sexta-feira, 13 de março de 2015


MUITA GENTE lembra ainda de Valdir Marques de Cerqueira, o Valdir de Gegeu, Carteiro, professor de educação física e instrutor da banda marcial do Colégio estadual da Cachoeira. O Valdir que nem eu conheci, era solteiro e mais conhecido pelo apelido de "Pinga" por óbvios motivos.
Por vezes eu o escutei fazendo queixas da turma da minha geração:
- Com-com-compadre, (ele era padrinho da minha filha Maria do Rosário), a turma de hoje não tá com-com-com nada! No meu tempo, a mo-mo-molequeira era sa-sa-sadia!
Dois exemplos da tal "molequeira sadia" : estava sendo realizada num sobrado uma festa dançante animada por um jazz composto de músicos cachoeiranos. Não existiam, ainda, aparelhos de som, radiolas etc. Raimundo Santana, um dos componentes da turma chamou Valdir e combinou o seguinte:
- Você desce e apaga a luz que eu vou furar o bombo da bateria.
Valdir desceu. Apagou a luz. Aconteceu, porém, um imprevisto: um parente da casa surgiu de repente. Valdir teve de religar a luz inventando uma desculpa de que teve de trocar o fusível, enquanto Raimundo foi flagrado com o pé dentro do bombo. A pancadaria comeu solta inicialmente com os músicos depois com quase todos os presentes.
 A segunda "molequeira sadia" foi o roubo das galinhas de Graciliano Leoni, Gaçu como era popularmente chamado Devoto de Santo Antônio, Gaçu costuma oferecer um caruru na última noite da novena. Então, galera, a "Turma de Fu-Manchu" entrou em ação apagando as luzes da casa e fazendo "desaparecer" as galinhas.
Sobre o fato, o memorialista Chiquinho Mello, testemunha ocular do acontecimento escreveu que, "desolado, Graciliano teve uma crise nervosa ao descobrir que as galinhas haviam sido furtadas, e só restava para oferecer aos seus convidados, o caruru, uma fritada de siri e os bolos".
O caso de Gaçu tornou-se antológico e teve até uma reprise por ocasião do casamento do doutor Pina. Os autores da façanha foram Augusto Régis Neto e Antônio ,primo do nubente. Ambos falecidos.
Um certo dia, um dos companheiros de Valdir passou mal. Levado para o pronto atendimento do hospital da Santa Casa já chegou sem vida. O médico que o atendeu, doutor Bahia foi enfático:
- Foi um ataque fulminante do coração!
Valdir e seus amigos ficaram transtornados. E agora, quem terá coragem de avisar aos familiares, a mulher dele,  - diziam -, é quem sofria do coração. Houve um jogo de empurra, quem teria coragem de avisá-la, assumir a responsabilidade? Sempre intrépido compadre Valdir se ofereceu. Você vai, Pinga? - perguntaram os amigos -. Ele respondeu:
- Re-re-rebanho de sa-sa-sacana, po-po-podem deixar com-com-comigo.
Dito e feito. Chegando na casa do falecido Valdir bateu palmas e chamou:
- ô de casa !
Respondeu uma mocinha:
- Oi,Valdir,tudo bem?
E ele:
- Ca-ca-cadê a viúva?
E uma voz lá de dentro:
- Valdir, que brincadeira é essa de me chamar de viúva, eu não sou viúva!
E ele:
- Quer apostar meia du-du-duzia de cer-cer-cerveja?
 
 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário