sexta-feira, 24 de julho de 2015

 
PERSONAGENS
Seu Misael
Diz um velho adágio que um assunto puxa outro. Pois bem; escrevi sobre o clube social e esportivo Desportiva do Paraguaçu e sua Falange Feminina mas, não encontrando, na ocasião, as devidas anotações, deixei pro lado tal detalhamento, o que faço agora.
A Falange Feminina da Desportiva foi criada na gestão do médico Aurelino Serafim dos Anjos e foi instalada em a noite de 18 de junho de 1945. Completo a informação para que interessar possa: Presidente de Honra - Manoela Carneiro Rego.
Vice Presidente - Cármen Régis.
Presidente - Josina Marques.
Vice Presidente - Analiz Soares Serafim dos Anjos.
Primeira Secretária - Edméia Ventura Passos.
Segunda Secretária -  Dulce Azevedo.
Primeira Oradora - Ivone Rabelo Soares.
Segunda Oradora - Elvira Pereira.
Tesoureira - Augusta Pereira.
Diretora de Publicidade - Eurídice Santana.
Como eu disse que uma coisa puxa outra, em nossa lembrança, quem cuidava da portaria do clube, sempre atento para olhar a carteira do associado e checar se a mensalidade estava em dia, era seu Misael (foto), pai de Wandecok,componente do Trio Caçula (anterior a Os Tincoãs) e do conjunto melódico Gwelpan Bossa.
Para dizer um pouco do saudoso seu Misael Ribeiro dos Santos, peço vênia ao amigo Cacau, o breve doutor Luiz Cláudio Dias do Nascimento, pós-graduado em estudos étnicos e africanos da UFBª.
Nascido a 7 de março de 1913, seu Misael , marceneiro de profissão, foi nomeado funcionário público pelo doutor Augusto Públio. Aposentou-se. Na sua única entrevista na extinta revista Viverbahia, dos áureos tempos da Empresa de Turismo da Bahia/a, - Bahiatursa -, ele disse que a sua iniciação no candomblé se deu quando ainda era menino, levado pela sua mãe, que era mãe-de-santo na Casa do Barro Vermelho. Ao contar 12 anos, ele já era Ogan do Terreiro Viva Deus, uma casa centenária fundada por Zé do Vapor de quem ele, Misael, herdou a Casa e o compromisso depois da morte do tal Zé do Vapor.
 Lembro-me que seu Misael pertencia a várias Irmandades da Igreja Católica da Cachoeira, sem problemas, é o propalado sincretismo baiano. Ele gozava da fama de cantar aos Orixás, em várias línguas africanas: kêtu, iorubá, ticongo e igejá.
Ainda em vida, seu Misael reconhecia a dificuldade de manter o secular terreiro funcionando, e fez de tudo para que o Patrimônio Histórico Nacional efetuasse algumas obras de recuperação na propriedade, salvando assim a história de Xangô que nossos avós africanos trouxeeram da África para o Brasil, notadamente para a Cachoeira.

 
 


 

Um comentário:

  1. Esta foi uma boa reportagem escrita pela jornalista Lilian Andrade sobre o Seu Misael para a revista Viver Bahia.
    Erivaldo, sugiro que êscreva alguma coisa em seu blog sobre os antigos pais e mães de santo de Cachoeira. Seu Misael foi uma grande referencia, porem existe dezenas de nomes que precisamos resgatar a biogradia e historia deles. Um abraço, Moraes

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