sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Eram sete horas da manhã do dia 12 de maio de 1933 quando os cachoeiranos e sanfelixtas puderam presenciar um espetáculo aéreo até então inédito: a grande aeronave alemã, o Graf Zeppelin, em viagem de retorno para a cidade alemã de Friedrichahafen circulou por essas plagas.
Acredito que já abordei o assunto porém, vou ceder o espaço para uma testemunha ocular, o memorialista cachoeirano Francisco José de Mello, meu saudoso amigo Chiquinho, que em seu livro "Crônica Memoriais" que,embora cometendo um equívoco quanto mês, dá o seu testemunho da seguinte forma:
Estávamos no mês de junho de 1937, mês de céu coberto, de meia-penumbra, em nossa cidade.
Inesperadamente, ouviu-se um ronco ensurdecedor,que se aproximava da cidade, e atônitos, seus moradores eram surpreendidos vendo sobrevoando a velha cidade de Cachoeira, o gigantesco aparelho, um dirigível alemão denominado Graf Zeppelin que já havia vindo ao Brasil em 1930, ficando, porém, em Santa Catarina, na cidade de Florianópolis, aonde um grupo de alemães ali radicados, com o apoio do governo catarinense, construiu um hangar especial, de elevado custo, somente para o pouso do gigantesco aparelho. De lá, ele retornaria para a Alemanha.
O Graf Zeppelin, não tinha no Brasil outros hangares para o pouso.
Somente em 1933, ele voltaria ao Brasil, desta vez para sobrevoar a região nordeste, sendo sua passagem por nossa cidade, casual, só possível em razão do roteiro que o levaria a Recife.
A cidade inteira ficou alvoroçada diante daquele gigante a sobrevoar seu espaço aéreo.
Homens, mulheres, crianças, e até doentes, saíram de suas casas, de seu ambiente de trabalho, para ver o dirigível alemão. Seu tamanho permitia que fosse visto em todas as ruas da cidade, de ponta a ponta.
Esse extraordinário dirigível, ao sobrevoar nossa cidade, fez escurecer as ruas paralelas, Ana Nery e 13 de Maio, em razão das suas extraordinárias dimensões, que eram 235 metros de comprimento e 30 metros de diâmetro. Seu comprimento fez com que a rua Ana Nery, em toda a extensão, ficasse escura.
Olhávamos fascinados aquele bojudo gigante de 58 toneladas, obra magistral da engenharia alemã.
Sua manutenção no espaço era feita com um combustível de elevado custo. Era o Hélio.
Durante toda semana, em todos os lugares, só se ouvia os comentários, e a pergunta:
- Você viu o Zeppelin?
 

 

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