sexta-feira, 7 de novembro de 2014

FINADOS  
No Dia de Finados, como sempre o Rio inova na programação antes adstrita apenas à celebração de missas celebradas no decorrer do dia, venda de velas e flores pela hora da morte, literalmente.
Este ano, artistas caraterizados de Chacrinha, Carmen Miranda, Tom Jobim e Santos Dumont deram vida aos personagens mais ilustres encantando cerca de 120 mil pessoas que passaram pelo São João Batista, em Botafogo. 
Eu achei válida a novidade e que será melhorada e incrementada porque o brasileiro é criativo e engenhoso, não precisa copiar dos americanos coisas como o tal de Halloween, concordam?
Na minha terra natal, Cachoeira, na Bahia, a direção da Santa Casa manda caiar os muros do cemitério, arruma as carneiras, podam-se os pés de ficus etc. porquê aparecem na ocasião muitos que adoram fazer turismo macabro. Assim, muitos mausoléus têm o mármore lavado e escovado para não parecer que a família abandonou o morto o ano todo.
Foi num dia de finados, há 56 anos passados, mais precisamente no dia 3 de novembro de 1958 que aconteceu um fato inusitado. O padre da paróquia, o Monsenhor Fernando de Almeida Carneiro (foto) estava em oposição ao deputado Dr.Augusto Públio, tendo, inclusive, o seu nome barrado para ser Provedor da Santa Casa de Misericórdia local.
O episódio tomou contornos políticos, o padre Fernando passou a apoiar a candidatura de Julião em oposição a Anarolino, irmão do deputado.
O semanário A Cachoeira, cujo secretário era o professor Pita e o redator Felisberto Gomes (Briô),  e era de propriedade do grupo político do deputado, começou a bater forte no vigário chamando-o de "Satanás de batina"!
Então, galera, naquele dia 3 de novembro de 1958, quando o padre se dirigiu ao cemitério da Piedade acompanhado de dezenas de fiéis afim de celebrar a missa na capela, o portão estava fechado! 
O padre Fernando retornou à Matriz cuspindo marimbondo de fogo, e, invocando o Código de Direito Canônico, no canon n° 23.342, título XIII, aplicou a pena de excumunhão ao empresário e pecuarista Osvaldo Cortes de Oliveira (assinalado na foto) mais conhecido como Mamá e no comerciante Aderbal Gomes que era membro da Mesa da referida instituição e coincidentemente irmão do jornalista Briô.  
Com o passar dos anos as coisas se normalizaram mas o fato continua inusitado nos anais da história cachoeirana.





 


 

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