sábado, 21 de fevereiro de 2015

Crônica
Lixo não é luxo 
Num dia 25 de Junho que longe vai, desci com a minha saudosa esposa e com meu filho caçula Tinho Brito, da nossa residência na Vila Residencial de Muritiba, onde morávamos, a fim de passar o dia na casa da minha mãe. Logo cedinho ao chegar, fui cumprimentado por uma das filhas da dona Filhinha que trabalhava na Limpeza Pública. Não demorou apareceu a caçamba da prefeitura para recolher toda a sujeira.
Galera, em menos de cinco minutinhos, apareceu uma senhora do outro lado da calçada e, da porta da casa...vupt!  Atirou a sacola plástica contendo vísceras de galinha mas não conseguiu acertar a pontaria, bateu no tonel e se esparramou pelo chão.
A sorte, cara, é que surgiu descendo da ladeira do Cucuí de Brito um mal-humorado porco, um bicho enorme parecendo mais um javali e realizou ali mesmo a sua primeira refeição diária. 
O auxiliar da caçamba reclamou:
- Carácolis! A gente acaba d limpar e a senhora meteu bronca...assim não dá...
Sabem o que a ilustrada senhora respondeu?
- Tá chiando de quê? Você ganha pra isso, neguinho.
 Cansei de ver gente, - e até autoridades -, jogando casca de banana, carteiras de cigarro vazias, caixa de papelão, garrafas, plásticos, e até um garoto fazendo cocô na calçada do mercado sob o olhar complacente de uma pessoa adulta.
A Lagoa Encantada fez jus ao nome, desapareceu, o Rio Paraguaçu, coitado, recebe, além do esgoto sanitário das duas cidades é deposito de pneus, colchões, sofás, pinico, geladeira, fogões e o que você penar. Como eu era editor e redator chefe do jornal A ORDEM que circulou na cidade da Cachoeira, fiz uma campanha intitulada "parqa salvar o Rio Paraguaçu" contando com a adesão dos dois prefeitos, câmaras de vereadores, apoio de A Tarde...Adiantou alguma coisa?
A patota gosta dos embalos da Ajuda, da seleção oito vezes campeã, de uma cachacinha, de uma feijoada completa, de moqueca de petitinga, de sarapatel, de maniçoba... Podeira acrescentar que também gosta de porcaria? Eu falo de Limpeza Pública porque os meus conterrâneos cuidam bem das suas casas por mais humildes que essas sejam, cuidam da aparência pessoal, tomam banhos todos os dias, usam desodorantes e shampoos, por que, então, fazer da Cidade Heroica e Monumento Nacional uma das mais sujas do Brasil?


 

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