sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Na vizinhança do sobrado onde passei a minha infância, um cheiro agridoce muito forte dominava o ar. Vinha das fábricas de charutos próximas.
Das terras férteis de toda a região chegavam à Cachoeira, São Félix e Maragojipe, onde estavam instaladas as grandes indústrias, as folhas do excelente tabaco as mantinha a pleno vapor. A economia estava em plena expansão. Sou, portanto, de uma geração que jamais imaginou que o Recôncavo baiano sem charutos e cigarrilhas.
Quando o cinema de Hollywood botou os jovens do mundo todo a fumar cigarros da Souza Cruz, alguns gostavam dos cigarros mentolados, outros de filtro de cortiça mas, não fumavam charutos, reservados apenas para pessoas da elite e eram proibidos de serem fumados em alguns locais.
Havia o costume de oferecerem charutos quando do nascimento de um filho homem. Há!, ia esquecendo; mulheres não fumavam charutos pois o consideravam fedorentos. As putas fumavam cigarros em casa, na rua nem pensar. 
Antes, muito antes do Che Guevara e do ex-presidente Clinton (que fez uso inusitado de um charuto como apetrecho sexual), a gente tinha conhecimento que alguns personagens famosos gostavam de charutos, Groucho Marx, Freud e Churchill, por exemplo.
 Depois da Segunda Guerra Mundial, houve uma queda acentuada do consumo e venda do produto e as fábricas foram-se fechando, as cidades que tinham a sua economia voltada ao tabaco ficaram em estado de penúria.
Juscelino Kubitschek (foto do comício, abaixo),  era candidato à presidência da República e prometeu que viria reabrir as fábricas de Maragojipe. São Félix e Cachoeira. 
Luiz Gonzaga (Correio de São Félix) e Felisberto Gomes (A Cachoeira) fizeram dezenas de artigos cobrando a promessa, Juscelino havia sido eleito mas era uma promessa impossível de ser cumprida por causa da lei do marcado. 
Resumindo: nos últimos cinquenta anos, a queda da venda de charutos foi tão acentuada que daqui a uns vinte anos ele  desaparecerá do nosso país.  Continuamos vendendo a  folha do tabaco que representa 1,35%  das exportações do país, afinal muitos não abandonaram o vício das baforadas em cachimbos.
Confesso que eu mesmo fui um tabagista inveterado. Deixei de ser dominado pelo cigarro no ano em que nasceu Ana Laura, filha do meu primeiro casamento. Quem tiver a curiosidade de saber quantos anos já se passaram é só perguntar pra ela quantos anos ela tem. rsrsrs. Fumei, também, cigarrilhas que me eram ofertadas pelos saudosos amigos Francelino Cabral - França -  e uma funcionária chamada Pia. A fábrica LEITALVES estava a pleno vapor exportando para vários países.
Aviso aos Navegantes: embora no meio artístico já tivesse a maconha, o careta aqui nunca experimentou.Graças a Deus1
Embora contrário a todo e qualquer vício, repito, inclusive das drogas permitidas como cigarros e bebidas, não posso deixar de analisar que, em se tratando de negócios, os americanos estão a anos luz da gente, e, não é a tôa que alguns estados por lá já liberaram o consumo chamado "recreativo"  da maconha.
Quanto as propriedades médicas da maconha,  - ao contrário da folha do tabaco -, em breve a ciência dará o seu veredicto mas, os resultados farmacológicos parecem altamente promissores. Em assim sendo, a inlegalidade do cultivo da maconha dará lugar a um agronegócio altamente rentável, como o foi o tabaco anos passados. Quem viver, verá.

 
 


 

 

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