sábado, 13 de junho de 2015

PESQUISA
As pedras e a lenda da Pedra do Cavalo
Uma das características interessantes do rio Paraguaçu é o seu leito ser intensamente encascalhado e pedregoso, o que dificulta a filtração da água, sendo, por isso, mesmo, uma das causas das antigas enchentes que afligiam São Félix e Cachoeira, hoje controlável através do vertedouro da barragem de Pedra do Cavalo.
Passemos a descrever em breves linhas algumas das mais expressivas formações rochosas do rio Paraguaçu compreendendo o trecho Cachoeira/São Félix.
PEDRA DA BALEIA
Naturalmente assim denominada por causa da sua semelhança com o enorme cetáceo. Está localizada nas proximidades do bairro do Tororó, local onde pretendiam construir o memorial em homenagem à grande epopéia do 25 de Junho de 1822. No entanto, em face dos constantes desastres náuticos nas proximidades, sobretudo durante a noite, optou-se por ali se construir o conhecido "farol da pedra da baleia", abrindo-se concorrência pública no ano de 1912. Em setembro do referido ano iniciaram-se as obras a cargo do empreiteiro e construtor Alfredo Raimundo da Silva. As obras foram concluídas em um mês. Assim, em outubro de 1912, o "farol da pedra da baleia" foi inaugurado.
Apesar da entrega da obra em tempo hábil, o farol apresentava várias falhas no seu funcionamento, até que em 30 de junho de 1926, chegavam do Rio de Janeiro as peças que faltavam e o farol foi festivamente reinaugurado em 30 de julho do referido ano.
Entre São Roque e a Barra do Paraguaçu, nas pedras chamadas de "Cabeça de Negro", também foi instalado um farol.
PEDRA RACHADA
Situada em terrenos da antiga Charqueada Modelo, hoje parte integrante da propriedade rural do pecuarista Benedito Dourado da Luz,  a enorme pedra é assim chamada por causa de uma fenda que dela se aflora.
PEDRA DO CAVALO
Na parte baixa de onde foi construído o vertedouro da barragem, existia uma pedra de considerável tamanho onde existiam na parte de cima, simetricamente colocadas, quatro pegadas semelhantes a uma ferradura, talvez obra de erosão do tempo. Lamentavelmente quando eu havia programado fazer uma fotografia comprobatória ela foi destruída por explosivos,segundo soube, por necessidade da própria obra.
Aquela pedra, aquele local, tudo era sagrado para os umbandistas que durante anos faziam seus rituais e levavam as suas oferendas.
Ouvi alguns depoimentos de pescadores e moradores das redondezas, coisas como de terem ouvido o relinchar de cavalo que alguns videntes juravam ter visto aparecer e desaparecer envolvido numa bruma. Alguns falaram na aparição de Apaoká, um Orixá mitológico que assume o formato de uma árvore como uma jaqueira, por exemplo, e se identifica como "Mogno de Guiné". 
A lenda de Pedra do Cavalo é também interessante.  Contam que um vaqueiro chamado Simeão tangia o gado no entardecer de um dia quando se aproximou perigosamente do precipício. Ele o e cavalo despencaram no espaço de uma altura considerável. Ele clamou aos seus guias. O cavalo, milagrosamente "pousou" na pedra deixando nela as marcas da ferradura. 
Lamento até hoje não ter sabido antecipadamente da programação da explosão que a destruiu. 

 


 

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