sexta-feira, 5 de junho de 2015

 
MEMóRIA
TEMPORADA DE REPRODUÇÃO
O PESSOAL DA MINHA GERAÇÃO convivia com brinquedos e brincadeiras com muita criação e imaginação infantil. Não existiam, ainda, os brinquedos em matéria plástica e muito menos os eletrônicos. No máximo brinquedos com corda.
A turma, além dos babas (peladas), brincava de picula, banho no rio, patinete com rodinhas de rolimãs de automóveis, e vários jogos imitando os adultos quando o dinheiro eram as carteiras vazias de cigarros.
Existia uma época do ano em que acontecia uma revoada de insetos, destacando-se as tanajuras. Era o prenúncio de chuvas.
Sabemos, hoje, que estando a terra molhada, a fêmea da tanajura tem mais facilidade de cavar a terra o mais fundo possível a fim de fazer o seu ninho a salvo dos predadores.
Aquele voo nupcial era uma festa para nós, e, também para as famintas andorinhas. E a meninada cantava:
- Cai, cai, tanajura, na panela da gordura, seu pai morreu, sua mãe viveu!
 Quando se apanhava uma tanajura a gente enfiava um palito no seu abdômen. A pobre tanajura tentava voar mas ficava girando como um helicóptero.
Durante a construção de Pedra do Cavalo, eu conheci um operário da Odebrecht que não podia ver uma tanajura: arrancava o abdômen do inseto e o ingeria ao vivo! E estalava a boca dizendo: "Se fosse frita na manteiga era mais gostosa!"  Diante do meus espanto ele afirmou que, em muitas cidades do Nordeste, as tanajuras são consideradas uma iguaria.
Uma amiga minha, nutricionista, disse pra mim que alguns insetos possuem nutrientes e proteínas, lembrando João Batista (da Bíblia) que, no deserto, se alimentava de gafanhotos.
 

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