segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Memória
NO TEMPO DOS ALMANAQUES   
HOUVE um tempo meninos e meninas, que todos os finais de ano a Farmácia Régis distribuía aos almanaques de Bristol e Capivarol. A minha tia Odete Loureiro Brito, - tia Ném-, trabalhava na referida farmácia - que se escrevia "pharmácia" -, não se esquecia de guardar pra mim e eu adorava ler.
O que traziam tais publicações? As datas das fases da lua, previsão de eclipses, as festas religiosas móveis, conselhos agrícolas, as marés, anedotas, charadas, as invenções, as curiosidades...era realmente uma fonte preciosa para os meninos da minha época, antes dos modernos sites de buscas. Hoje basta uma "googlada" e pronto!
Eu guardei não sei por quanto tempo as estampas Eucalol e os Almanaques Capivarol. Não tenho idéia onde foram parar devido as mudanças de domicílio que tive de fazer.
O único almanaque que me resta, com a preciosa dedicatória do poeta maragojipano Osvaldo Sá, datada de 27 de setembro de 1998 é uma edição facsimilada do Almanach anno de 1845 - Bahia" (foto).
Dentre as curiosidades da referida publicação, encontramos na secção "Correio Geral da Bahia" a partida dos correios do interior da Província e a forma das suas relações.
"Cidade da Cachoeira
Recebe a correspondência da Capital pelos Vapores e expede para a Feira e Maragogipe, todas as segundas-feiras por Estafetas, e também para o Rio de Contas no 1° e 15 de cada mez. 
Villa de Feira de S. Anna 
Recebe a correspondência conduzida por Estafetas da Cachoeira, e expede por outros para a Jacobina no 1° a 15 de cada mez.
Villa de Maragogipe
Recebe a correspondência conduzida pelos Estafetas da Cachoeira, e da capital pelos barcos da carreira, e expede do mesmo modo para a Cachoeira e Capital".
Como vocês perceberam eu obedeci a grafia da época.
Na publicação que contém mais de 450 páginas, o saudoso poeta anotou às páginas 219, entre os proprietários de lojas de louças e vidros da capital, situada na Rua das Louças n°28 o comerciante Francisco Gonçalves Meirelles:
"Meu bisavô, linha materna".
Certa feita, numa roda de antigos cachoeiranos, alguém teceu elogios ao esportista Evangivaldo que demonstrava ter uma cultura acima da média. Osvaldo Caruru não concordou dizendo:
- Quem! "Evangivardo"?  A "curtura" dele é de "armanaque!"

 

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