sexta-feira, 28 de novembro de 2014

É PROVÁVEL que muita gente pensa que é bobagem viver nostálgico pensando que o seu passado foi melhor do que o presente. Com certeza a Cachoeira da minha geração era, a gente podia ir a qualquer lugar da cidade. Hoje quem é que se atreve a tomar banho na Pedra Rachada, passar no Virador, na Mangabeira, subir a Ladeira da Cadeia?
Como contador de "causos" vou dando o meu recado, fazendo memória.preservando os costume,os personagens,os ditados de uma época, além de fazer rir.
Desde adolescente fui um cara enxerido, achava que podia mexer em todas as artes. Fazia versos de "pé quebrado", ou seja sem a devida métrica, fiz versos de cordel sobretudo para "Testamento de Judas", pintei quadros, fiz charges e, com alguma teoria musical, tocava gaita (realejo), depois escaleto, fazia parte do coral da Matriz, locutor de alto-falantes, depois na Radiovox de Muritiba, e, finalmente,acabei cantor fazendo a terceira voz de Os Tincoãs, um trio vocal bem à moda antiga cantando músicas românticas que fazia soluçar corações apaixonados.
Certo dia estávamos ensaiando no Hotel Colombo, que era de propriedade de seu Aurélio, pai de Heraldo companheiro do trio, quando o engenheiro chamado Raimundo, o cidadão que montou a TV Itapoan nos convidou a fim de participar do concurso chamado "Escada para o Sucesso"
Televisão naquela época era a novidade que encantava todo mundo e na Cachoeira não era diferente. Então, em benefício da festa de Nossa Senhora da Conceição do Monte fomos convidados a colaborar com um show.
Em a noite daquele dia, não havia uma só cadeira vazia no Cine Glória. Aliás, muitas foram as cadeiras extras que foram emprestadas do bar de Pedro, e casas vizinhas.
Eu acho que foi o locutor Gilberto Braga, Betinho que, após o término do filme anunciou:
 - E para o aplauso de vocês...Os Tincoãs!
A recepção foi calorosa. Por mais que eu procurasse visualizar  um rosto conhecido a adrenalina na permitia. Aproximei-me do microfone. Era minha tarefa  apresentar os companheiros a mim próprio e o que íamos cantar. Rapaz...levei um choque e o microfone chegou a bater com força na minha boca. Sem querer, claro,soltei uma "porrrra!"
Quando eu me aproximava, mesmo sem dar um "alô" o microfone piiiiiiiiiii !  Estava tentando encontrar uma saída quando o sonoplasta que se encontrava por trás das cortinas resolveu em boa hora dar as caras. O público reagiu com assobios, vaias e uma sonora e demorada gargalhada. O sonoplasta era o proprietário da sonorização, o saudoso Elias Cardoso de Jesus apelidado de Paco-Paco.
Galera, quando ele se aproximou do microfone foi aquele úúúúúú!  Percebi que Dadinho estava agoniado, dedilhando as cordas do seu violão.  Falei pra ele: "Magnata, fique suave, o show já começou, faz parte!"
Elias pegou o microfone e o público, agiu como se tivesse alguém regendo. Podia-se ouvir alguns "pissius" de advertência pedindo silêncio. E o silêncio absoluto se fez. Então Elias falou:
- Não sô curpado do arto-falante dá bronca... Foi sabotais de Mundin !
Mundinho trabalhava no cinema e era desafeto dele, Elias.
Aí, meninos e meninas, aconteceu uma coisa impressionante: uns espectadores da parte de baixo diziam "Paco!" outros no mezanino ou na parte de cima "Paco!" Paco ! Paco! Paco! Paco! Nunca via nada tão bem ensaiado.
Quando ele sa afastou atendendo a meu pedido, dei alguns passos firmes e decididos e pedi um pouco de silêncio. Fui atendido. Falei que se houvesse colaboração seria possível "dar continuidade ao show"!  A excelente acústica do cinema o permitiu e aconteceu naquela noite o que hoje, para mim, foi um show inesquecível. e ao recordá-lo cheguei a encher os olhos de lágrimas. Desculpa, galera pela emoção. Um bom final de semana para todos!

 
Na vizinhança do sobrado onde passei a minha infância, um cheiro agridoce muito forte dominava o ar. Vinha das fábricas de charutos próximas.
Das terras férteis de toda a região chegavam à Cachoeira, São Félix e Maragojipe, onde estavam instaladas as grandes indústrias, as folhas do excelente tabaco as mantinha a pleno vapor. A economia estava em plena expansão. Sou, portanto, de uma geração que jamais imaginou que o Recôncavo baiano sem charutos e cigarrilhas.
Quando o cinema de Hollywood botou os jovens do mundo todo a fumar cigarros da Souza Cruz, alguns gostavam dos cigarros mentolados, outros de filtro de cortiça mas, não fumavam charutos, reservados apenas para pessoas da elite e eram proibidos de serem fumados em alguns locais.
Havia o costume de oferecerem charutos quando do nascimento de um filho homem. Há!, ia esquecendo; mulheres não fumavam charutos pois o consideravam fedorentos. As putas fumavam cigarros em casa, na rua nem pensar. 
Antes, muito antes do Che Guevara e do ex-presidente Clinton (que fez uso inusitado de um charuto como apetrecho sexual), a gente tinha conhecimento que alguns personagens famosos gostavam de charutos, Groucho Marx, Freud e Churchill, por exemplo.
 Depois da Segunda Guerra Mundial, houve uma queda acentuada do consumo e venda do produto e as fábricas foram-se fechando, as cidades que tinham a sua economia voltada ao tabaco ficaram em estado de penúria.
Juscelino Kubitschek (foto do comício, abaixo),  era candidato à presidência da República e prometeu que viria reabrir as fábricas de Maragojipe. São Félix e Cachoeira. 
Luiz Gonzaga (Correio de São Félix) e Felisberto Gomes (A Cachoeira) fizeram dezenas de artigos cobrando a promessa, Juscelino havia sido eleito mas era uma promessa impossível de ser cumprida por causa da lei do marcado. 
Resumindo: nos últimos cinquenta anos, a queda da venda de charutos foi tão acentuada que daqui a uns vinte anos ele  desaparecerá do nosso país.  Continuamos vendendo a  folha do tabaco que representa 1,35%  das exportações do país, afinal muitos não abandonaram o vício das baforadas em cachimbos.
Confesso que eu mesmo fui um tabagista inveterado. Deixei de ser dominado pelo cigarro no ano em que nasceu Ana Laura, filha do meu primeiro casamento. Quem tiver a curiosidade de saber quantos anos já se passaram é só perguntar pra ela quantos anos ela tem. rsrsrs. Fumei, também, cigarrilhas que me eram ofertadas pelos saudosos amigos Francelino Cabral - França -  e uma funcionária chamada Pia. A fábrica LEITALVES estava a pleno vapor exportando para vários países.
Aviso aos Navegantes: embora no meio artístico já tivesse a maconha, o careta aqui nunca experimentou.Graças a Deus1
Embora contrário a todo e qualquer vício, repito, inclusive das drogas permitidas como cigarros e bebidas, não posso deixar de analisar que, em se tratando de negócios, os americanos estão a anos luz da gente, e, não é a tôa que alguns estados por lá já liberaram o consumo chamado "recreativo"  da maconha.
Quanto as propriedades médicas da maconha,  - ao contrário da folha do tabaco -, em breve a ciência dará o seu veredicto mas, os resultados farmacológicos parecem altamente promissores. Em assim sendo, a inlegalidade do cultivo da maconha dará lugar a um agronegócio altamente rentável, como o foi o tabaco anos passados. Quem viver, verá.

 
 


 

 
Curiosidades da Bíblia  
Os Livros de Ester e "Cantares" de Salomão, são os dois únicos em que a palavra DEUS não é encontrada.
 
QUEM SOU EU?
Filho de Antônio Brandão Pereira Marinho Falcão e dona Ana Rita Francisca Evaristo Catarina Duque Estrada de Menezes, nasceu RODRIGO ANTÔNIO PEREIRA FALCÃO BRANDÃO na antiga freguesia de Santiago do Iguape do município da Cachoeira, na Bahia, no dia 7 de abril de 1789.
Quando da lutas da independência da Bahia, e, depois, na revolta chamada de "Sabinada", Rodrigo Brandão teve papel destacado na condução do pelotão patriótico, sendo agraciado com várias comendas tendo como colorário o honorífico título de "Barão de Belém".
Vitimado pela epidemia de cholera morbus, o Ebola da época, o ilustre cachoeirano veio a falecer a 10 de setembro de 1855, aos 66 anos de idade.

 
A CACHOEIRA, como outras inúmeras cidades que eu conheço, está repleta de ruas que são conhecidas popularmente por outros nomes, como, por exemplo, a que aparece na foto acima, chamada, ainda hoje de "Rua das Lojas"
Foi ali, naquele majestoso sobrado à sua esquerda que o grande Ruy Barbosa(foto) ficou hospedado. Aquela artéria central da cidade, segundo Resolução do então Conselho, no dia 17 de dezembro de 1890 chamar-se-ia Rua d'Entre Pontes.
Em plena campanha presidencial do ano de 1919, quando Ruy, em companhia de Ernesto Simões Filho esteve na Cachoeira, a referida rua passou a chamar-se de Ruy Barbosa.
Um fato curioso: o notável jurista escreveu no "Livro de Visitantes" da Igreja Matriz o seguinte:
"Levo do templo de Nossa Senhora do Rosário, a impressão dos seus quase dois séculos e meio de existência, com que ele nos atesta a eternidade da Fé, essa Fé que se vai perdendo e que há de ser a salvação do mundo, quando ele a recobrar!"

 
 
FUTEBOL
O goleiro Vadinho
Ano de 1968. O time do Comercial da cidade de Muritiba estava filiado e disputava o campeonato cachoeirano revelando o goleiro Vadinho (foto), que foi naturalmente convocado para o selecionado, sendo, inclusive,campeão do Torneio Intermunicipal de Futebol Amador do Estado da Bahia.
Vadinho cursava medicina, na época, seu pai, seu Osvaldo condicionava a sua liberação aos estudos. Então, galera, nos dias dos jogos era um drama, muitas das vezes o nosso amigo Salu teve de ir pessoalmente fazer um apelo que apenas os iniciados na Ordem Maçônica entendem.
Eu fazia parte da direção da Liga Cachoeirana quando Vadinnho me fez um pedido. Ele queria um uniforme todo na cor cinza, inclusive os meiões! Acontece que as cores eram (e continuam sendo), azul,vermelho e branco. Diante do meu espanto ele esclareceu: "Eu tenho baixa estatura, não posso usar cores berrantes, ficaria muito exposto, os atacantes, num relance, veriam onde eu estava!"
A observação fazia sentido e ele foi atendido. Futebol se ganha nos pequenos detalhes.
 
 
FALA, GALERA!

ENCHENTES
Inacio Tadeu Goncalves Silva Silva Sim seu Erivaldo; ate antes da enchente de 1989 tudo era motivo festa a partir dessa a História mudou, pois se marcava onde a água chegava com e um turismo ver a enchentes.
Raquel Dos Reis Morais Erivaldo, nasci e morei na Cachoeira , isso que você comenta é pura verdade, as cheias do Rio Paraguaçu eram motivo de festa para nós. Lembro da barragem de Bananeiras, que controlava as cheias, lembro do grande amigo da minha família o Sr Manuel Lobo, que trabalhava na empresa de energia e telefone que fica dando as noticias como" estar chegando água nova, tem chovido muito no sertão ,vamos ter uma grande enchente".
Miriam Mascarenhas Verdade Raquel, quem viveu na Cachoeira conheceu muitas enchentes que acabavam com a cidade.
Altamirando Emerson Araujo Em Cachoeira peguei as enchentes de 1947, 1957, 1960, 1964 e outras menores. Em algumas tive grandes perdas materiais e emocionais ... mas, tudo passou.

PROFESSORA WALDA
Antonio Moraes Ribeiro Eu fui aluno da professora Walda Gavazza de Melo durante o meu curso primário no Grupo Escolar Montezuma. A professora Walda como era carinhosamente chamada estará sempre viva em minhas lembranças. Que seu espírito descanse em paz no reino celestial!
Dirajara Pedreira minha querida diretora no Montezuma

LIGA CACHOEIRANA PRESTA CONTAS 


BOLETIM FINANCEIRO NÚMERO 07 - 2014 INTERMUNICIPAL
Jogo CACHOEIRA 2 X 2 IPIRÁ
23 de Novembro de 2014
Estádio Municipal 25 de Junho
RECEITA
Bilheteria do Estádio R$ 11.664,00(1.458 ingressos vendidos)
Ingressos Antecipados R$ 3.352,00(419 ingressos vendidos)
Público Pagante 1.877 pessoas
Público Total 2.600 pessoas(estimativa)
Renda Bruta R$ 15,016,00(1.877 ingressos vendidos)
DESPESAS
Arbitragem R$ 1.055,00
Quadro Móvel da Liga. R$ 650,00
Lanches/Água e Refrigerante R$ 470,00
Publicidade/Divulgação/Fogos R$ 550,00
Caranga/Ingressos R$ 750,00
Equipe de Apoio R$ 520,00
PREMIAÇÃO R$ 4.000,00:
- Premiação Atletas e Comissão Técnica* R$ 3.754,00
- Bônus de Premiação Atletas R$ 246,00
Outras Despesas R$ 100,00
TOTAL DE DESPESAS R$ 8.095,00
RENDA LÍQUIDA(RECEITA - DESPESA)
RECEITA R$ 15.016,00
DESPESAS R$ 8.095,00
SALDO LÍQUIDO (+) R$ 6.585,00
PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS DO SALDO LÍQUIDO:
Passagens de Atletas - Dia do Jogo R$ 345,00
Gratificação 3 Motoristas Ônibus - Jogo em Ipirá . R$ 300,00
Pendências com Atletas da Seleção R$ 1.900,00
Lavanderia(10 dias) R$ 200,00
Despesas de Lavandeira(10 dias) R$ 50,00
Café da Manhã e Lanches da Casa do Atleta - Mês R$ 500,00.
Despesas de Treino - 24 a 28/11/2014 R$ 130,00
Passagens Atletas e Comissão Treino - 25 a 28/11/14 R$ 300,00
Farmácia Treino - 24 a 28/11/14 R$ 80,00
Charanga Jogo de Ipirá. R$ 100,00
TOTAL DE DESPESAS R$ 3.905,00
SALDO LÍQUIDO ATUAL R$ 2.680,00
PGTOS C/ VENCIMENTO ATÉ 04/12/14:
Aluguel da Casa do Atleta.
Alimentação Jogadores de fora
Água /Energia da Casa do Atleta.
PREVISÃO DE GASTOS - Viagem para Itapetinga
HOSPEDAGEM R$ 900,00
ALIMENTAÇÃO(ALMOÇO/JANTA) R$ 1.800,00
ÁGUA/GATORADE/GELO R$. 200,00
PASSAGENS ATLETAS FORA R$ 300,00
OUTRAS DESPESAS R$ 400,00
Total R$ 3.600,00
Comunicamos a todos que acessam o nosso facebook, que a demora na divulgação do nosso Boletim Financeiro Numero 07, foi devido à apuração de todos os pontos de venda de ingressos antecipados, a qual fechamos no final da tarde desta quinta-feira, dia 27 de novembro de 2014. Por isso, as nossas desculpas pelo ocorrido, além de agradecer a todos que curtem a nossa página, do mesmo modo, a todos os torcedores que compareceram ao Estádio 25 de Junho, tendo proporcionado uma Renda recorde na gestão atual da Liga Cachoeirana de Desportos.
Obrigado, Cachoeira Esportiva.
DIRETORIA DA LIGA


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

OPINIÃO
Operação Lava a Jato 
Somente os ingênuos, os que acreditam em Papai Noel, Saci Pereré, Mula sem Cabeça,os imbecis, alienados e desinformados não sabem dos esquemas de corrupção na Petrobras. Nunca houve no país roubos e corrupção? Tudo indica que sim, todavia, nunca antes na história deste país com tal amplitude.
As investigações estão acontecendo porque instituições como o Ministério Público, a Controladoria Geral da União e a Polícia Federal estão cada vez mais fortalecidas, independentemente do governo querer ou não porque são órgãos do estado, agem de forma independente conforme prevê a nossa lei maior, a Constituição Brasileira.
A sétima atuação da Polícia Federal chamada de "Operação Lava a Jato", apoiada na delação premiada, deixou o país estarrecido com a prisão de executivos das maiores empreiteiras do Brasil ! A patuleia, da qual nos incluímos, está com a agradável sensação de que o combate à corrupção deve ser pra valer, sobretudo se não houver a politização que só faz levar à impunidade.
A pergunta que não quer se calar é a seguinte, galera: será que no andar de cima ninguém suspeitou de nada? É complicado até para o mais fiel petista afirmar que Lula e Dilma não sabiam de nada! A doutora dominou a área de Minas e Energia antes de assumir a chefia da Casa Civil e um primeiro mandato como presidente. Aliás "presidenta" como eles gostam de chamá-la.
Curiosamente, os empreiteiros presos não tinham dinheiro em suas contas, quando não zeradas enquanto alguns delatores declaram que vão reparar aos cofres do Banco Central cerca de 450 milhões de reais e não se fala mais nisso, sobretudo o que está "escondidinho" em paraísos fiscais cujos valores jamais serão recuperados. Vocês duvidam? O que foi que aconteceu com os aloprados? Valeu a pena passar um ano em retiro super confortável porque não existe uma legislação que torne obrigatório prioritariamente o ressarcimento aos cofres públicos o dinheiro roubado.

 
FOI O DEPUTADO UBALDINO DE ASSIS que trouxe do Jardim Botânico do Rio de Janeiro as mudas das palmeiras imperiais que davam imponência e enfeitavam a ladeira do Monte (foto acima), as entradas dos cemitérios da Piedade e dos alemã, no Rosarinho e parte da orla fluvial.
Com a instalação da energia elétrica, sob a alegação de que as folhas ao caírem poderiam causar curtos circuitos, as palmeiras imperiais da Cachoeira foram abandonadas e algumas simplesmente podadas.
FALECIMENTO
Professora Walda 
 Entre as recordações de meu tempo de menino-aluno da escola Montezuma, está a doce figura da minha professora Walda (foto) , uma educadora do quilate de suas colegas de magistério, Marion, Vanda, Zezé Magalhães, Dedé Onofre, Ursulina Luz, as irmãs Glorinha e Anita, Adalbélia, Guiomar, Lígia Deiró e tantas outras de uma geração em que, até a sociedade predominantemente machista da época, considerava um grande privilégio e orgulho ser "o marido da professora".
Filha de tradicionalíssima família cachoeirana, professora Walda de Miranda Gavazza Melo, veio a falacer no dia 15 do corrente em Salvador, segundo lí no Facebook.
 Com o coração de enternecida saudade, lembro-me de ter iniciado e de certo modo o gosto pela leitura e pelas artes graças a ela, obrigando-me a decorar e declamar poesias, elaborando, inclusive, um "jornal" em papel pautado a que ela deu o nome de 2 de Julho, contendo textos produzidos pelos colegas de classe. A tarefa recaiu sobre mim porque eu levava jeito, escrevia com letras de formas e ela dizia que eu seria "um perfeito calígrafo".
De vida social intensa, foi presidente da Falange Feminina da Desportiva do Paraguaçu e irmã benemérita da Irmandade de N.S. da Conceição do Monte, de cujo novenário sempre se fazia presente, mesmo depois de haver transferido o seu domicílio para a capital do estado. 
No dia da Missa festiva, 8 de dezembro, emprestava a sua belíssima voz ao solar acompanhada pela organista Stela Fróes e o violinista João Cândido, o "Valde Mirabilis Est!" de Charles Haenni para deslumbramento dos fiéis e enlevo do seu esposo, Laudílio Melo, também de saudosa memória.
Por fim, amigos e amigas, sobra-me razões para aplaudir a ilustre professora Walda, sobretudo porque, prestou, ela, à infância da sua amada terra natal, inestimáveis e inquestionáveis serviços e motivos sobejos para, neste instante, lamentarmos a sua morte.
Nossas condolências aos familiares.

 
DATAS
Os três aninhos da Luiza
 Nascida em 11/11/11, um número cabalístico para os adeptos da numerologia, minha netinha Luiza Brito Machado completou três aninhos. A sua zelosa mamãe providenciou realizar o sonho da aniversariante desenvolvendo caprichosamente o tema da "Branca de Neve e os Sete Anões".
A recepção aconteceu no salão de festas da Igreja Presbiteriana do Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, da qual é pastor e também advogado tributarista  Wladymir Soares de Brito, tio da aniversariante.
O feliz papai da Luiza, Brito Filho, _ Tinho - , antes do tradicional "Parabéns" ,agradeceu a todos os presentes e aos que manifestaram o seu carinho durante todo o dia.
O vovô coruja, mantenedor desta página, diante da imagem radiosa da "Branca de Neve" abriu o seu coração já calejado de tantas emoções, e, entendeu a profundidade do que quis dizer o poeta com o seu "dia nascer feliz!"

PERFIL BIOGRÁFICO
Antônio Loureiro de Souza  
Natural da cidade da Cachoeira, na Bahia, o nosso biografado nasceu no dia 13 de junho de 1913, sendo seus pais, o abastado fazendeiro Adolpho José de Souza e dona Laura Loureiro de Souza.
Passando parte da sua infância na cidade de Castro Alves, ali, juntamente com o seu primo Antônio Loureiro Brito (meu pai), davam os primeiros passos na lide jornalística, pendor que os levaram a colaborar com vários jornais da época tais como "O Social", "Pequeno Jornal", "A Ordem" e "A Cachoeira".
Acadêmico, professor e jornalista, diretor da Escola de biblioteconomia e Comunicação da UFBa, secretário de redação de A Tarde, era membro do Instituto Geográfico e Histórico  da Bahia e pertencia à Academia de Letras da Bahia.
Na sua profícua vida literária, Antônio Loureiro (foto acima) além de centenas de artigos, crônicas e sonetos, é autor dos livros "Notícia Histórica da Cachoeira" e "A Poesia Emocional de Pedro Barros", sendo, também, responsável junto à UFBa pelas reedições de as "Efemérides Cachoeiranas" e "Contos do Norte" de autoria dos também cachoeiranos Aristides Milton e Alberto Rabelo, respectivamente.
No período de 15 de maio a 6 de junho de 1978, coordenou  no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia um curso intitulado "Historiadores Baianos" aberto aos estudantes universitários, tendo como preletores, Cid Teixeira, Luiz Monteiro, Waldir Oliveira, Hildegardes Viana, Renato Berbert de Castro, Ana Amélia Nascimento, José Calazans e Angelina Garcês. Coube a ele falar sobre os primeiros cronistas e historiadores do período colonial.
Devido aos seus vastos conhecimentos da história da sua terra, e, sem dúvida, pelos seus recursos de retórica, teve o privilégio de ser orador oficial da solenidade do 25 de Junho nos anos de 1950, 1959 e 1982.
No ano de 1971 eu fui eleito Vereador da Cachoeira, então, em sessão do dia 21 de outubro, apresentei um requerimento para a criação da bandeira e do brasão cachoeiranos, indicando, naturalmente, o professor Loureiro para efetuar a pesquisa e, assim, concretizar as nossas pretensões para os festejos do sesquicentenário do épico e glorioso evento de 1822, o que efetivamente ocorreu com a ajuda do professor e historiador Cid Teixeira após consultas técnicas a peritos em heráldica.
O então presidente da Câmara, Geraldo Simões, depois de aprovada a matéria, claro, em papel timbrado oficiou ao professor Loureiro que, fazendo jus ao título de educador, ao aceitar "o honroso encargo", aproveitou para fazer a oportuna observação em carta datada de 8 de novembro de 1971:
"A expressão deve ser, sempre, a Cachoeira, na Cachoeira, da Cachoeira, etc, e, não em Cachoeira, de Cachoeira etc, isto porque o vocábulo Cachoeira é um substantivo apelativo. Por essa circunstância, é-lhe impressindível a companhia do determinativo a.  Vou em Cachoeira é um modo absurdo de expressão é o mesmo se disséssemos; vou no lugar onde estou!  Assim, não esqueçamos: vim da Cachoeira, vou à Cachoeira. A preposição a é de movimento; a preposição em é de estada. Não é possível mais clareza.  Dessarte, valeria, e muito, corrigir-se o erro, para que a cidade de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira tivesse o seu nome correto".
Em o dia 29 de abril de 1989, o ilustre biografado que se encontrava internado no Hospital Português, em Salvador, veio a falecer aos 76 anos de idade, sendo sepultado no domingo, dia 30 no cemitério Jardim da Saudade.
O funeral ocorreu num clima de grande comoção, usando da palavra o poeta Clóvis de Lima, a historiadora Concuelo Pondé de Sena, Terezinha Café,e, finalmente, em nome da família enlutada, seu filho Bernardo Loureiro.




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

EU NÃO TENHO CERTEZA se já contei este "causo" sobre um colega de "república" em Salvador...Não sei se foi no blog do Cacau ou foi aqui mesmo...Bem, acho que vale a pena contar de novo, mesmo porque não tenho tempo para pesquisar arquivos publicados.
Quando  saí do banco em que eu trabalhava, fiquei um tempinho na fábrica de papelão Tororó e, logo depois, fui trabalhar na Pedreira Valéria, uma empresa do grupo Odebrecht que distava uns quatorze quilômetros de Salvador. Tive, portanto, de arrumar hospedagem. Conseguí numa "república" que ficava no Barbalho. Foi lá que eu conheci vários tipos interessantes, e, dentre esses, um cara chamado Milton, meu companheiro de quarto. Aliás, dividíamos o mesmo beliche eu na parte de cima e dormindo de "valete". Preferia o odor do chulé do que escutar no pé do ouvido o ronco misto com bafo azedo de cachaça.
 Milton, quando usava o desodorante o quarto ficava irrespirável tal o exagero com que ele o aplicava nas axilas. Certa feita falei sobre o exagero e ele justificou:
- Ora, Britão, este desodorante é muito volátil !
Daí pra frente, como eu espalhei pra galera a justificativa, ele passou a ser chamado por todos de MILTON VOLÁTIL !
Uma certa segunda-feira, eu havia retornado da minha cidade, Cachoeira, saltei na Pedreira Valéria pra trabalhar. Não tive sossego, fui e voltei de Salvador umas quatro vezes a fim de atender a demanda dos vários setores que dependiam do setor de compras. Estava, portanto, "boiado", cansadíssimo quando fui pra "república". Batí na cama e dormi. Acordei com um alarido dentro do quarto, era José, carteiro, filho mais velho da dona do pensionato, falando grosso com Milton Volátil:
- Milton, tô aporrinhado contigo! Logo você que é nosso conterrâneo, conhece mamãe e minhas irmãs, é o primeiro a querer esculhambar o pensionato, a desobedecer as ordens da mamãe!
E ele:
- Você tá dano ouvido a fofocas, Zé ?!
- Não é fofoca não! Você sabe muito bem que tem uma norma estabelecida por mamãe que é pra não se trazer estranhos pra aqui, muito menos trazer bebidas.
E Milton rebateu:
- Peraí, Zé, aí tá de mais...
E José retrucou:
- E você não só trouxe um estranho como beberam cerveja aqui no quarto..
- Que calunia !
- Calúnia coisa nenhuma, seu boca de siri ! Você tá cego? Olha as garrafas ali no canto. O pior é que mamãe veio até aqui reclamar com você e quando foi saindo ouviu você dizer "vá-se pra porra"!
E o nosso Milton Volátil sem poder negar às evidências, na maior cara de pau falou:
- Mas, Zé, porra já tá liberada !
E o filho da dona da "república" irritadíssimo berrou:
- Mas não pra mamãe, entendeu? Não pra mamãe!
Galera, eu não conseguí me segurar; soltei uma descontrolada gargalhada.
Para nós, os homens que morávamos na parte alta da casa termos acesso aos banheiros, era necessário passar por um corredor com uma pequena mureta com cobocós (vide charge) e dava pros fundos de algumas residencias que ficavam na outra rua. 
A galera gostava de ficar abaixada por trás dos cobogós bisbilhotando tudo, sobretudo quando se descobriu em uma das casas uma morena que gostava de desfilar de calcinha e peitinhos de fora. Era casada, de quinze em quinze dias o marido aparecia e a turma descobriu que ele era embarcado, ou seja, trabalhava numa plataforma da Petrobras.
Nos quinze dias em que o "inocente" esta embarcado, aportava na casa dele um sujeito gordo, barrigudo, e que segundo foi apurado era médico.
A moça realmente era fogosa e provocante, não se inibia com a presença do médico, sentava no colo dele, corria e ele atrás e a gente assistindo as "preliminares" porque eles iam pro quarto. 
Por vezes se formavam filas para assistir ao espetáculo. Chamei a atenção de todos porque, com o Horário de Verão, seis horas da tarde o sol estava alto, ainda, e de nada adiantava ficar escondido atrás do cobogó. 
Mais uma vez, quando retornei numa segunda-feira, o assunto era o esperado por mim. E alguém me avisou:
- Brito meu véi, você só falta acertar a loteria federal...
Sem vacilo eu deduzi:
- Foi o Milton Volátil!
E ele chegou depois de ansiosamente esperado por mim. Queria saber como é que foi:
- E aí, Volátil, você foi pego no flagra, não foi?
E ele, surpresa:
- Já te passaram o "bisun"?  Eu estava numa nice e o tal do médico veio até o pátio da casa esculhambando comigo: "Você não tem vergonha na cara, vagabundo, bisbilhotando a casa dos outros, sabe que você pode responder por crime de invasão de privacidade?"
E eu fiquei ansioso pelo desfecho:
- E aí, Volátil, como é que você se saiu?!
E ele:
- Não tinha outro jeito, Britão; me levantei e falei grosso também pra ele: Descarado é você que aproveita a ausência do corno manso e fica na putaria com essa corneteira vagabunda. Quer tirar onde pra cima de mim? Vá e tome as providências que você quiser médico safado pois eu vou jogar merda no ventilador e vou acabar com a sua vida e a dessa cachorra!
Ih, rapaz ! Depois disso eu não tive mais notícias porque tive de deixar a "república" para trabalhar nas obras de Pedra do Cavalo. O mais provável é que o tal do médico tivesse botado  o galho dentro. Não se sabe se o dele ou o do "sócio".




 
Na foto acima vemos o antigo "Largo dos Amores" depois Monsenhor Tapiranga,e, no presente,se não estou enganado,Maria Quitéria.
O sobradão eu alcancei como sendo a" Pensão de dona Lulu", adquirido, depois, pelo casal  Noêmia e Antônio Linhares de saudosas memórias.
Bem ao fundo, à direita,  a casa onde morava o professor Salvador Passos, (um incansável batalhador para que a Cachoeira tivesse curso superior ),e é  a atual agência da Caixa Econômica Federal.
Esta coluna serve para que tenhamos uma idéia da involução arquitetônica que a "Cidade Monumento Nacional" vem sofrendo ao longo dos anos.
OPINIÃO
ÁGUA NÃO É PROBLEMA. POR ENQUANTO.
A rapaziada da minha época festejava a chegada do período das enchentes do rio Paraguaçu. Tudo era festa para nós porque não tínhamos consciência das consequências sociais e econômica do fenômeno.
A Cachoeira foi batizada pelos primitivos colonizadores por causa dos enormes recursos hídricos que verificamos com o passar dos tempos que precisam serem melhores cuidados senão desaparecerão para sempre.Não temos hoje a cachoeira chamada Japonês, o banheiro do Caquende, as quedas de àgua do Tororó...
 Quando eu era editor e redator-chefe do jornal cachoeirano A ORDEM, incrementamos o movimento intitulado "Um abraço no rio Paraguaçu" A solenidade foi prestigiada pelas populações da Cachoeira e São Félix, contou, também, com o apôio dos prefeitos Geraldo Simões (Cachoeira), Eduardo Macêdo (S.Félix), e, sobretudo, da jornalista amiga Alzira Costa, que pertencia à editoria de "A Tarde Municípios" na região.
Passada a festa, galera, entulhos continuaram a serem jogados no leito do rio, e até os garis da prefeitura faziam a varrição e atiravam o lixo no leito do rio! Toda a campanha, tudo o que se escreveu e se falou, entrou por um ouvido e saiu pelo outro, conforme adágio popular.
No distante 18 de junho de 1970, numa iniciativa do então deputado Raimundo Rocja Pires - Pirinho -, o engenheiro civil Jayme Furtado Simas esteve palestrando na Assembleia Legislativa do estado sobre o aproveitamento integrado do vale do rio Paraguaçu. 
No decorrer da palestra, dentre outras coisas, o doutor Jayme disse o seguinte:
"O que já se fez no vale do rio Paraguaçu para torná-lo de vale da pobreza, solos erodidos e em fase de erosão; florestas sendo destruídas, rios entulhados, água correndo sem proveito para o mar; povo emigrando e cada vez mais pobre; em vale, cujo rio seja plenamente usado; as cheias controladas, o rio transportando a baixo custo; energia elétrica abundante; o solo abundante e racionalmente usado; cidades em desenvolvimento; indústria surgindo e o progresso inundando a região".
Construída a barragem de Pedra do Cavalo, será que os benefícios elencados pelo engenheiro Simas se concretizaram?
O rio Paraguaçu talvez seja o rio brasileiro mais observado e estudado, remontando aos idos de 1907, quando o engenheiro sanfelixta Américo Furtado de Simas elaborou um audacioso projeto de aproveitamento e controle das enchentes periódicas.
São Félix e Cachoeira não foram atingidas pela falta dágua. Pelo menos por enquanto. Devemos por as barbas de molho, cuidar melhor do nosso rio, sobretudo com os exemplos que  nos chegam da região sudeste, sobretudo São Paulo, tudo causado pelo desmatamento, poluição de rios e falta de chuva.
Quando o mestre Paulinho da Viola cantou "Eu não sou água/Pra me tratares assim/Só na hora da sede/É que procuras por mim", estava obviamente falando de um romance desfeito, no entando, retrata fielmente o descaso que grande parte do povo brasileiro trata o precioso líquido.
Como diria o saudoso Cassemiro, pai de cabo Alfredo: "Abram o olho!!"