segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O meu saudoso irmão, Roque, funcionário da Caixs Econômica Federal, lotado em Brasília, qualquer oportunidade que tinha, sobretudo em junho para tocar na banda marcial do Colégio Estadual, ele aparecia na Cachoeira, até que, - sabe-se lá como conseguiu -, permutou com um colega e foi transferido para Ca...Camamu !  Não era o ideal, claro, mas era bem mais perto. rsrsrs
E ele tanto insistiu que eu e a minha saudosa Luiza resolvemos passar um final de semana em Camamu.
Era uma sexta-feira por volta das 10 horas quando fomos esperar o tal ônibus no mercado municipal. Tomei um mingau de milho verde que Madá vendia acompanhado de uma lambada de requeijão a fim de forrar a barriga, a viagem era longa.
Ficamos na porta do bar de Agnaldo quando passou César Ostênio, filho de Pedro Celeaclá e nos cumprimentou:
- Vai viajar, filho de Jessé?
Diante da minha afirmativa e a localidade ele falou:
- Ih! Se preparem para o atraso.
Sentenciou com conhecimento de causa. A previsão de Agnaldo era que o ônibus chegasse "umas dez e pouco". Faltavam dez para o meio-dia quando o ônibus chegou e logo saiu,não demorou,eram poucos os passageiros. O diabo é que ele parou em S.Félix (Carlão gostava de papo), Muritiba, Governador Mangabeira, Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus...Uma verdadeira maratona que os baianos chamavam de "operação cata corno!"
Temos,cada um de nós, um lado brincalhão e nessas horas eu gosto de exercitar ao invés de ficar amuado,puto da vida. Comecei a prestar a atenção ao que pudesse acontecer de interessante, de bem humorado. E não demorou. Anotei a conversa entre o motorista e o cobrador. O motorista falou:
- Vão pagar,amanhã,uma mixaria.
- Vão, é ?!
Vão. o pior é que a negada tá dura e vai receber...Se todo mundo fosse igual a mim, mandava fazer uma rolha.
- E se a empresa chegar na Justiça e metê um abe copo?
- É...não pensei nisso...Aí lenha tudo!
E a viagem prosseguia com o ônibus lotado. Desciam passageiros mas subiam mais carregados de bagagem. Fiquei a imaginar que o ônibus se transformou numa Arca de Noé.
De repente começou a chuviscar e o motorista - sempre ele -, deu uma de gaiato:
- Com esta chuvinha, a noite promete pra quem tem alguma costela dormindo ao lado.
Uma voz lá do fundo do ônibus  concluiu:
- Então durma com o cobrador!
Eu atribuí a um magricela com voz efeminada e jeito de viado que falou. Ele vinha ouvindo um radinho de pilha e cantarolando alto, fazendo de tudo para ser notado, para aparecer,uma das características existente no DNA da espécie.
De repente, não mais do que de repente, uma senhora grávida começou a reclamar de um sujeito de chapelão segundo ela se aproveitando da lotação pra "fazer terra".
E ela reclamou:
- O senhor está me incomodando...chega pra lá,por favor, o fundo do carro está vazio...Por favor!
Estão pensando que o sujeito saiu de mansinho? O grosseirão virou-se para a senhora e falou grosso:
- Sapato, caixão e vela pra você seu bagulho. Tá tirando uma de gostosa? Você já é um bagulho e prenha então...
O jornalista e frasista famoso que se assinava Barão de Itararé escreveu que "de onde menos se espera é daí que não sai nada mesmo!" Porém, galera,aconteceu o contrário; uma voz máscula se ouviu em defesa da indefesa senhora:
-  Eu,hein!
Exatamente quem você estão pensando: o gay !  E ele falou com autoridade:
- Você não tem vergonha na cara, sujeito? Não tem irmã, mãe,mulher? Uma senhora desacompanhada, grávida e você abusando, se aproveitando pra roçar?
E sob aplausos de quase todos os passageiros deu o seu veredicto:
- Motorista, para o carro no acostamento pra esse cara descer!
Dito e feito. Depois, o motorista tentando justificar a sua omissão:
- Eu já tinha apanhado a chave de roda e ia dar uma cacetada nos cornos daquele vagabundo pra ele nunca mais esquecer e deixar de putaria.

 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário