sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

VOCÊ ACREDITA?
Casas e sobrados mal-assombrados
Quando eu era menino, durante a noite, quando menos se esperava acontecia um black out, um apagão no fornecimento de energia elétrica que todo mundo dizia:
- Deu prego de luz!
 Naquele exato momento da luz mortiça de um cotoco de vela acesa, um candeeiro ou um fifó que os velhos gostavam de contar casos de "visagem".
As histórias fantásticas eram inumeráveis; gente da família que ouvia vozes, vizinhos que ouviam passadas, ranger de portas, pedradas no telhado e até de uma pessoa que "viu" a mãe que morava em São Paulo sorrindo pra ele,e,no mesmo dia, recebeu um telegrama que ela havia falecido, um médico que havia partido para o Além, fez alguns atendimentos e chegou a fazer uma cirurgia no hospital da Santa Casa.
Afirmavam os antigos que, muitas casas e sobrados da Cachoeira eram habitados por "almas do outro mundo".

Julião Gomes dos Santos, que foi prefeito da Cachoeira no ano de 1959/62 e num segundo mandato de 1967/70, contava pra quem quisesse ouvir na fábrica de licores de Roque Pinto que  na Rua da Feira, existia uma casa onde se encontrava uma santa cruz que, quando ele esquecia e passava pelo passeio levava o maior empurrão.
Um guarda noturno contava assustado na tenda de alfaiate de Leopoldo que da referida casa ele havia visto saindo correndo um "vulto branco"
Contam também que, naquela "casa da santa cruz" um guarda-fios dos Correios chamado Heráclio que ali mantinha uma biboca, travou uma luta com uma visagem ao escavar uma cisterna e ter encontrado vários potes contendo moedas de níquel e prata.
Heráclio comprou uma Chácara no Curiachito (atualmente, se não estou enganado pertence a família Calmon) e se mandou do local. 
A casa foi ocupada, depois, por um velho bizarro chamado Durval Paraíso que consertava sombrinhas e guarda-chuvas. Foi demolida e em seu lugar construída uma escola, pouco acima da igreja protestante.
Certa noite que longe vai, eu e Heraldo ficamos apreensivos esperando Dadinho chegar para a gente iniciar o ensaio. Ele havia saído com a sua Rural para apanhar passageiros vindos de Salvador no ônibus da Empresa Odália. Ele estava demorando mais do que o costume. Quando finalmente chegou, justificou que foi levar um "tabaréu" pras bandas de Pau Ferro, zona rural de Muritiba.Falou que,o cara tinha apenas uma mala e dezenas de galões de tintas pesados pra caramba e ele chiou:
- Magnata, tá carregando tinta ou chumbo?
O camarada prometeu que durante a viagem ele contaria. Prometeu e cumpriu. Ele foi trabalhar pras bandas de Mataripe e não conseguia dormir com uma visagem que aparecia todas as noites. Então, para acabar com o sofrimento,ele tomou coragem e outras cachaças e encarou o espírito:
- Você quer me deixar em paz?
E a alma penada falou:
- Eu enterrei alguns vasilhames de barro com dinheiro e não estou tendo sossego. Já tentei me comunicar com outros colegas seus mas ninguém me atendeu.
O cara então foi ao local indicado e desenterrou de fato vários vasilhames de barro colocando as moedas naquelas galões de tinta vazios.
E Dadinho mostrou algumas moedas que o cara deu a ele. Tempos depois, ele mesmo atirou porta a fora do seu bar alegando que estava dando urucubaca pra ele!
Outro caso que circulou na cidade teve como protagonista o eterno Zuza, o decano (foi até homenageado) dos participantes da tradicional Corrida da Fogueira.
Contam que ele gostava de ficar dedilhando o seu violão na porta central da igreja do Rosarinho. Então, numa noite de lua cheia, ele sentiu uma espécie de calafrio no cangote enquanto ouvia uma voz rouca falar com autoridade:
- Você não respeita a última morada de quem tanto sofreu na vida?
Em São Félix, na casa que pertenceu ao advogado Luiz Rebouças surgiu um boato que nasceu um cachorro "com cara de gente"! Foto abaixo à esquerda no auge e à direita a ruína de quando o fato aconteceu.
A notícia do fenômeno começou a atrair uma enorme concorrência de muita gente de fora da cidade. Formavam-se filas frente à casa, uma verdadeira romaria. Comentários maldosos garantiam que um médico e o padre da Paróquia se interessavam na investigação do fato misterioso, porquanto atribuíam a um homem de rua ter feito saliência com uma cadela que o acompanhava no infortúnio.
Eu fiz parte dos curiosos e cheguei à seguinte conclusão: era um cachorro da raça pug,(foto acima)  originário da China e pouco conhecido na ocasião até no Brasil. Como é que foi parar alí é que foi o mistério. 








 

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