sexta-feira, 10 de julho de 2015


Houve um tempo, crianças, quando o S.João era comemorado apenas nas casas de família, que o ponto alto dos festejos do 25 de Junho era sem dúvida o desfile cívico, onde despontava a Banda Marcial do Colégio Estadual da Cachoeira, sob a direção do compadre Valdir de Gegeu e, depois, Rogério Almeida.
Ninguém se preocupava se o governador vinha, e olha que ACM, o "Toninho Malvadeza" chegou a instalar o governo do estado da Bahia, antes do decreto da senadora cachoeirana Lídice da Mata. 
Estávamos em pleno regime militar. O presidente da República era o General Médici. Após a sessão da Câmara de Vereadores, o alunos, sem qualquer aviso prévio, encenaram em plena praça onde os fatos históricos aconteceram. Balas de festim espoucaram no ar, o personagem Manoel da Silva Soledade, oTambor Soledade caia por terra, colocando "golfadas de sangue".  Se fosse hoje, galera, ia ser o maior tumulto, não ficava ninguém na praça.
O pátio da prefeitura esta repleto de autoridades inclusive patentes militares do 4ª Região Militar, Sargento e tropa do Tiro de Guerra da cidade. Então, galera, na segunda janela da Câmara (conforme retratado pelo pintor Antônio Parreiras), empunhando uma bandeira, um "patriota" bradou:
- A Cachoeira já não tolera mais a tirania, os cachoeiranos vão empunhar armas a fim de combater as injustiças e o opressores !
Da última janela, a funcionária da prefeitura chamada Edelzuíta assistia o espetáculo junto ao seu irmão, Nogueira que entendeu o caso ao pé da letra e resolveu entrar em cena, berrando:
- Muito bem! Você está sendo muito feliz, garoto. Os militares estão matando o povo de fome, os aposentados estão sofrendo como corno!
Dava pena ver as autoridades municipais com aquele gesto do indicador girando em torno da fronte, tentando esclarecer aos militares que o pobre coitado sofria das faculdades mentais.
 

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