sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

HISTÓRIA
O atentado da França e a Revolta dos Malês na Bahia.  
A Bíblia nos conta que Sara desejava muito poder dar um filho ao seu esposo,Abraão. Ela, porém, era considerada estéril, além de ter uma certa idade. Sara, então, ordenou que a sua escrava Hagar, de origem egípcia coabitasse com seu marido. Coabitar é um termo muito antigo, significa que um homem e uma mulher fizeram sexo. 
Aconteceu que Hagar engravidou e o relacionamento das duas acabou azedando, sobretudo quando nasceu Ismael (de onde se originou o povo árabe). Sara então acabou engravidando e nasceu Isaque (tronco da família hebraica) 
Embora filhos do mesmo pai, os irmãos se separaram para sempre e até hoje vivem em conflito.
Durante toda a semana, a imprensa internacional se ocupou de falar do ataque do Islã radical ligado à al-Qaeda do Iêmen ao jornal francês Charlie Hebdo.
Devemos nos ater que a generalização aliada ao preconceito racial é coisa intolerável, também, afinal, todos os muçulmanos não são terroristas.
Quando se fala em regime servil que existiu no Brasil, a nossa Bahia exerce papel preponderante, sobretudo quanto aos Nagôs e Jêjes.
O professor Luiz Cláudio Dias do Nascimento,(foto) em sua recente obra intitulada Bitedô - Onde moram os Nagôs, nos ensina que, "o número de cativos malês na Bahia não superou o de escravos não islamizados", e que, "Oxalá era um Orixá ligado a eles".
Ainda segundo Cacau, de acordo com depoimento da famosa ialorixá cachoeirana Giaku Luísa, "os malês realizavam os ritos de candomblé sem toques de instrumentos percussivos e os cânticos eram acompanhados por palmas".
Os imalês não faziam festas abertas para não iniciados. "Imalês" significa muçulmanos na língua iorubá que foi cantada pelo Os Tincoãs.
Portanto, os escravos afro-muçulmanos na Bahia distinguiam-se dos demais não apenas no aspecto religioso, eles dominavam a leitura e a escrita árabe.
Assim, há 180 anos volvidos, mais precisamente no dia 25 de janeiro de 1835, fim do mês sagrado do Ramadã, após reuniões de planejamento, eles promoveram a chamada Revolta dos Malês, cujo objetivo não era apenas a libertação dos escravos, e, sim, tomar o poder, implantar na Bahia uma nação malê sob o controle dos muçulmanos.
O movimento teve a participação de 600 revoltosos e não apenas muçulmanos (foto)
Revendo as Efemérides Cachoeiranas de Aristides Milton, não encontramos nada a cerca de grupos ou de participação de cachoeiranos escravos envolvidos no conflito baiano visto que, aconteceram vários movimentos nos engenhos de açúcar do recôncavo, notadamente nas terras do São Francisco e no Iguape cujos estragos e vitimas foram mais expressivo. 
A Revolta dos Malês produziu um volume muito grande de documentos.Além dos jornais brasileiros da época, até a imprensa estrangeira noticiou. não sendo raro encontrarmos teses de historiografia superdimensionando o fato. Em sendo, no entanto, um acontecimento inusitado no Brasil um movimento pretensioso de implantar-se no país uma nação malê da religião muçulmana, acredito que é um tema que daria uma bela monografia pós-doutorado.


 



 

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