sexta-feira, 5 de junho de 2015


PESQUISA
Paraasú, o mar grande
SEGUNDO TEODORO SAMPAIO no seu Vocabulário Geográfico Brasileiro, o significado etimológico do nome Paraguaçu é a formação dos vocábulos Pará e Guassú, ou seja, Mar Grande, ou,ainda, uma corruptela de Pará-Assú, que na língua dos índios Tupinambás que habitavam a Cachoeira em seus primórdios, era a mesma coisa.
O Paraguaçu foi inicialmente explorado pelos franceses por volta de 1504 e sua descoberta é atribuída a Cristóvão Jacques.
Durante vários séculos o Paraguaçu foi escrito de várias maneiras:
Mem de Sá (Peroaçu), Padre Manoel da Nóbrega (Paraassú), Franz Post, em sua obra intitulada Mapa Hydrográfico da Baia de Todos os Santos (Perasú), Morales, em História Militar do Brasil (Peroassú),Teodoro Sampaio (Paraguassú), e, finalmente, Gabriel Soares de Souza (Paraguaçu), grafia que permanece até hoje.
O Paraguaçu nasce nos brejos do sítio denominado Farinha Molhada, na Chapada Diamantina, vertente ocidental do Morro do Ouro, na Serra do Cocal, a pouco mais de mil metros acima do nível do mar e a uma distância de 24 quilômetros do arraial de Sincorá, perto da cidade de barra da Estiva. Ele é o maior rio genuinamente baiano, tem um curso de 520 quilômetros, sendo navegável (por ser um rio de muitas cachoeiras), por embarcações de pequeno porte em apenas 60 quilômetros a partir da cidade de São Félix e Cachoeira até a sua foz, por navios de pequeno calado, saveiros e barcos.
No seu curso, o Paraguaçu possui as seguintes cachoeiras: Bichinho, Sincorá, Donana, Almas, Caixão, Tamboril, Mandu, Sítio Novo, Macacos, Tamanduá, Timbora e Bananeiras, onde foi construída uma hidroelétrica e hoje submersa pelas água do lago de Pedra do Cavalo.
São afluentes do Paraguaçu: Riachão, Roncador, Sumidouro, Preto, /santo Antônio,Una, Tupin, Morro Preto, Capivari, Saco, Salgado, Capanema (antes das vilas de Coqueiros e Nagé, onde se forma a grande bacia do Iguape), e dezenas de riachos, passando por fim no povoado do Alemão, em São Roque do Paraguaçu, desaguando na Bahia de Todos os Santos. 
As ilhas que se formaram ao longo do Paraguaçu são as seguintes:
Vitória, Capivari, do Conde, do Ratão, dos Franceses e do Cavalcante.
Na sequência, de cima para baixo, a partir da esquerda: as águas do rio Paraguaçu invadem Cachoeira e São Félix -   Escavação do túnel para desvio do rio e início da construção da barragem de Pedra do Cavalo. -  Águas do rio na antiga barragem de Bananeiras - O leito do rio completamente desviado onde tive o privilégio de andar - Erivaldo Brito andando de canoa e fotografando a enchente do ano de 1981, durante a construção da barragem.

O RIO PARAGUAÇU ao passar pela garganta denominada Comércio de Fora, perto da cidade de Mucugê, é tido como diamantífero, não sabemos da sua viabilidade econômica. Ele abriga em sua águas peixes como o robalo, curimãs, tucunarés e as lendárias petitingas cuja moqueca enriquece a culinária baiana.
Em breves linhas, esse é o velho Paraguaçu, desprezado e injustiçado. Desprezado porque grande parte da população joga lixo em suas águas; injustiçado porque ele é quem transportava a bem pouco tempo o progresso, quem alimentava a população, que esteve ao lado de cachoeiranos e sanfelixtas ao baixar as suas água e impedir a mobilidade da canhoneira lusitano no épico acontecimento de 25 de junho de 1822.
Na foto acima, um dos melhores flagrantes que eu registrei na enchente de 1981: o popular Dez Mil Réis pulando de cima da imperial ponte D.Pedro II.
Em tempos passados, o Paraguaçu era palco de várias competições náuticas. A Cachoeira conseguia lugar de destaque nas competições em Salvador (foto).
 O poeta cachoeirano Waldemar Menezes (foto) em seu poema Meu Rio Paraguaçu que publicamos em nosso livro Oradores e Poetas da Cachoeira assim falou do Paraguaçu:






 


Distante de onde estou neste momento
intermitente o velho rio,
ao sabor de invernos e do estio,
corre, solto, ora rápido ora lento.

Relembro o meu passado não distante
em que eu gozava a vida de menino,
e, sem idealizar o meu destino,
dele fazia a distração constante.

Quantos dias, nem sei, às vezes, pelas
margens floridas, a manhã rompendo,
corria a perseguir pássaros, vendo
nas águas espelhantes as estrelas.

Dos alecrins o olor me vem tão forte
e o cheiro da verdura derramada,
que cuido, ainda ouvir a passarada
em lírico e romântico transporte.

Meu rio Paraguaçu dos meus folguedos,
Inda recordo aquela vida franca,
naquelas areias d Pedra Branca,
passeios matinais entre arvoredos.
 




 

 


 




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