sexta-feira, 24 de julho de 2015

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A chegada da “máquina de fazer doido” na Cachoeira
A garotada da minha época conhecia a televisão através do seriado de Flash Gordon (foto). Eu mesmo fui conhecer um aparelho de televisão ao vivo na casa de Maracajá, dono da fábrica de papelão Tororó. A minha madrinha, Laura, era modista, era ela quem costurava os vestidos da esposa dele.
No início da década de 60, um engenheiro em eletrônica chamado Raimundo, que se hospedava nos finais de semana se hospedava no Hotel Colombo porque namorava uma moça chamada Gerda Schinck, da sociedade sanfelixta, trouxe de São Paulo todo o equipamento e montou,no bairro da Federação, em Salvador, a emissora chamada TV Itapoan. 
Não sei precisar se alguém particular adquiriu e instalou alguma televisão mas, com certeza, a primeira exibição de seu em a noite de 17 de dezembro de 1960, com um aparelho instalado numa janela do sobrado onde funcionava a pensão de dona Lulu. A praça da Aclamação ficou superlotada,sobretudo porque naquela noite estava havendo um grande acontecimento social: o casamento da professora Diva, filha do renomado médico local Artur Nunes Marques.
A primeira imagem em preto e branco,que apareceu na tela, foi de Gastão do Rego Monteiro.
A televisão, que o cronista Sérgio Porto chamou de "máquina de fazer doido", ficou acessível para as comunidades sanfelixta e cachoeirana graças às vendas nos crediários concedidos por Albertoni Bloisi e Casa Aurora.
Naqueles dias, os aparelhos davam dores de cabeça. Eu mesmo tive uma televisão Sharp que a válvula só "pegava" quando se dava um tapa da caixa: Pô!  


E as antenas, meninos, que sufoco! Tubos de ferro galvanizados, antenas "escama de peixe", as internas eram envolvidas em Bom Bril. Se passasse um carro o cano de descarga fazia um auê:  prummmmmm!
E todo mundo reclamava:
- Fala com esse imbecil para desligar o motor. Bem na hora da novela!
Não tinha essa de controle remoto:
- Levanta aê, mexe no vertical...Não! É no horizontal!
Meu compadre Divaldo Soares "lutava" contra os pássaros que resolviam descansar na antena da casa dele. Comprava caixas de Adrianino, baixou a antena e pendurou uma bandeira branca mas os pássaros acabavam acostumando e esculhambando a antena.
Durante a Copa do Mundo de 62, no Chile, meu amigo Lourival Melo comandava uma galera a fim de assistir o videoteipe  dias depois, na sede do Ferroviário, em São Félix,onde se pegava a melhor imagem das duas cidades. Não se podia perder um lance porque não havia replay.
Por ser a cidade vizinha onde era melhor a imagem e sem muita "chuva", o prefeito Antônio Carlos Lobo Maia, com a parceria do técnico Iêdo, um funcionário dos Correios e Telégrafos local, criou uma repetidora com circuito fechado, um aparelhinho que se acoplava ao aparelho de televisão, mediante o pagamento de uma taxa mensal. Devido a problemas técnicos, a novidade não avançou.
Finalmente, no limiar dos anos 70, começaram a aparecer as transmissão em cores e as repetidoras de sinal. O local comprovadamente testado e aprovado era o morro Deus Menino, em São Félix.
Da esquerda para a direita: Erivaldo Brito fazendo uma entrevista com o prefeito Maia,para o "Correio de S.Félix". Ao contro, o doutor Ivo Santana e,  ao final,meus filhos Ana Laura e Lerinho assistem uma TV em cores.
O prefeito da Cachoeira, doutor Edson Rubem Ivo de Santana constituiu uma comissão formada por mim, Lourival Melo, Gérson Torres e Edvaldo Carneiro do rosário (Carneirinho)m a fim de recolher contribuições previamente estipuladas para aquisição de uma moderna repetidora. O prefeito recomendava que seria uma contribuição voluntária, um compartilhamento da sociedade, que o município cobriria o resto. Semanalmente o jornal A Cachoeira publicava a relação nominal de quem havia colaborado.
No dia 12 de janeiro de 1974 o sinal da repetidora ía ao ar,e,assim, os cachoeiranos puedramver uma imagem sem interferências.
 

 

 


 

                                                                                                       
 

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