sexta-feira, 14 de novembro de 2014

OPINIÃO
ÁGUA NÃO É PROBLEMA. POR ENQUANTO.
A rapaziada da minha época festejava a chegada do período das enchentes do rio Paraguaçu. Tudo era festa para nós porque não tínhamos consciência das consequências sociais e econômica do fenômeno.
A Cachoeira foi batizada pelos primitivos colonizadores por causa dos enormes recursos hídricos que verificamos com o passar dos tempos que precisam serem melhores cuidados senão desaparecerão para sempre.Não temos hoje a cachoeira chamada Japonês, o banheiro do Caquende, as quedas de àgua do Tororó...
 Quando eu era editor e redator-chefe do jornal cachoeirano A ORDEM, incrementamos o movimento intitulado "Um abraço no rio Paraguaçu" A solenidade foi prestigiada pelas populações da Cachoeira e São Félix, contou, também, com o apôio dos prefeitos Geraldo Simões (Cachoeira), Eduardo Macêdo (S.Félix), e, sobretudo, da jornalista amiga Alzira Costa, que pertencia à editoria de "A Tarde Municípios" na região.
Passada a festa, galera, entulhos continuaram a serem jogados no leito do rio, e até os garis da prefeitura faziam a varrição e atiravam o lixo no leito do rio! Toda a campanha, tudo o que se escreveu e se falou, entrou por um ouvido e saiu pelo outro, conforme adágio popular.
No distante 18 de junho de 1970, numa iniciativa do então deputado Raimundo Rocja Pires - Pirinho -, o engenheiro civil Jayme Furtado Simas esteve palestrando na Assembleia Legislativa do estado sobre o aproveitamento integrado do vale do rio Paraguaçu. 
No decorrer da palestra, dentre outras coisas, o doutor Jayme disse o seguinte:
"O que já se fez no vale do rio Paraguaçu para torná-lo de vale da pobreza, solos erodidos e em fase de erosão; florestas sendo destruídas, rios entulhados, água correndo sem proveito para o mar; povo emigrando e cada vez mais pobre; em vale, cujo rio seja plenamente usado; as cheias controladas, o rio transportando a baixo custo; energia elétrica abundante; o solo abundante e racionalmente usado; cidades em desenvolvimento; indústria surgindo e o progresso inundando a região".
Construída a barragem de Pedra do Cavalo, será que os benefícios elencados pelo engenheiro Simas se concretizaram?
O rio Paraguaçu talvez seja o rio brasileiro mais observado e estudado, remontando aos idos de 1907, quando o engenheiro sanfelixta Américo Furtado de Simas elaborou um audacioso projeto de aproveitamento e controle das enchentes periódicas.
São Félix e Cachoeira não foram atingidas pela falta dágua. Pelo menos por enquanto. Devemos por as barbas de molho, cuidar melhor do nosso rio, sobretudo com os exemplos que  nos chegam da região sudeste, sobretudo São Paulo, tudo causado pelo desmatamento, poluição de rios e falta de chuva.
Quando o mestre Paulinho da Viola cantou "Eu não sou água/Pra me tratares assim/Só na hora da sede/É que procuras por mim", estava obviamente falando de um romance desfeito, no entando, retrata fielmente o descaso que grande parte do povo brasileiro trata o precioso líquido.
Como diria o saudoso Cassemiro, pai de cabo Alfredo: "Abram o olho!!"



 

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