sexta-feira, 17 de abril de 2015

"SUJOU" NO BREGA
QUEM Lá esteve contava que tudo começou na casa em que Maria Mineira exercia a mais antiga das profissões e que, por sinal, até hoje não foi regularizada. A narrativa, portanto, se passa no meretrício, a linguagem do brega é inapropriada para leitores sensíveis. O cronista, o contador de "causos" corre o risco de ser taxado de pornográfico ao tentar dar um cunho de veracidade mas, leitor, se você já me acompanhou até aqui, não perca a chance de dar uma boa gargalhada.
Maria Mineira, uma das gostozudas do antigo puteiro da Cachoeira. Segundo voz corrente, era xodó de Darinho, filho de Ioiô Perna de Pau. Darinho era também conhecido como My Friends, trabalhava como garçom da Desportiva, vendia confecções na base do crediário, fazia fotografias em binóculos, era corretor zoológico, enfim, era uma sujeito muito querido e "virador", como se dizia à época. 
Dia de sábado a Rua 7 de Setembro - nome oficial - era uma verdadeira parada, muitos moradores da zona rural apareciam a fim de "trocar o óleo", fazer um vuco-vuco pois ninguém é de ferro. No bar alguns jogavam bilhar,outros tomam uma cervejinha gelada, na esquina um vendedor abanava o fogareiro para assar o espetinho, e os frequentadores do "Baile da Agulha" já se apresentavam para dançar ao som do conjunto de Gildásio do Saxofone e Felinho do Pandeiro.
Maria Mineira já não era tão novinha assim mas, era bonita, morena, cabelos longos e de glúteos bem torneados o que naturalmente chamou a atenção e despertou o desejo de um sujeito mal ajambrado que eu não sei o nome e tenho raiva de quem sabe.
Então, galera, já nas "preliminares" o sujeito foi direto ao assunto pedindo que Mineira abrisse preço. Deus ruim:
- Eu não dou o fiofó, eu não sou viada! - bradou Mineira - enquanto o sujeito com o indicador no seu próprio nariz sussurrava "chiu!" Como ela era geniosa não parava de falar e também se alterou:
- "Sinha" cachorra, tá "quereno" "fazê" "espicho"?
Maria retrucou:
- "Espicho" uma porra!  Vocês são "comprexado", acha que nós faça o que a mulher não dá em casa...
- Não meta a minha família no meio senão eu "pranto" a mão em sua cara!
Ih, meninos Maria enfureceu. Abriu a gaveta da sua penteadeira, apanhou uma navalha e ameaçou:
- Venha "fidicorno"... faça "sidibesta" que eu abro uma "buceta" em sua cara!
A coisa chegou a tal nível que seu Antônio Porteiro do cinema acordou, o pessoal do Night and Day largou o taco e o pessoal do Bar de Poporrô saiu correndo para assistir. Aí, galera,a briga se generalizou.Quando seu Aurélio do Hotel Colombo ligou para a delegacia e o tenente Anastácio, mais conhecido como Pente Fino apareceu com a patrulha no brega os ânimos já estavam serenados.
No dia seguinte, a fim de evitarem-se equívocos, a dona do bordel mandou afixar um aviso conforme aparece na ilustração abaixo.




 


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