sexta-feira, 31 de julho de 2015

 
MEMÓRIA
Fuá de boi
(foto de Arnol Conceição)
Houve um tempo em que uma das fontes de receita do município da Cachoeira era a pecuária de corte. Cândido Cunegundes Barreto,  )foi Intendente (Prefeito) da Cachoeira no período de 1928 a 1930), nascido no distrito do Capoeiruçu, era um pecuarista conhecido na Bahia. Ele não apenas vendia o gado,  abatia e comercializava em açougues espalhados pela cidade.
Continuando a falar sobre um período em que eu nem sonhava nascer, o Engenheiro Civil Humberto Pacheco de Miranda, que foi Prefeito da Cachoeira no período de 1932 a 1934, no Relatório enviado ao então Interventor Federal da Bahia, nos conta o seguinte sobre "o transportes de carnes verdes". Abrimos um parêntese: "carne verde", na minha terra, era como se chamava carne fresca, recente. Aliás, de meio-dia em diante,como não havia frigoríficos,os açougueiros vendiam a chamada "carne virada" a preços módicos. Quem fosse ao abatedouro conseguia fato de graça, ninguém nem sabia que existia um petisco atual chamado "dobradinha". Quem comprava fato, no "fateiro" dizia que era para o cachorro.
Assim escreveu o Prefeito Humberto Pacheco:
"Transporte de carnes verdes - Serviço que de perto interessa à higiene e saúde da população, o de transporte de carnes verdes da Cachoeira, tal como se fazia ainda em 1932, era deprimente e vergonhoso para nós. Conduzia-se a preciosa alimentação sobre costões de animais arrealados com imundas cangalhas, os quartos sanguinolentos das rezes expostos a um sol inclemente e à voracidade dos mosquitos, quando não cobertos por encerados cujo estado de limpeza, em vez de preservá-los de insetos, parece que ainda mais os incitavam à aproximação, pelo mau cheiro que constantemente deles se desprendia"
"Incapaz de, pela falta de recursos materiais, organizar o serviço às custas da municipalidade, mas firme no propósito de, uma vez por todas, acabar com o vergonhoso e anti-higiênico transporte, fia a 8 de junho de 1933, publicar no órgão oficial de então, O PEQUENO JORNAL, um Edital de concorrência para esse serviço, fazendo constar em duas de suas cláusulas o preço máximo de 3$000 (três mil réis, no padrão monetário da época),para  cada rês abatida e dando preferência, em igualdade de condições, às propostas que fossem apresentadas pelos próprios abatedores. A essa concorrência, só compareceu o senhor Osvaldo Cortes de Oliveira, cuja proposta, de acordo com o Edital, foi aberta a 30 dias do mesmo més e ano.  Assinado o seu contrato a 24 de setembro depois de legalizado todo o processado pela administração municipal, a inauguração do novo serviço teve lugar às 14 h. do dia 28 de outubro do mesmo ano".
"O serviço atualmente feito por meio de duas carroças construídas sob a fiscalização do município, e adrede preparadas para conduzir a carne dependurada em ganchos de ferro no seu interior".
Da esquerda para a direita: Numa inauguração, o governador ACM, e, ao centro o pecuarista Osvaldo Cortes de Oliveira. Na foto central, a viatura usada para transporte do gado abatido. Na última foto, o pecuarista e comerciante Robustiano Caetano Pontes.   

 Como é que se estão transportando as carnes que o cachoeirano atualmente consome? Responda quem souber.
Quando eu era menino, vi muitas boiadas descendo a ladeira velha de Muritiba, subindo a Rua da Feira e, logo depois, a ladeira do Capoeiruçu. O grande pecuarista era seu Pontes (vide foto). Eu estudava no Montezuma, muitas vezes filei aula a fim de ver o embarque do gado em saveiros com o lastro cheio de areia, pois o gado era atirado de cima do cais. A expectativa da galera era que algum boi fugisse, era o que a gente chamava de fuá de boi.
Lembro de um boi usando máscara - considerado indomável -, e que invadiu a barbearia de Ananias Aragão, que funcionava na parte térrea do sobrado do relojoeiro Aloísio Mendes.
Recordo do "boi de seu Aurino", um boi mansinho mansinho que ficava pastando na área onde é o campo de futebol, no Calabar. Todo mundo falando de cinema naquela jardim frente ao Colombo, inclusive Adílson Nascimento, que era operador do Cine Glória. Adílson sofria de dores reumáticas. De repente lá vem o boi em disparada. Alguém gritou: "è o boi de seu Aurino!" Não era. Foi um corre corre danado. Quando tudo se acalmou, lá estava Adílson, o primeiro que correu, atrás do balcão do bar de seu urbano.
No Jardim Grande armou-se um circo bem pobrezinho, lonas rasgadas, era um circo de touradas. O nome do circo não sei, sei apenas que todo mundo chamava de Circo de Pelanca. Pelanca era o nome do palhaço toureiro.
O toureiro propriamente dito era um tal de João Sem Medo. Walter Gavazza tomou a frente para ajudar o circo que até lonas novas comprou ao sair da Cachoeira.
Era ele, Gavazza que "intimava" os amigos e conhecidos a frequentar o Circo da Pelanca, anunciaodo:
- Hoje o João Sem Medo vai cagar no picadeiro...consegui que Vanete Pinheiro me emprestasse um boi valente, não é um boi do cu branco qualquer!
Das minhas brincadeiras de criança não faltava o "cavalo de flecha" e os personagens era os vaqueiros de seu Pontes: Arnaldo e Vitô.
A boiada e o boi em particular fizeram parte dos meus sonhos de criança, por vezes pesadelos. Sonhava que vinha um boi disparado descendo a Rua da Feira e eu sem conseguir subir a soleira do sobrado onde eu morava, junto ao prédio da Lira Ceciliana.
 








 
 
O TúNEL DO TEMPO nos leva aos idos de 1934, quando o então prefeito da Cachoeira, engenheiro civil Humberto Pacheco de Miranda (1932/34) reformou o abatedouro municipal, na localidade chamda Ponta da Calçada.
 
Comentando
Delação Premiada
Quando se fala em delação, duas figuras da História do Brasil nos vem a mente; Calabar e Silvério dos Reis.
Domingos Fernandes Calabar (1600-1685), era um próspero uzineiro da então Capitania de Pernambuco. Quando os neerlandeses invadiram o Nordeste, ele resolveu mudar de lado e acabou se dando mal, inclusive o seu sobrenome, Calabar, passou a ser sinônimo do que não presta, do que é imundo.
Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819), era Coronel Comandante do Regimento de Cavalaria Auxiliar de Borda de Campo. Tornou-se famoso por causa da sua delação que redundou no fracasso da conjuração Mineira.
Silvério dos Reis não foi preso preventivamente e nem foi coagido a dedurar seus companheiros de ideal. Pensou levar vantagem e tudo mas, pouco levou.
Como Tiradentes foi réu confesso. acabou sendo enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792.
A lei nº 8072/90 (Lei de Crimes Hediondos), prevê a progressão de regime e a prisão temporária, enquanto a lei nº 12.850 de 2 de agosto de 2013, tornou-se muito importante para combater a criminalidade organizada através da delação premiada, que é um instituto do Direito Penal, um benefício que o Estado concede a quem confessar ou prestar informações comprovadas a fim de esclarecer os fatos, como agora está acontecendo na apuração da Lava-Jato.
Embora um número significativo de brasileiros não leve fé de que os acusados serão punidos com rigor, e que a grana roubada será devolvida aos cofres públicos, estamos vivenciando um momento histórico sem precedentes em nosso país, com os maiores empresário da construção civil na tranca, com políticos poderosos sendo investigados.

 

  
 
PESQUISA
O jornal diário de S. Félix e o poeta Sabino de Campos.
Sabino de Campos (foto de um clichê), nasceu na cidade de Amargosa, em 3 de setembro de 1891,e, ainda menino, ficando a sua progenitora viúva fixou residência na Cachoeira, onde trabalhou na oficina do seu tio, foi músico da filarmônica Minerva, publicou vários poemas nos jornais da época, publicou seu primeiro livro e foi o autor dos versos do Hino da Cachoeira musicado pelo maestro Tranquilino Bastos.
Sabemos que a Cachoeira teve a primazia, na Bahia, de ter o primeiro jornal diário do interior, O Guarany, cujo primeiro número circulou em o dia 5 de abril de 1877. Trinta e nove anos depois, a vizinha São Félix teve o seu diário com o nome de O Propulsor.
Sabino de Campos - que depois foi nomeado Servidor Público e fixou residência no Rio de Janeiro, nos conta de que ele foi convidado e foi Redator Chefe de O Propulsor, cujo proprietário era o engenheiro Demétrio de Araújo. 
A redação e oficinas do diário sanfelixta era na Rua Senador Temístocles e começou a circular no dia 1º de março de 1916, com uma edição de quarenta páginas, um verdadeiro recorde para um jornal interiorano.
Infelizmente, dadas às dificuldades técnicas e financeiras, O Propulsor funcionou até o número 229, ou seja, até o dia 30 de dezembro do referido ano de 1916.
As oficinas gráficas, no entanto, permaneceram funcionando, pois, segundo Sabino, seu primeiro livro, "Jardim do Silêncio", veio a lume no ano de 1919 e foi ali impresso.
O poeta Sabino de Campos faleceu no Rio aos 84 anos de idade, no dia 30 de julho de 1975, há 40 anos passados,portanto.



 


ACONTECEU
E vamos começar abrindo aspas;
"Deve haver, escondida nos subterrâneos do Congresso, uma escola de malandragem, golpes, perfídias e corrupção. Não é possível tantos congressistas já nasçam com tanto norrau".
O autor, Millôr Fernandes, falecido em 2012, com certeza não conheceu a turma envolvida nas denúncias da Operação Lava-Jato. 

A semana passada terminou com um escândalo sexual; durante os jogos Pan-Americanos, em Toronto, o goleiro de polo aquático, acostumado a pegar tudo, foi acusado de ter abusado de uma moça. Em sua defesa ele diz que tudo foi consensual mas saiu de fininho porque a Polícia ia prendê-lo.

E os políticos não saem do noticiário: a revista VEJA publicou uma reportagem com um extrato bancário do ex-jogador Romário. O atual Senador é acusado de ter uma conta bancária secreta num banco suíço e não declarada à Receita Federal. E ele se defende:
"Fiquei feliz com a notícia. Assim que possível, irei ao banco para confirmar a posse desta conta, resgatar o dinheiro". E ele foi e diz que o extrato era falso, que não existe grana nenhuma. Vai processar a revista.
Fernando Freire, ex-governador do Rio Grande do Norte, com quatro mandados de prisão, foi preso em Copacabana e continua na tranca.

Todo mundo sabe que o hidrogel é usado pela mulherada a fim de aumentar e enrijecer os músculos do bumbum. Vários modelos já se deram mal com a aplicação da substância. Pois bem; um jovem de 18 anos,(foto), da cidade de Ribeirão preto (SP), querendo tirar onda, injetou hidrogel no bilau e seu deu mal. Morreu horas depois.

Continua internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Joe Jackson, um senhorzinho de 87 anos. Ele teve três paradas cardíacas, acidente vascular cerebral isquêmico e arritmia cardíaca. Nos corredores do hospital de bacanas, comenta-se que o pai de Michael Jackson se excedeu no azulzinho, aquele remedinho que estimula o apetite sexual. Velhinho assanhado, sô!

O deputado britânico John Sewel, presidente da Câmara dos Lordes, foi sacaneado por garotas de programa contratadas que o filmaram em cenas preliminares sexuais e cheirando cocaína.
O mau comportamento do lorde acabou com a sua reputação e o seu mandato.

Em Shandona, na China, uma senhora de nome Zhang estava sentindo uma coceira desenfreada nos olhinhos. O oftalmologista nem teve muito trabalho assim para o diagnóstico: a paciente, que usava cílios postiços pra dar mais um tchan, estava cheio de piolhos! Crendeuspadi!

O absurdo aconteceu na estação Madureira, aqui no Rio, quando um funcionário da própria SuperVia autorizou um trem a passa sobre o corpo de Adílio Cabral dos Santos que morreu ao cair na via férrea.As imagens circulam na rede.
A Concessionária,em nota à imprensa, alegou que ela própria quem autorizou a passar por cima do corpo, afinal "não podia atrasar o fluxo dos mais de 200 milhões de usuários". Sem comentários.

A empresa da Inglaterra Shreddies, acaba de lançar um pijama feito de um material à base de Zortflex, uma espécie de carbono,produto muito usado militarmente para a proteção contra produtos químicos.
O tal pijama é tido como anti-flatulência, então, segura qualquer pum, o sujeito pode peidar a vontade.
Uma boa sugestão para o presente do Dia do Papai.

Um inacreditável vídeo exibido nas redes de um culto da Igreja Universal, o pastor Luciano Farinha (nome bastante sugestivo para o caso), confessa ter cheirado muito pó (cocaína), fumado pedra, maconha, chá de cogumelo etc, juntamente com o bispo Rogério Formigoni. Ambos aparecem rindo.
O bispo é conhecido pelos fiéis da Universal por sua ajuda na recuperação de drogados. Você confia?

* Devassa na Eletrobrás - a Lava-Jato avança, o presidente licenciado da  Eletronuclear, Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva é preso.
* O Supremo negou o pedido de liberdade de Cerveró, ex-diretor da Petrobras.
* Idem,idem, pra Zé Dirceu que queria viajar no Dia dos Pais.
* Denunciados pelo Ministério Público, Marcelo Odebrecht e mais 12 mangangões viram réus.
* Governo reúne governadores e inaugura site. A presidente Dilma escreveu que precisa receber críticas. Mais?
* Policiais do Rio são presos acusados de extorsão.
* Depende do ajuste fiscal para o Brasil evitar o rebaixamento da Standard & Poor's
* Vai terminar o recesso e vem a ameaça de pauta bomba.
* Defensora de delatores afirma que renunciou à causa por causa de ameaças veladas de deputados da CPI.
Amanhã, sábado, já é AGOSTO més emblemático no calendário nacional. No mais, fazemos nossas as palavras do escritor inglês Samuel Johnson:
"O patriotismo é o último refúgio dos canalhas".

 
 
 
 

 





 









 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

PESQUISA
A chegada da “máquina de fazer doido” na Cachoeira
A garotada da minha época conhecia a televisão através do seriado de Flash Gordon (foto). Eu mesmo fui conhecer um aparelho de televisão ao vivo na casa de Maracajá, dono da fábrica de papelão Tororó. A minha madrinha, Laura, era modista, era ela quem costurava os vestidos da esposa dele.
No início da década de 60, um engenheiro em eletrônica chamado Raimundo, que se hospedava nos finais de semana se hospedava no Hotel Colombo porque namorava uma moça chamada Gerda Schinck, da sociedade sanfelixta, trouxe de São Paulo todo o equipamento e montou,no bairro da Federação, em Salvador, a emissora chamada TV Itapoan. 
Não sei precisar se alguém particular adquiriu e instalou alguma televisão mas, com certeza, a primeira exibição de seu em a noite de 17 de dezembro de 1960, com um aparelho instalado numa janela do sobrado onde funcionava a pensão de dona Lulu. A praça da Aclamação ficou superlotada,sobretudo porque naquela noite estava havendo um grande acontecimento social: o casamento da professora Diva, filha do renomado médico local Artur Nunes Marques.
A primeira imagem em preto e branco,que apareceu na tela, foi de Gastão do Rego Monteiro.
A televisão, que o cronista Sérgio Porto chamou de "máquina de fazer doido", ficou acessível para as comunidades sanfelixta e cachoeirana graças às vendas nos crediários concedidos por Albertoni Bloisi e Casa Aurora.
Naqueles dias, os aparelhos davam dores de cabeça. Eu mesmo tive uma televisão Sharp que a válvula só "pegava" quando se dava um tapa da caixa: Pô!  


E as antenas, meninos, que sufoco! Tubos de ferro galvanizados, antenas "escama de peixe", as internas eram envolvidas em Bom Bril. Se passasse um carro o cano de descarga fazia um auê:  prummmmmm!
E todo mundo reclamava:
- Fala com esse imbecil para desligar o motor. Bem na hora da novela!
Não tinha essa de controle remoto:
- Levanta aê, mexe no vertical...Não! É no horizontal!
Meu compadre Divaldo Soares "lutava" contra os pássaros que resolviam descansar na antena da casa dele. Comprava caixas de Adrianino, baixou a antena e pendurou uma bandeira branca mas os pássaros acabavam acostumando e esculhambando a antena.
Durante a Copa do Mundo de 62, no Chile, meu amigo Lourival Melo comandava uma galera a fim de assistir o videoteipe  dias depois, na sede do Ferroviário, em São Félix,onde se pegava a melhor imagem das duas cidades. Não se podia perder um lance porque não havia replay.
Por ser a cidade vizinha onde era melhor a imagem e sem muita "chuva", o prefeito Antônio Carlos Lobo Maia, com a parceria do técnico Iêdo, um funcionário dos Correios e Telégrafos local, criou uma repetidora com circuito fechado, um aparelhinho que se acoplava ao aparelho de televisão, mediante o pagamento de uma taxa mensal. Devido a problemas técnicos, a novidade não avançou.
Finalmente, no limiar dos anos 70, começaram a aparecer as transmissão em cores e as repetidoras de sinal. O local comprovadamente testado e aprovado era o morro Deus Menino, em São Félix.
Da esquerda para a direita: Erivaldo Brito fazendo uma entrevista com o prefeito Maia,para o "Correio de S.Félix". Ao contro, o doutor Ivo Santana e,  ao final,meus filhos Ana Laura e Lerinho assistem uma TV em cores.
O prefeito da Cachoeira, doutor Edson Rubem Ivo de Santana constituiu uma comissão formada por mim, Lourival Melo, Gérson Torres e Edvaldo Carneiro do rosário (Carneirinho)m a fim de recolher contribuições previamente estipuladas para aquisição de uma moderna repetidora. O prefeito recomendava que seria uma contribuição voluntária, um compartilhamento da sociedade, que o município cobriria o resto. Semanalmente o jornal A Cachoeira publicava a relação nominal de quem havia colaborado.
No dia 12 de janeiro de 1974 o sinal da repetidora ía ao ar,e,assim, os cachoeiranos puedramver uma imagem sem interferências.
 

 

 


 

                                                                                                       
 

HISTÓRIA
O Convento e a Igreja do Carmo da Cachoeira
Pertencente à Ordem dos Carmelitas da Bahia, a Igreja e Convento do Carmo foi construído no terreno doado pelo casal João Rodrigo Adorno e sua consorte dona Úrsula, no ano de 1688, cujas obras foram concluídas em 1773, volvidos, portanto,85 anos da aludida concessão. A data da inauguração está no frontispício da igreja. 
Foto maior,Igreja e Convento do Carmo - Na foto pequena,acima, operários carregam imagem por ocasião das últimas obras,e,na seguinte,claustro do Convento.
 De grande significado histórico, os irmãos Carmelitas cerraram fileiras com a população cachoeirana quando do movimento de 1822, como é sabido por todos os que amam a história pátria. Com a chegada da canhoneira lusitana, um homem do povo foi perseguido e espancado pela soldadesca procurando abrigo no Convento. O Juiz de Fora, Antônio Cerqueira Lima assim relatou o fato em presidente da Província da Bahia, Francisco Carneiro de Campos, em o dia 20 de junho de 1822:
"Hoje, pelas 5 horas da tarde, apareceram na praça desta Vila, quase toda a guarnição da barca canhoneira que ontem chegou da cidade para conduzir o 1° Tenente Domingos Fortunato do Vale". E, mais adiante: "armados todos de espadas, pistolas e espingardas, puseram na maior consternação os pacíficos moradores".
E a autoridade cachoeirana,conclui: "me consta que, a bordo da mesma barca se acha preso um frade (Carmelita),a quem imputam ter ocasionado aquela assuada com razão  (o grifo é nosso), que tiveram com um soldado da dita guarnição".
 Consta nos anais da história, que o Convento abrigou a tropa de Voluntários que partiu para a Guerra do Paraguai.
o bissecular monumento cachoeirano sofreu algumas intervenções, sobretudo na parte interna, pois o altar-mor estava quase todo apodrecido. Então, graças aos esforços dos Carmelitas frei Pedro Margalho e frei Joaquim, em 15 de abril de 1931, o templo foi festivamente reinaugurado.

Na sequência da esquerda para a direita: Altar´mor, detalhe do forro pintado,e nas duas fotos seguintes,a sacristia.
Uma nova e drástica intervenção se deu no ano de 1978 transformando a nave num "centro de convenções" e o convento em sí, numa pousada.


 

 
PERSONAGENS
Seu Misael
Diz um velho adágio que um assunto puxa outro. Pois bem; escrevi sobre o clube social e esportivo Desportiva do Paraguaçu e sua Falange Feminina mas, não encontrando, na ocasião, as devidas anotações, deixei pro lado tal detalhamento, o que faço agora.
A Falange Feminina da Desportiva foi criada na gestão do médico Aurelino Serafim dos Anjos e foi instalada em a noite de 18 de junho de 1945. Completo a informação para que interessar possa: Presidente de Honra - Manoela Carneiro Rego.
Vice Presidente - Cármen Régis.
Presidente - Josina Marques.
Vice Presidente - Analiz Soares Serafim dos Anjos.
Primeira Secretária - Edméia Ventura Passos.
Segunda Secretária -  Dulce Azevedo.
Primeira Oradora - Ivone Rabelo Soares.
Segunda Oradora - Elvira Pereira.
Tesoureira - Augusta Pereira.
Diretora de Publicidade - Eurídice Santana.
Como eu disse que uma coisa puxa outra, em nossa lembrança, quem cuidava da portaria do clube, sempre atento para olhar a carteira do associado e checar se a mensalidade estava em dia, era seu Misael (foto), pai de Wandecok,componente do Trio Caçula (anterior a Os Tincoãs) e do conjunto melódico Gwelpan Bossa.
Para dizer um pouco do saudoso seu Misael Ribeiro dos Santos, peço vênia ao amigo Cacau, o breve doutor Luiz Cláudio Dias do Nascimento, pós-graduado em estudos étnicos e africanos da UFBª.
Nascido a 7 de março de 1913, seu Misael , marceneiro de profissão, foi nomeado funcionário público pelo doutor Augusto Públio. Aposentou-se. Na sua única entrevista na extinta revista Viverbahia, dos áureos tempos da Empresa de Turismo da Bahia/a, - Bahiatursa -, ele disse que a sua iniciação no candomblé se deu quando ainda era menino, levado pela sua mãe, que era mãe-de-santo na Casa do Barro Vermelho. Ao contar 12 anos, ele já era Ogan do Terreiro Viva Deus, uma casa centenária fundada por Zé do Vapor de quem ele, Misael, herdou a Casa e o compromisso depois da morte do tal Zé do Vapor.
 Lembro-me que seu Misael pertencia a várias Irmandades da Igreja Católica da Cachoeira, sem problemas, é o propalado sincretismo baiano. Ele gozava da fama de cantar aos Orixás, em várias línguas africanas: kêtu, iorubá, ticongo e igejá.
Ainda em vida, seu Misael reconhecia a dificuldade de manter o secular terreiro funcionando, e fez de tudo para que o Patrimônio Histórico Nacional efetuasse algumas obras de recuperação na propriedade, salvando assim a história de Xangô que nossos avós africanos trouxeeram da África para o Brasil, notadamente para a Cachoeira.

 
 


 
 
                                                 ACONTECEU
Vem da mama África do Sul, da cidade de Pretória, a notícia surreal: o pastor Penuel Mnguni, da Igreja End Times Disciples Ministeries, incita aos seus fiéis a engolirem cobras para provarem sua fé, afirmando em suas pregações que o réptil "tem gosto de chocolate !"
O meu pensamento retroagiu aos tempos em que, Aloísio Berto da Silva (foto), sapateiro de profissão chegou à Cachoeira e resolveu abrir um bar a que deu o nome de Cabana do Pai Tomás, nome fantasia que acabou sendo o codinome de Aloísio: Pai Tomás!
Pai Tomás, sem grana para comprar bebidas, no início, criou uma novidade que se tornou alvo de reportagens na grande imprensa baiana: a infusão de cachaça com cobras. Não tenho notícias se alguém passou mal ou se saiu comentando que as serpentes tinham gosto de Nescau. 

Na recente reunião do Comitê Executivo da Fifa, em Zurique, na Suíça, o comediante inglês Simon Brodkin driblou a segurança, aproximou-se de Blatter e protestou de forma bem humorada, dando-lhe um "banho" de dólares falsos, claro. Por isso mesmo, Blatter emputeceu, pediu aos seguranças para expulsarem o comediante da sala, comentando:
-Há gente que não conhece seu limite. Osso faz parte da vida.
Será que o Blatter conhece?  Responda quem souber...quem sabe é Deus!

 


 



No Motel Vips, em São Gonçalo, aqui no Rio, um senhorzinho de 93 aninhos levou uma linda jovem de programa. Antes da saliência, sem que a moça visse, a fim de se sair bem nos trabalhos dessa área, engoliu três comprimidos do azulzinho. Rapaz...o vovô deu um piripaque e quase bateu a caçoleta. A moça pediu socorro e se picou.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acuado pelo Ministério Público na Operação Lava-Jato, partiu pra revanche com o governo, autorizando a instalação de uma CPI para apurar as operações creditícias do BNDES.
Embora classificada de uma vingança de descontente, que é uma jogada para a arquibancada, a patulea acredita que, se a tal CPI avançar, poderá jogar luz em algumas perguntas que o governo oculta. por alguma razão.

Os principais jornais e vários programas de televisão do México apresentaram um vídeo de aproximadamente dois minutos em que aparece uma figura bizarra de um suposto extraterrestre em cima de um telhado. O tema, - como sempre quando se trata de discos voadores e Ets -, está provocando acalorados debates.
Eu, francamente, não consigo entender como é que um animal de aparência dinossauríca possa deter a tecnologia de voos intergaláticos.

E para finalizar, galera, uma holandesa chamada Dominique Lesbirel (foto),  possui um site onde realiza "casamentos" entre pessoas  e animais! Segundo ela, algumas regras terão de ser respeitadas como ter respeito pelos bichos.
Ela mesma escreveu que está "viúva" de um gato a que ela deu o nome de Foerack. Quando estava inconsolável, apareceu na vida dela um cachorro (também na foto) e ela, além de dar-lhe nome (Travis), prometeu "casar-se" em breve.
Alguns patrícios da Dominique a criticam, suspeitam que, no mínimo, isso trata de um incentivo ao sexo entre pessoas e animais. O que é que você acha?
 



 



 



 
                                                             
                                                                      
 
Dizer o quê diante da beleza arquitetônica que se nos depara? O destaque, naturalmente, é o belo sobradão ao centro onde, dentre os diversos estabelecimentos comerciais, funcionava a Indústria de Calçados Rio Negro e a Loja Santo Antônio de Júlio José da Costa.
Totalmente destruído por uma incêndio na década de 50, foi reconstruído (sem a parte de cima) e abriga o Fórum da cidade.
Fala, galera !

Ubaldo Marques Porto Filho
Estimado Erivaldo,
Acabo de ler o JORNAL DE ONTEM, HOJE E SEMPRE e, como sempre, muito enriquecedor para os conhecimentos de quem gosta da Cachoeira.
Erivaldo é o nosso grande cronista do passado> Parabéns!

segunda-feira, 20 de julho de 2015


PESQUISA
O cinema em S.Félix e Cachoeira
O memorialista Francisco José de Melo, meu saudoso amigo Chiquinho Melo, no seu precioso livro Crônicas Memoriais, nos informa que, o Cine Teatro Cachoeirano, o CTC, foi fundado no ano de 1922, e que ele próprio começou a frequentá-lo três anos depois, portanto, em 1925.
Em 1º de setembro de 1916, vinha à lume a revista de publicação quinzenal chamada A Árvore, cujo editor era Ernesto Malheiro. A redação da referida revista era na Rua Rodrigo Brandão (Rua do Fogo) nº 9, era impressa nas oficinas gráficas situada na Rua 20 de dezembro n°26 na vizinha cidade de São Félix. Colaboravam com A Árvore, Alcides Soares, Augusto de Azevedo Luz, Durval Chagas, Maciel Júnior,Sabino de Campos e Pacheco de Miranda Filho.
Naquela primeira edição e nas seguintes, (ano de 1916), tomamos conhecimento da existência das seguintes casas de espetáculo: Cine Avenida e São Félix, na vizinha cidade e no Elegante Cinema, na Cachoeira. Em assim sendo, o Cine Teatro Cachoeirano, - daqui pra frente apenas CTC ´-,não foi o primeiro cinema a ser instalado na Cidade Heróica. 
O CTC com um pequena torre e o maestro Frois
O Elegante Cinema foi instalado exatamente no dia 18 de janeiro de 1914, funcionava na Rua Rui Barbosa (então Rua das Lojas), sob a direção do maestro e regente da Minerva, Francisco Fróis, autor de algumas Ladainhas e da famosa Jaculatória à Virgem do Rosário. 
Segundo A Árvore, "O Elegante Cinema vem funcionando regularmente, exibindo películas de fino enredo passional e urdidura artística". Também o Avenida e o São Félix, ainda de acordo com a publicação a que estamos nos aludindo, "trabalham no afan louvável de prodigalizar aos seus habitués, horas de prazer, focalizando nas suas telas as criações afamadas de fábricas de renome mundial em assuntos cinematográficos".
Naqueles tempos, usavam-se palavras em francês, como no presente se faz com o inglês; habitués (frequentadores), avant-premiera (primeira mão), matinée (sessão pela tarde), soirée (sessão pela noite), etc.
O Elegante Cinema funcionou por pouco tempo.
A Cachoeira e São Félix não possuíam, ainda, energia elétrica. A da Cachoeira foi inaugurada em 6 de fevereiro de 1930. O CTC, conforme Chiquinho Melo, tinha geradores instalados na Ladeira da Cadeia (antiga), atual Benjamin Constant.
O proprietário do CTC foi o doutor Cândido Elpídio Vacarezza (foto)Era um cachoeirano de visão empresarial, foi Intendente (1926/27 e Prefeito em 1931.
Chiquinho Melo nos detalha nas suas Cronicas Memoriais, que a bilheteria ficava a cargo de José Amaro Lopes (pai do saudoso amigo Zé Minho); na portaria, seu Emílio Melo, avô de Cleonice, Egberto, Perolina e Laudílio; o operador era Antero Silva, mais conhecido como Terinho, tio de Lêda Margarida, nossa assídua leitora.
Como na época de Chaplin,Tom Mix e Buck Jones o cinema era mudo, para acompanhar as películas, existia a figura de uma pianista. No Elegante Cinema era  dona Iazinha Soares (irmã do advogado Luiz Soares), e, no CTC, dona Hermínia, depois dona Benícia, apelidada de "Treme-treme".
O cinema falado na Cachoeira se deu a partir de 21 de junho de 1937. De novo o pioneiro foi o CTC, onde de fato, desde a sua inauguração, foi palco não somente de grande filmes mas, de recitais, show de grande artistas como Sílvio Caldas, Alvarenga e Ranchinho,Orlando Silva e concertos das filarmônicas da região e da orquestra Sinfônica da Bahia, em 12 de setembro de 1948, regida pelo padre Mariz.
A Companhia de Teatro Olímpia da Bahia, que jamais havia se apresentado no interior, se apresentou no palco do CTC. Ali foram encenadas as seguintes peças: Nos pelas Costas, Então salve a China, Os dois Sargentos, Fruto Proibido, O Trabalho, Brilhante das Lavras e João e Maria.
Segundo os jornais A Ordem, Pequeno Jornal, O Social e A Cachoeira, os artistas mais apreciados pelo público foram Norberto Teixeira, Isabel Ferreira, Inácio Brito e Modesto de Souza.
Eu comecei a frequentar as matinés do CTC no final da década de 50. Na bilheteria quem trabalhava era uma senhora que todos chamavam de "dona Vivi". Eu tinha a impressão que ela tomava uns aperitivos, nos domingos, pois chegava alterada, discutia com a garotada que ficava zoando a pobre coitada:
- Dona Vivi...
- ada!
- Dona Vivi...
- ada !
 A portaria ficava a cargo de seu Antônio, sempre vestido de branco. Ele também tirava uns roncos depois que a película começava dando chance para que os chamados "capitãs de areia", meninos sem grana, pudessem entrar de graça. presenciei algumas vezes o operador do cinema, Renério e o seu auxiliar Mundinho Burilão oferecerem gratuidade a quem se prestasse a levar uns "cocorotes" (cascudos, tapas na cabeça). Pura maldade.
O dono do cinema, Ioiô Vacarezza foi quem substituiu o velho Vacarezza quando este faleceu em Salvador em 15 de julho de 1945.
Os meninos da minha época, além da troca de revistas em quadrinhos, colecionavam impressos em papel quadros de películas com artistas famosos. O fotógrafo Djalma São Bernardo é quem fazia.
O CTC foi comprado pela Ciª Cinematográfica Frederico Maron, proprietário de vários cinemas, e foi reinaugurado com o nome de Cine Glória em a noite de 14 de maio de 1952, com a exibição do filme O Corcunda Notre Dame. Eu estive presente na noite seguinte, quando foi exibido o filme Os Amores de Carmen. Acabei ficando apaixonado pela atriz Rita Hayworth (foto acima)
No palco do Cine Glória apresentaram-se artistas de sucesso da época de ouro do rádio: Vicente Celestino, Dóris Monteiro, Caubi Peixoto, Ângela Maria...
Em 1960, eu fazia locução em A Voz da Cachoeira com Adilson Januário do Nascimento, um grapiúna que veio para ser operador do Cine Glória. Surgiu uma vaga deixada por Ivan Rodrigues que foi trabalhar na firma Magalhães e Ciª., Adilson, então, me indicou ao então gerente do cinema, Osmundo Araújo, e eu trabalhei no Glória durante algum tempo, até que fui nomeado para trabalhar na Prefeitura na primeira gestão do prefeito Julião Gomes.
Na foto abaixo,da esquerda para a direita, Osmundo Araújo gerente do Cine Glória (depois meu colega no Banco da Bahia),Erivaldo Brito (empunhando um microfone) e Adilson Nascimento.



O Glória, aos domingos, tinha locais "marcados" que se guardavam para familiares retardatários (na parte térrea), por vezes entravam cadeiras extras para as laterais, todo mundo se apresentava bem vestido, quando a projeção começava ninguém podia fumar. No mezanino e na parte mais acima ainda, que a patuleia chamava de "poleiro" ficava a turma da pesada, os humildes, e as putas.
O Cine Glória possuía uma amplificação estereofônica, filmes em Cinemascope e 3ª dimensão, além de lançamentos simultâneos com os cinemas da capital.
 Em dezembro de 1960, com a chegada da televisão (TV Itapoan), com a venda de aparelhos no crediário (Albertoni Bloisi, em S.Félix, Casa Aurora, na Cachoeira), a concorrência ao cinema se fez sentir. Telmo Luís Ramos Sampaio (foto) que já era gerente do cinema de São Félix, passou a controlar o cinema da Cachoeira, dando-lhe o nome fantasia de Cine Real, depois, em 1987 de Cine Astro, depois retornou ao antigo nome, Cine Teatro Cachoeirano. Telmo reconhecia que, para aplacar os prejuízos da semana, programava filmes eróticos (vide foto de Arnold Conceição). Cheguei a sugerir a ele que criasse uma espécie de "Sócio do Cinema", a pessoa pagava uma mensalidade que daria o direito de assistir tantos filmes. Isso daria a ele um capital de giro tão necessário para cobrir seus custos e uma previsão do que ele poderia alocar ou não.
Infelizmente, depois de uma grande cheia do rio Paraguaçu (eu já estava morando na Vila Residencial em Muritiba), Telmo estava de vassoura em punho em cima da marquise do cinema, perdeu o equilíbrio, caiu, teve fratura craniana e veio a falecer.
Recentemente, seguido li em O Guarany, o CTC voltou a funcionar, sob a direção da Faculdade e do Curso de Comunicação. Não sei se regularmente mas, voltou, ainda bem, Aquele local, pela sua história, pelo seu passado, jamais poderia ser profanado com tempos de exploração da fé do incautos, como de fato aconteceu em várias casas de espetáculos pelo Brasil afora.






 
 

 
 
MEMÓRIA
CIMPASA – Um projeto fadado ao insucesso.
Há 48 anos passados, exatamente no dia 22de outubro de 1967, era instalada em Belém, distrito da Cachoeira, na Bahia, a Companhia de Industrialização da Mandioca do Paraguaçu - CIMPASA -.  A mandioca, na visão de alguns empreendedores cachoeiranos seria a salvação da lavoura, ou melhor, o retorno da Cachoeira aos áureos tempos da cana-de-açúcar, do tabaco e do dendê que abundava nas regiões do Iguape e S.Francisco do Paraguaçu, daí a fábrica Óleos de Palma S/A - OPALMA -.então existente e em pleno funcionamento.
Confiavam no projeto CIMPASA vários amigos: Waldo Azevedo, Adauto Sales, Egberto Melo, Laudílio Melo, Osmundo Araújo (os dois últimos meus colegas do Banco da Bahia),e, por isso mesmo, comprei algumas ações da empresa, na época, no valor nominal de cinco cruzeiros novos.
No dia da inauguração, o vigário da paróquia Monsenhor Fernando Carneiro, como era de praxe, abençoou as instalações, seguindo-se a palavra do doutor Mecenas Mascarenhas. Eu caí matando no churrasco.
Não demorou, galera, e o primeiro a cair foi o reservatório de água da empresa que, desde a sua construção o povo humilde da região já profetizava:
- Esse tanque vai cair!!!
O referido tinha formato futurista, de longe parecia uma nave interplanetária,mas, sustentado apenas por um cano de pequena bitola por onde subiria a água. Assim, quando foi encher...Práááá´! Com uma queda foi ao chão.
Logo depois,foi a própria empresa que não se sustentou pelo simples fato de não possuir a sua própria área de plantio da mandioca sujeitando-se, assim, ao preço que fosse pedido pelos produtores acostumados a produzirem a própria farinha para seu consumo e venda do excedente. 
Na festa de Nossa Senhora da Ajuda daquele ano de 1967, no Terno das Críticas, uma criação nossa com a prestimosa ajuda do saudoso amigo professor Renato Queiroz, o tema da queda do tanque da CIMPASA não poderia ficar de fora. Fiz a charge conforme reproduzimos abaixo. Então, galera, quando o terno saiu do sobrado em cuja parte térrea funcionava o bar de Dadinho (bar O Sucesso), ao subir a rua da Matris (Ana Neri), fiquei espantado quando vi que o cartaz com a gozação sobre a queda do tanque estava na mão de quem? tchan,tchan,tchan,tchan... Um dos diretoras da empresa, Laudílio Melo ! (foto)
Não, galera, não foi o acaso. Pra mim, foi coisa do compadre Valdir de Gegeu.
 
Arnol Conceição, o cinegrafista esquecido

De altura mediana, magro, passos lentos, em punho uma máquina fotográfica profissional, lá ía subindo da Rua da Feira, Arnol Conceição, nascido na vizinha cidade de São Félix, radicado, porém, na Cachoeira, casado com Edite, também fotógrafa.
Após haver participado como assistente de fotografia e como figurante do premiadíssimo O Pagador de Promessas, Arnold produziu algumas curto-metragens onde focalizava a marginalização dos afrodescendentes das duas cidades irmãs, suas vidas e seus costumes.
Quando eu fui editor e redator-chefe de A Ordem, jornal que circulou por algum tempo na Cachoeira, tive em Arnold um colaborador eficiente, sendo de autoria dele grande parte das fotos que ilustravam as matérias. Na ocasião, lancei, também, um mensário chamado Desenvale Notícias, no canteiro de obras de Pedra do Cavalo, por isso, mesmo, com conhecimento com engenheiros das várias empresas, procurei ajudá-lo a realizar o sonho de um longa focalizando a população ribeirinha ao rio Paraguaçu. O roteiro era de um dos diretores da Desenvale, o professor Walfrido Moraes.
Cheguei a assistir na casa dele, na Ponta da Calçada, um copião do seu trabalho. Arnold, mais uma vez se ocupava de temas sociais com algumas cenas de localidades de gente miserável e que desapareceriam quando do enchimento da barragem.
Não sei bem certo se o filme foi concluído. Talvez o professor Raimundo Cerqueira tenha algo a dizer sobre tão precioso documento, mesmo inconcluso, antes que seja perdido para sempre.