sexta-feira, 27 de março de 2015

MEMÓRIA
A enchente de março de 1960 
Nós, os cachoeiranos e sanfelixtas maiores de trinta anos, nos acostumamos a assistir a cada ano os efeitos das chamadas marés de "malço", de sorte que,devido as chuvas constantes, verdadeiros temporais que caíam em regiões ligadas aos pequenos rios e riachos tributários do Paraguaçu, não raro as águas beiravam o cais. E foi assim que no dia 6 de fevereiro de 1960, as águas do rio avançaram além dos limites e invadiram as duas cidades.
Na vizinha cidade, conforme noticiou o semanário "Correio de São Félix", as águas atingiram a Avenida Salvador Pinto, praça Inácio Tosta, ruas Juarez Távora e Castro Alves, travessa Muritibinha e transversais,causando prejuízos ao comércio cujos depósitos de mercadorias estavam situados em áreas atingidas.
No início de março do mesmo ano, quando cachoeiranos e sanfelixtas desolados, contabilizavam os enormes prejuízos e ruínas, na sexta-feira, dia 4, até a terça, dia 8, o Paraguaçu continuava o seu progressivo avanço. Os antigos afirmavam que aquela enchente aparentava superar as de 1911 e 1914. Acabou sendo.



Quinze dias depois, as água do Paraguaçu continuavam ameaçando as duas cidades, ninguém fazia previsão de quando voltariam à normalidade.



 Em São Félix, centenas de casas no Dendê (inclusive a sede o clube Floresta), Varre estrada, Salva-Vida e Cento e Trinta e Cinco foram totalmente destruídas.

Na Cachoeira, escombros e lama nas principais ruas da cidade que não apresentava qualquer sintoma de um breve retorno à normalidade, o tráfego ferroviário e rodoviário entre as duas cidades interrompido devido ao estado da ponte D.Pedro II conforme pode ser visto na foto acima.
Na foto acima, nos escombros deixados na Rua Rui Barbosa, o fotógrafo Djalma São Bernardo, ele que é o maior repórter fotográfico da cidade, se deixa fotografar diante do caos.
Na foto abaixo o padre da Paróquia, Monsenhor Carneiro, na sacristia da Igreja Matriz de N.S. do Rosário, onde estão as marcas das duas grandes enchentes: 1960 e 1964.
 Em 15 de maio, a Assembléia Legislativa do Estado, após haver sido instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito, oficiou ao então presidente Juscelino Kubitschek, detalhando sobre a "calamitosa inundação que alcançou níveis jamais registrados e só terão solução quando um plano de barragens no montante da atual (bananeiras submersa, atualmente pelas águas de Pedra do Cavalo) seja efetivado".
Ironicamente, nova enchente do rio Paraguaçu voltaria a atormentar as duas cidade exatamente em fevereiro de 1980, vinte anos depois da maior de todas, coincidentemente  depois de iniciadas as obras da atual Pedra do Cavalo.
No jornal Correio de São Félix de nº 2.419, ano 46, nós publicamos uma extensa reportagem inclusive com uma ilustração onde se registra a luta da engenharia contra as águas revoltas que ameaçavam invadir o túnel I, antes do desvio do rio para o início da construção da barragem propriamente dita.














 
 


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