sábado, 30 de maio de 2015

Guardo na lembrança, talvez pela repetição com que ouvia contar lá em casa, um "causo" envolvendo um figurão de uma tradicionalíssima família cachoeirana. Para não constranger possíveis familiares ainda vivos, dar-lhe-emos o nome fictício de José Bulhões.
Era um tempo em que ir até a capital do estado de navio, era uma viagem de seis horas, quando o vapor não ficava encalhado na Corôa do Espardate. O Rio de Janeiro era a capital de República, vários políticos e famílias cachoeiranas passaram a morar lá na Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil.
O prefeito Pereira Passos (1903/1906) estava fazendo uma verdadeira revolução urbana com a abertura do que viria a ser a Avenida Rio Branco, início da favelização da população mais carente.
E foi, galera, exatamente na Avenida Rio Branco que o Zeca se encontrou com um também cachoeirano cujo nome também não vem ao caso. Não foi possível de ele fingir que não o viu, mesmo porque foi pego pelo braço;
- Bulhões !  Jamais podia pensar que iria encontrá-lo aqui no Rio! Tudo bem?Como é que você está? Já enricou? Quando é que você vai matar as saudades da terrinha?
Bulhões foi curto e grosso:
- Pra mim Cachoeira morreu, se eu passar de Constellation (o avião da época) e me disserem que estou passando por cima da cidade, vou ao banheiro e solto a maior cagada!
E o seu interlocutor cachoeirano em cima da bucha:
- Controle o seu cu, porque a senhora sua mãe ainda mora lá e pode cair na cabeça dela!
E rumaram,os dois pela avenida sem caminhos opostos. 


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