sexta-feira, 10 de julho de 2015

 
PESQUISA
O esporte náutico na Cachoeira
Pouco se conhece, pouco se fala sobre o ferroviário Antônio Carlos da Trindade Melo, o benemérito idealizador de uma casa para albergar as meninas órfãs, o Asilo Filhas de Ana, (atual Colégio das Irmas Sacramentinas), que acabou de perder a finalidade proposta pelo seu fundador.
Para tocar o seu projeto, Trindade Melo promoveu algumas atividades, inclusive uma regata no rio Paraguaçu, no final dos anos oitocentos. Alugou uma casa de propriedade do Comendador Manoel Antônio Silva Pinto na rua 13 de maio, e, no dia 27 de setembro de 1891, fundou a sua instituição.
Trinta e sete anos volvidos, em 23 de julho de 1928, os cachoeiranos resolveram fundar o Club de Regatas Paraguassu (na época grafado com dois "esses"), com a presença de quinze elementos da alta sociedade: Cândido Cunegundes Barreto (eleito presidente), Dr.Cândido Elpídio Vacarezza, Mário Cirilo Ribeiro, Júlio José da Costa, Carlos Sampaio Nunes, Augusto Leciague Régis, Dr. Ary Guimarães, Dr.João Vieira Lopes, padre Augusto Cavalcante, Álvaro Ribeiro Guimarães, Dr.Alexandre Coelho Bahia, Leopoldo Costa, Eloi Bispo dos Santos, Aurino Santos e João Gualberto Soares.  
Um ano depois da fundação do referido clube, especificamente voltado para o esporte náutico, surgiu a idéia de uma abrangência esportiva maior voltada ao esporte. Assim, em sessão do dia 14 de setembro de 1929, presidida pelo doutore Augusto Públio Pereira, na sede da filarmônica Lira Ceciliana, o clube seria rebatizado de Associação desportiva  Paraguassu (ainda com dois "esses", e um deles desenhado na faixa ao contrário)
Na década de trinta, o tênis e o basquetebol começaram a rivalizar com as regatas, mesmo a Desportiva mantendo a hegemonia intermunicipal.
Vários foram os remadores cachoeiranos e sanfelixtas que se destacaram à época; Manoel Nonato Borges, Anarolino Pereira, Valdir Marques de Cerqueira, Manoel Joaquim, Péricles Barbosa, Arlindo Nobre, Orziel Gonçalves, José Sant'Ánna, Joaquim Palmeira, Grinaldo Carvalho, Clodoaldo Souza, Justino Magalhães, Ariston Barreto, Antônio L. Silva, Heraldo Ribeiro, Jackes Rocha, Waldemar Menezes, José Lima, Fernando Freire, os irmãos Renato e Nelson Lobo, Clóvis Ribeiro, Dagmar Souza, Severino Almeida, Ursecino Santos Júnior e Claudionor Macambira.
Em a tarde de 2 de junho de 1935, a Desportiva inaugurava a quadra de basquetebol no terreno dos fundos do prédio Escolar Montezuma, com a presença do então prefeito cirurgião dentista Durval Miranda da Mota, demais autoridades locais e a filarmônica Lira Ceciliana. A minha madrinha Laura Soares (vide foto abaixo), foi uma das madrinhas da solenidade.
 O time de basquetebol da Desportiva era famoso, jogou amistosamente em Feira de Santana e Maragojipe (foto abaixo), quando conquistou trofeus.

Na foto acima, em Maragojipe, em pé, da esquerda para a direito: Lídio Conceição (foi presidente do clube,posteriormente) , Salomão Lemos (o maior cestinha cachoeirano depois de Gilvandro "Ceguinho"), Valdir de Gegeu, Lourival, Hilbernont, recentemente falecido (um esportista completo, jogou voile e futebol profissional pelo Galícia) e Carlos Gottschal (presidente da Desportiva,na ocasião).
Agachados,na mesma ordem: (cidadão maragojipano não identificado), Percival Rocha, Hevandro "Pretinho", Pelado e Carlinhos Monteiro (diretor).
 Socialmente falando a Desportiva, por iniciativa do cirurgião dentista Geraldo Sales criou a categoria de Sócio Atleta, os presidentes Gottschal, Dr.Agnaldo Sampaio, Lídio Conceição, contando com o apoio da Falange Feminina ( Clarice,Analiz, Walda e Josina Marques, dentre outras),realizaram grandes eventos de sucesso como as Manhãs de Sol, Bailes de Debutantes, Festa do Rosário, 25 de Junho e o concurso de Rainhas da Primavera,(foto abaixo) inclusive com a eleição de uma cachoeirana (Marilia Mascarenhas), como Misse Bahia.
Infelizmente, devido à inadimplência de muitos associados, a transferência de muitas famílias, a própria decadência econômica da cidade, dívidas sociais e trabalhistas, a Desportiva onde despontaram vários músicos de talento do Conjunto Melódico Paraguaçu do grande Antônio Porto teve de encerrar as suas atividades. O prédio social  que pertenceu à Família Milton, (das famosas "Efemérides Cachoeiranas") foi desapropriado pela Prefeitura.
Como é fato notório entre os cachoeiranos, na grande enchente do 1960, as águas atingiram a parte térrea da sede. Quantidade enorme de documentos do Cartório da família Helvécio Sapucaia (inclusive de alforria de vários escravos), virou lama, não dava para nada se aproveitar. Na ladeira que dá acesso à Igreja de N.S. da Ajuda, em meio a uma sujeira enorme, consegui salvar as fotos que ilustram esta matéria. Lamentável.
 

Um comentário:

  1. Na primeira foto,Sonia Mamede, Ivonildes Sampaio, e Cecilia Luz, irmã de Benedito Luz, numa festa na Desportiva em Cachoeira.

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