sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Pois é, galera; até ganharem a forma escrita, os "causos" foram passados de boca em boca, por vezes ferindo ouvidos sensíveis às palavras tidas  como chulas mas, se transformaram no que hoje consagramos no anedotário brasileiro.
No meu tempo de criança o grosso da sociedade era machista, ao homem tudo permitido era, contando, inclusive, com a adesão ou omissão ou permissividade das do "sexo frágil", as mulheres, naturalmente.
Dizia-se que, "homem é aquele que toma chifre". A mulher "toma chapéu" ou "virote", ou seja, não existia "corna".
As mulheres  casadas tinham também as suas fantasias sexuais mas, seus maridos "as preservavam" praticando as deles com suas concubinas, com as domésticas, e, sobretudo, com as de "vida fácil"
Existia uma senhora casada - dentre muitas outras -, que ensejava por uma fantasia sexual. Um amigo do seu marido, íntimo da casa, dava pistas de que estava a fim de concretizar o velho sonho. Então, durante uma comemoração de fim de ano na residência dela, aconteceu um lance de tremenda ousadia que a deixou excitadíssima, "molhadinha".
Foi assim, a lâmpada apagou, a vista escureceu, um beijo então se deu e veio a ânsia louca incontida do amor, como dizia o velho samba-canção. O triângulo amoroso esta se consolidando naquele fortuito momento.
Ela passou a frequentar o estabelecimento comercial do seu amante, sobretudo quando os empregados iam embora. Não demorou toda a cidade passou a comentar o fato. E o marido dela? A cidade inteira, sobretudo as mulheres saudavam o novo corno da praça. E ele, parafraseando um bolero mexicano dizia: "Que murmurem, pouco importa que murmurem!"  Confiava na sua patroa.
Naqueles dias da minha infância, no Nordeste, podia-se até brincar com um amigo chamando-o carinhosamente de "vem cá meu corno!" A maior ofensa era dizer que ia passar a mão na bunda da mulher dele. Hoje, naturalmente,a maior vergonha deve ser separar-se da esposa e depois constatar que ela está vivendo com outra mulher o que juridicamente chamamos de união estável!
A nossa personagem deste "causo" será preservada, pois se eu era criança, ela se já não morreu é uma provecta senhora mas, na ocasião estava "com tudo em riba". Era loura...Aliás diziam as más línguas que tinha o pentelho preto, ou seja, era loura oxigenada, loura "apurço"!
Certo dia de sábado, quando todos os empregados saíram ela passou toda perfumada, deu uma olhadinha prum lado e pro outro e vupt!  Mais rápida do que imediatamente adentrou no seu ninho de amor.
Mal sabia ela que a molecada exercia uma marcação implacável. 
As portas do estabelecimento se fecharam e eles continuaram lá dentro fazendo lá o quê. Passavam, já, das oito da noite, a loura não tinha outra alternativa, "estava pela bola sete".  De repente abriu-se meia banda de uma porta e ela saiu sob vaias e assobios da molecada sobretudo quando ela tentou se justificar:
- Gente maldosa, não se pode mais brincar um dominó!!!
 
 

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