sábado, 13 de junho de 2015

 
Causos”Verídocos
Tomou Postafen?!
Na próxima sexta-feira, dia 19, completam-se 25 anos da morte do monsenhor Fernando de Almeida Carneiro, Vigário Colado da cidade da Cachoeira,na Bahia, meu amigo e compadre. Eu era menino quando o conheci como pregador da festa de Nossa Senhora da Conceição do Monte. A minha madrinha, Laura, fazia parte do Coral regido pela professora Amélia Fróis.
Depois, eu já rapaz, fiz locução do serviço de alto falantes que ele criou, "A Voz da Assistência Paroquial" e era parte integrante do Coral da Matriz.
O padre Fernando era um homem que não tinha qualquer preconceito racial, com posição social, era tolerante com o sincretismo e com os gays que prestavam serviços à Paróquia que sofria a influência das diversas Irmandades religiosas.
O dia do seu aniversário (25 de setembro) era um acontecimento relevante desde as primeiras horas da manhã, com missa solene com presença das autoridades do municípios e de cidades vizinhas, além da filarmônica Minerva de quem ele foi presidente.
Ele era tão popular, gozava de tanto prestígio que, poderia ser prefeito (se a Arquidiocese permitisse), porque ele gostava da política,seu apoio foi decisivo para a eleição de Julião gomes no ano de 1959.
Enquanto Luiz Gonzaga foi vivo, semanalmente ele escrevia para o "Correio de São Félix",e, como cronista, narrava fatos, traçava perfis dos mais humildes como Esmeraldo "Petitinga", Tiburço, Tiloso e outros.
Deve-se a ele a construção da Escola e Posto Paroquial, O Museu das Alfaias, A Casa Paroquial e o Solar Estrela do que estou a lembrar, no momento. Alguns se queixaram de ter sido ele um delator quando do golpe militar de 64, sem comprovação, apenas insinuações.
Como o objetivo desta coluna é reviver coisas que vivenciamos ou ouvimos contar, "causos" bem humorados,contam que, o alfaiate Tomás, nomeado por ele para servir de recepcionista ao Museu das Alfaias, ao receber alguns alunos de Salvador, ao ouvir um dos professores apontar para uma imagem identificando-a como a de "João decapitado" ele,sorrindo,bradou:
- Decapitado coisa nenhuma...aquele é o S.João enforcado!
 E para um grupo chefiado por um professor de artes da cidade de Santo Amaro da Purificação que passou  falar de peças "de arte barroca", Tomás também não se conteve e largou a pérola:
- Que barroca que nada!
Ato contínuo, toc! toc! toc! na cabeça da imagem:
- Este aqui é madeira "murciça"...O de barro é aquele dali, não vá ensinar errado aos alunos.
O padre Fernando dificilmente cobrava pelos ofícios religiosos. Era mantido pela mesada que sua mãe enviava e pelo salário que recebia por ser capelão do Sanatório Juliano Moreira.
Numa dessas viagens para Salvador, na Rural de Noca, peguei a carona. No Juliano, o padre Fernando foi abordado por uma interna com uma cabeleira mais parecida com um formigueiro, quase dois metros de altura, magra, cigarro na boca, lendo o jornal:
- Padre Bahia!!!! O "sinhô" tá "tomano" Postafen?!
Não sei porque ela o chamou de "Padre Bahia" quanto ao Postafen, era uma medicação que prometia fazer engordar Olívia Palito.
O vigário se limitou a sorrir e a mulher fez nova pergunta:
- Padre Bahia...cadê o outro chofer?
E ele:
- Que motorista? Maroto? Armando?
E a interna sem saber identificar pelo nome:
- Aquele do "zoi freteiro"?
E o padre virando-se para mim:
- Armando não livra a cara nem das doidas!
 

 

 
 
 

 

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