sexta-feira, 15 de maio de 2015

 
'CAUSOS' VERÍDICOS
Edmílson, o bon Vivant
Alguém bateu palmas no portão da minha casa, na Vila Residencial de Muritiba. Fui atender. Era um colega que começou a falar baixinho para que a minha saudosa esposa, Luiza, não ouvisse, afinal ela estava vindo de uma cesariana com a chegada do meu caçula, Tinho Brito, e a notícia não era alvissareira:
- Brito, Edmílson tomou um tiro !
- Tomou um tiro, como?!
Afinal, Edmílson (foto ao lado) havia tomado juízo, não era mais um paquerador, um "galinha" depois que contraiu núpcias com uma moça muritibana, filha do popular "Bicicleta". E o meu iterlocutor completou a informação:
Quando ele foi apanhar um botijão de gás que ele foi comprar em Fagundes para servir a uma vizinha, o revolver caiu da sua cintura e um tiro atingiu o seu abdômen. 
A Vila Residencial entrou em polvorosa, Edmílson era muito querido. A agonia na busca de socorro nos hospitais vizinhos foi partilhada por todos, até que a notícia de que uma hemorragia interna o levou para a Glória.
 Durante a construção da barragem de Pedra do Cavalo, por diversas vezes, Edmílson foi o motorista nas minhas locomoções. Quase sempre ele "dava um nó", ou seja, mudava o roteiro ao seu bel prazer, quase sempre indo até Governador Mangabeira, na zona rural, no imóvel pertencente a Família Mota. Na casinha que ele usava,quando solteiro, era de espantar o número de calçados que ele possuía. Tinha mania por sapatos.
Numa dessas idas, ele me amostrou um exemplar antigo da revista "O Cruzeiro" com uma reportagem focalizando um parente dele que possuía mais de dez mulheres e que moravam naquele local, todas juntas com filhos e tudo o mais. Pareceu-me que ele tinha um certo orgulho da façanha do seu parente, mas, um fofoqueiro da barragem me contou que aquele "herói" depois de idoso resolveu "mudar o disco", ou seja, virou gay! Claro que eu não falei disso com o meu amigo.
Dois episódios envolvendo Edmílson fazem parte da minha lembrança de "causos" bem humorados. O primeiro a gente vinha de Maragojipe e, na altura do mercado municipal da cidade de São Félix, quando de repente saiu de uma porta um sujeito correndo com uma mulher com uma faca na mão. O cara seria atropelado se viéssemos em velocidade. Edmílson freou a kombi, mesmo assim o cara se bateu na porta bem do meu lado. Edmílson saiu da kombi, examinou calmamente a porta enquanto a mulher passou a xingá-lo: 
- Moleque! Vagabundo! Irresponsável !
Edmílson retrucou:
- Você é que é irresponsável...
- A Desenvale só tem motorista maluco.
- Você é que é maluca.
- E você motorista irresponsável
- E você é uma vadia!
E o marido entrou pra desapartar:
- Querida, o rapaz tem razão, afinal a gente estava brincando...
E a mulher mudou o foco, enquanto Edmílson saia do local cantando os pneus:
- Você está sempre contra mim...
O outro episódio aconteceu num dia de domingo, o plantão era meu e ele foi me buscar. Sem dar uma palavra mudou o roteiro e eu perguntei:
- Edmílson, posso saber pra onde é que nós vamos? 
E ele respondeu:
- É rapidinho.
Chegamos mesmo rapidinho. Na porta  da casa ele parou e não parou de buzinar até que apareceu na janela um senhora vestindo uma camisola que mal dava para esconder os enormes mamilos, cabelos nas alturas, despenteados e a cara de poucas amigas. Como estava do meu lado cumprimentei-a e ela nem "tum", não respondeu. Edmilson se esticou todo e perguntou com firmeza:
- Cadê fulana?
E ela:
- Tá "durmino"
- Doeme mais do que a cama que coisa hein? Não pode chamar ela pra mim, não?
- O "sinhô" tem noção da hora que o "sinhô" "truxe" ela pra casa, "onti" ?
- Não sei e tenho raiva de quem sabe!
- Já passava das duas!
E a senhora completou com um gesto da época, passando a mão na garganta fingindo que ía cortá-la:
- Eu "tô" "cum" o "sinhô" "pur" aquí...
E ele na maior cara de pau:
- Na hora de cagar a senhora vai ver o que é bom pra tosse!
E arrastou a kombi "cantando" os pneus mas deeu pra gente escutar ela mandando ele tomar naquele lugar enquanto ele ria descontroladamente.
Edmílson Mota é outro personagem inesquecível da minha vida.
 





 
 

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