segunda-feira, 20 de julho de 2015

Arnol Conceição, o cinegrafista esquecido

De altura mediana, magro, passos lentos, em punho uma máquina fotográfica profissional, lá ía subindo da Rua da Feira, Arnol Conceição, nascido na vizinha cidade de São Félix, radicado, porém, na Cachoeira, casado com Edite, também fotógrafa.
Após haver participado como assistente de fotografia e como figurante do premiadíssimo O Pagador de Promessas, Arnold produziu algumas curto-metragens onde focalizava a marginalização dos afrodescendentes das duas cidades irmãs, suas vidas e seus costumes.
Quando eu fui editor e redator-chefe de A Ordem, jornal que circulou por algum tempo na Cachoeira, tive em Arnold um colaborador eficiente, sendo de autoria dele grande parte das fotos que ilustravam as matérias. Na ocasião, lancei, também, um mensário chamado Desenvale Notícias, no canteiro de obras de Pedra do Cavalo, por isso, mesmo, com conhecimento com engenheiros das várias empresas, procurei ajudá-lo a realizar o sonho de um longa focalizando a população ribeirinha ao rio Paraguaçu. O roteiro era de um dos diretores da Desenvale, o professor Walfrido Moraes.
Cheguei a assistir na casa dele, na Ponta da Calçada, um copião do seu trabalho. Arnold, mais uma vez se ocupava de temas sociais com algumas cenas de localidades de gente miserável e que desapareceriam quando do enchimento da barragem.
Não sei bem certo se o filme foi concluído. Talvez o professor Raimundo Cerqueira tenha algo a dizer sobre tão precioso documento, mesmo inconcluso, antes que seja perdido para sempre.

 

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