sábado, 20 de junho de 2015

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No rio Paraguaçu, a primeira navegação a vapor do Brasil
Felisberto Caldeira Brant Pontes, fundamentou bem o seu projeto de um barco a vapor, a viabilidade econômica, então, em 3 de agosto de 1819, há 196 anos passados, portanto, D.João VI assinou um decreto outorgando a ele o privilégio de explorar comercialmente o negócio "com recursos próprios". O que fez então o nosso Felisberto? (foto) Associou-se ao Comendador Pedro Rodrigues Bandeira e ao Capitão-mor Manoel Bento de Souza, simplesmente os dois caras mais ricos da Bahia. 
Iniciou-se de imediato a construção do casco de madeira no Estaleiro da Preguiça, em Salvador. Então, galera, não obstante o nome do estaleiro, a embarcação não levou três meses par ser construída. E assim, com a chegada do maquinário importado da Inglaterra, inauguravam-se as viagens a vapor em águas brasileiras, mais uma primazia dos cachoeiranos do passado.
A embarcação partiu de Salvador com destino a Cachoeira as onze horas da manhã do dia 4 de outubro de 1819 chegando ao porto cachoeirano as nove da noite. A então Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeirá  estava em festa. Entre as várias autoridades que chegaram, estava a pessoa do próprio governador da então Província, Francisco Mascarenhas (foto) o Conde de Palma.
Naquela mesma noite, as autoridades cachoeiranas entregaram ao governador o pedido  de que o governo realizasse uma obra importante para cachoeiranos e sanfelixtas: a construção de uma ponte. O governador recebeu a reivindicação e, como muitos políticos de todos os tempos, fez um discurso elogiando o pleito e que atenderia ao justo pedido. A história registra que a promessa foi vã.
 Não sei precisar por quanto tempo duraram as viagens e quando foram interrompidas. Alguns historiadores afirmam que a histórica embarcação foi à deriva e fundeada nas proximidades do Monte Serrat, em Salvador, enquanto outros, mais românticos,assinalam que, em 1822, foi abatido e levado ao fundo por ordem do general Madeira de Melo.
Sabemos todos que, quando as viagens foram interrompidas, a patuleia não perdoou e lançou a famosa musiquinha: "O vapor de Cachoeira/ Não navega mais no mar / Arriba o pano, toca o búzio / Nós queremos navegar!"a
E a segunda parte: "Lá vai uma, lá vai duas / Lá vai três pela primeira / Lá vai meu amor simbora / No vapor de Cachoeira".
Esta é a letra original. Como é de domínio público, outros versos foram livremente acrescentados.
Dezessete anos após a primeira concessão, em 1° de março de 1836, a navegação a vapor foi passada para o empresário João Diogo Stutz. Três anos depois, o barco "Catharina Paraguassu" da Empresa Stutz era recebido com grande festa, era um enorme progresso uma viagem até a capital e vice-versa durar apenas cinco horas.
A Companhia Stutz começou a passar por dificuldades financeiras. Logo passou a concessão para Guilherme Duff, cidadão de origem inglesa que por sua parte, teve o contrato rescindido por descumprimento de algumas cláusulas.
Em 31 de maio de 1847, era criada a Companhia Bonfim, em 1852 passou a ser a Companhia Santa Cruz, dirigida por Antônio Pedroso de Albuquerque. Um anmo0 depois, deu-se uma nova fusão, nascendo a Companhia Bahiana que funcionou até 1857, passando a chamar-se Steam Navegacion Company Limited, sendo rebatizada de Companhia Bahiana de Navegação no ano de 1873.
As constantes mudanças de dono, de comando e de nome não solucionava o problema dos atrasos e do desconforto das viagens, até que, em 26 de janeiro de 1888, deu-se a fatídica explosão das caldeiras do vapor 2 de Julho, nas proximidades de Maragojipe, vitimando dezenas de passageiros
Em 17 de agosto de 1906, era inaugurada a Companhia de Transportes Marítimos, porém, como as anteriores, como diziam os antigos, "continua tudo no mesmo Mané Luís". O governo do estado então resolveu assumir o comando fundando em 1909 a Companhia de Navegação Bahiana que funcionou até o dia 19 de junho de 1967. As populações de São Félix e Cachoeira optaram por viajar de ônibus, viagens mais confortáveis e muito mais rápidas.
Finalmente, em 28 de agosto de 1961, a direção da Bahiana colocou em hasta pública, como sucata, alguns de seus navios, e, dentre esses, o navio Paraguaçu tão querido dos cachoeiranos.  O prefeito da Cachoeira era Julião Gomes dos Santos, esposo da minha madrinha,Laura. Bati um papo com ele e falei que a prefeitura podia reivindicar ou adquirir o vapor Paraguaçu não para fazer viagens mas, restaurado internamente, seria transformado em um museu náutico (pela primazia de ser a cidade a primeira em navegação a vapor), biblioteca, serviço de bar e um salão para conferências ou festas. Julião parecia prestar a atenção mas não deu uma palavra sequer. Como era do seu costume,  comentou depois com o amigo comum Roque Pinto:
- Seu Erivaldo já me veio com mais uma das suas idéias malucas!
Na sequência acima, da esquerda para a direita, as lavadeiras de roupa no Riacho Pitanga, a chegada do vapor Paraguaçu, e o navio Porto Seguro, durante uma cheia do Rio Paraguaçu, encontra o seu porto seguro atracando na ponte Pedro II.

 
 



 


 
                                    



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