se ouve nos debates tanta baixaria e nenhum programa de governo, nenhuma proposta para um combate obstinado e firme à corrupção o que, em outras palavras significaria mais dinheiro para a educação, para a saúde, para a segurança, para os aposentados do INSS...
Confesso a vocês que eu já defini o meu voto. Fiquem certos de que não será nulo e muito menos em branco, sem qualquer preconceito racial.

Quem sou eu?    
Francisco Prisco de Souza Paraíso, nascido na cidade da Cachoeira, na Bahia, em o dia 18 de janeiro de 1840, filho de Francisco de Souza Paraíso e dona Carlota Cândida Paraíso.
Bacharelando-se em Direito em 1864, no Recife (não havia faculdade de direito no estado e muito menos exame de ordem), exerceu a Promotoria em sua terra natal, sendo, depois, eleito Deputado Provincial, reeleito no pleito de 1868.
Até a dissolução das Câmaras, era Deputado Geral. No chamado "Gabinete Lafaiete", ocupou o cargo de Ministro da Justiça, e, em 1885, com a queda da situação liberal, foi cassado o seu mandato.
Eleito em 1889 não chegou a exercer o seu mandato por causa da implantação do regime republicano.
Aos 55 anos de idade, em 8 de novembro de 1895, Prisco Paraíso veio a falecer em sua terra natal, sendo seu corpo velado na Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Durante a cerimônia fúnebre tocaram as filarmônica Lira Ceciliana e a hoje extinta Orquestra de N.S. da Ajuda.
As sete hora da noite, havendo a empresa Dannemann disponibilizado uma lancha da empresa, o ataúde do ilustra cachoeirano foi levado até a povoação de São Roque do Paraguaçu onde foi sepultado.
O advogado e Deputado Aristides Milton inseriu na ata da Câmara Federal o seu voto de pesar.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Agradecimentos
Recebi ao longo do dia do meu aniversário vários telefonemas de familiares, manifestação de carinho dos meus filhos e de amigos do "feice". Tentei responder individualmente a todas as mensagens. Foi humanamente impossível, por isso, gente, valho-me do JORNAL DE ONTEM HOJE E SEMPRE para dizer a todos: Muito obrigado !
A longevidade, meninos, cobra-nos um ônus pesado demais e o colorário é a saudade, saudade de tudo até de momentos não muito agradáveis.
Diz-nos o Salmo 90 versículo 10 o seguinte:
Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado..."  Dizer mais o quê? Quando se fica idoso só falta nascer rabo!  Essa propagando enganosa de "melhor idade" e coisa pra boi dormir, se bem que, eu não troco a minha idade por um moço de hoje em dia com seus vinte e poucos anos, simplemente porque não vou encontrar nenhum otário que queira faze-lo.

HOUVE UM  TEMPO em que o cinema era o maior entretenimento dos cachoeiranos, mesmo não sendo, à época, baratos os ingressos. Os frequentadores era chamados habitués e as sessões podiam ser matiné (durante o dia) e soirée (noturno), todas as palavras oriundas do idioma francês.
Como não poderia deixar de ser, São Félix e Cachoeira inauguraram suas salas de cinemas na mesma época, ou seja, no ano de 1916, segundo a revista A Árvore, editado por Ernesto Malheiros A referida revista era quinzenal, a redação era na Rua Rodrigo Brandão nº 9 na cidade da Cachoeira e era impressa na Rua 20 de Dezembro n°  90 em S.Félix, que possuía o Cine Avenida e o Cine São Félix.
Na Cachoeira funcionava na Rua Rui Barbosa, no Palacete Lobo da Cunha o Elegante Cinema, de propriedade do professor Francisco Cardoso Fróis (foto) que foi regente da filarmônica Minerva.
O Elegante Cinema possuía poucas acomodações,era frequentado pela elite capitaneada pela pessoa do Intendente (Prefeito) o advogado Ubaldino de Assis.
Finalmente, graças ao espírito empreendedor do doutor Cândido Elpídio Vacarezza (que também foi Intendente entre 1926/27), mais precisamente no dia 12 de agosto de 1923, com a presença do Intendente Dr.Inocêncio de Almeida Boaventura e outras autoridades, era solenemente inaugurado o Cine Teatro Cachoeirano ou simplesmente CTC como era carinhosamente chamado.


O saudoso memorialista cachoeirano Francisco José de Mello, - Chiquinho Mello -, em o seu livro intitulado História da Cidade da Cachoeira registrou:
"No dia 12 de agosto de 1923, era inaugurado festivamente o Cine Teatro Cachoeirano, considerado, na época, a melhor casa de espetáculos do interior da Bahia, graças ao esforço do operoso capitalista, doutor Cândido Elpídio  Vacarezza".
"Como novidade, o cinema operava com energia própria através de um gerador a Diesel. O filme focalizado na inauguração foi a película da Paramount de título De apache a homem de bem. Era, ainda, a fase do cinema mudo".
"A renda do espetáculo foi de 800$00, que o Dr.Vacarezza doou à Santa Casa de Misericórdia".
Continuemos com a narrativa de Chiquinho:
"O cinema dispunha de 750 cadeiras. Várias companhias teatrais de renome nacional se exibiram no Cine Teatro Cachoeirano, e, durante muitas décadas era o ponto de encontro das famílias cachoeiranas".
E o mais interessante:
"Entretanto, vale ressaltar que a introdução do cinema em Cachoeira ocorreu em 1899, ao apagar das luzes do século XIX, através de um cinema volante de nome Cinema Edson, dos senhores Antônio de Oliveira Brandão e João Capistrano Ribeiro de Souza. Foram realizados vários espetáculos".
"Depois desse cinema volante, o capitão José Gonçalves de Almeida, instalou no sobrado a ele pertencente, na esquina da Rua 13 de Maio, prédio destruído por um incêndio em 17 de junho de 1914, hoje em ruínas".
Ressalte-se, turma, que as películas eram em celulóide, um material muito inflamável.
Depois de dois anos de sua fundação, exatamente em a noite de 12 de junho de 1925, o CTC apresentava em seu palco a Companhia de Teatro Olímpia da Bahia, uma das mais respeitadas do Brasil, na época. Seu proprietário era a empresa Borges da Mata & Ciª e era a primeira vez que se apresentava fora da capital baiana. A peça encenada na Cachoeira chamava-se Juriti, uma opereta original de Viriato Correia com músicas de Chiquinha Gonzaga.
Naqueles tempos de cinema mudo o CTC possuía um piano para acompanhar as películas. Segundo conseguí apurar, as pianistas que se reversavam era as senhorinhas Ambrosina Rebouças Soares (irmã do advogado Luiz Soares) e Benícia, apelidada de "Treme-Treme".
Em a noite de 21 de junho de 1937, o CTC inaugurava o seu equipamento sonoro. O domínio cinematográfico já era hollywoodiano desde 1934. O palco do CTC era requisitado para shows, reuniões políticas (foto)palestras,comemorações como o Dia do Trabalho onde aparecem na foto os alunos do Colégio Baependi (professora Ursulina) e Santo Antônio (professora Dede Onofre).





Em 12 de setembro de 1948, sob a regência do padre Mariz, a Orquestra Sinfônica da Bahia se apresentava para o público cachoeirano.
Eu era menino, usava calças curtas, ainda, quando comecei a ir aos domingos às matinés do CTC. O operador do cinema já não era mais o Terinho (tio de Lêda). O operador era Renério que depois se mudou para Cruz das Almas onde instalou um oficina e uma loja de eletrodomésticos. O ajudante era Mundinho Burilão, o porteiro era seu Antônio e a única bilheteira era dona Vivi que sofria o diabo com a criançada.
Na década de 50 o CTC foi arrendado para Frederico Maron, empresário que já possuía uma rede de cinemas, inclusive na capital do estado, cuja nome fantasia era Cine Glória. O referido cinema foi inaugurado em 14 de maio de 1952 com as bênção do padre da paróquia Fernando de Almeida Carneiro e a presença do prefeito Francisco Andrade de Carvalho,  - Francino -. Se não estou esquecido o primeiro filme a ser exibido foi O Corcunda de Notre Dame.
O operador era o grapiúna Adilson Januário do Nascimento. Oito anos depois, parceiro de Adilson nas locuções dos alto-falantes, fui ajudá-lo (foto) em vista do afastamento de Ivan Rodrigues. Atuei pouco mais de um ano e até sozinho nas férias de Adilson.
O Cine Glória exibia filmes de sucesso antes mesmo de Salvador, atraindo um grande público das cidades circunvizinhas.
Em 1947 o cinema nacional com as chamadas chanchadas conseguia atrair um grande número de fãs de Oscarito, Grande Otelo, Zé Trindade e as músicas de carnaval. O maior sucesso de público e bilheteria, na minha avaliação, foi O Petróleo é Nosso!  
No palco do Cine Glória, em shows beneficentes, ou não, exibiram-se artistas de renome como Vicente Celestino,Orlando Silva, Carlos Galhardo, Ângela Maria, Caubi Peixoto e Dóris Monteiro, invariavelmente acompanhados ao violão por Didi da Bahiana ou Antônio Porto.

Na década de 70, com o falecimento de Maron, o jovem empresário Telmo Luiz Ramos Sampaio (foto) que já vinha administrando o Cine Avenida de São Félix, assumiu a direção do cinema cachoeirano dando-lhe o nome de Cine Real, depois Cine Astro.
Com a advento dos aparelhos domiciliares de televisão, com as novelas, o cinema acabou perdendo a sua força. Telmo, em entrevista concedida a mim para o jornal cachoeirano A Ordem, dizia que para evitar prejuízos, só programava filmes eróticos (vide foto de Arnol Conceição).
Finalmente, após a cheia do rio paraguaçu, Telmo estava ajudando na limpeza da lama quando caiu da marquise do cinema, teve traumatismo craniano e veio a falecer.
Volvidos 20 anos, o cinema cachoeirano foi reformado pelo IPHAN e foi reaberto com o nome original de Cine Teatro Cachoeirano,sendo entregue à administração municipal.(Fotos)