sexta-feira, 7 de agosto de 2015

 
CACHOEIRA
Primórdios, florecimento e decadência
Segundo Luiz dos Santos Vilhena, o nome Cachoeira se originou das diversas pancadas de água "despenhadas de uma grande altura, pouca distância daquela Vila". Realmente, naqueles tempos, eram visíveis as quedas de água da Pitanga, Capivari e Caquende.
Os colonizadores portugueses tiveram um trabalho danado para sustentar e estender o povoamento pelo Recôncavo da Bahia, notadamente a Cachoeira.Foi uma campanha morosa,e, sobretudo sangrenta, que teve início no governo Tomé de Souza (foto esquerda) e de Duarte da Costa (foto direita)   Os Tupinambás (foto abaixo) resistiam e atacavam com fúria, deixando os colonizadores e seus familiares em situação de total insegurança.
Ao assumir o governo, Mem de Sá terceiro Governador-Geral, empreenderia uma campanha sistemática, contando sobretudo com a colaboração dos padres Jesuítas e o comando de Vasco Rodrigues Caldas.
Embora Vasco houvesse desencadeado uma guerra sem tréguas, os indígenas não se renderam totalmente, muito pelo contrário; permaneceram rebeldes e indomáveis refugiando-se às margens do rio, notadamente São Félix, nas matas virgens de Belém, Capoeiruçu, São Francisco e Santiago do iguape.
Com a ocorrência de novos conflitos, o próprio Governador Mem de Sá (foto) decidiu comandar pessoalmente a tropa do que seria chamada de "Guerra do Paraguaçu", cujos combates realizados em 28 de setembro de 1559, foram relatados pelo religioso Antônio Rodrigues, que acompanhou de perto aquela campanha fratricida em que centenas de índios foram dizimados, incluindo mulheres, velhos e crianças e queimadas mais de 70 aldeias.
Em 11 de julho de 1693, o rei de Portugal era informado sobre uma reunião de um núcleo de 60 índios no "Capoeroçu" (tapera Grande), atual distrito de Capoeiruçu.
Então, galera, com o alto preço do extermínio de centenas de vidas humanas, foi possível povoar as terras cachoeiranas que, segundo opinião do professor Pirajá da Silva, "tudo indica haver-se iniciado na propriedade rural denominada "Pedreira",de Rodrigo Martins e Luiz de Brito Almeida, junto ao Riacho Capivari  onde viviam muitos mamelucos. Mameluco, conforme sabemos, é uma palavra de origem árabe e "significa aquele de ascendência indígena".
Então, a Capitania do Paraguaçu não estava definitivamente livre dos ataques dos indígenas. A partir de 1612, os íncolas voltaram a atacar, sendo registradas invasão no Engenho Capanema, assim como a depredação de residências, devastação de lavouras e canaviais em todo o Recôncavo. Os indígenas passaram a contar com a ajuda dos holandeses expulsos de Salvador.
 Ao assumir o Governo da Província o Conde de Castelo Melhor, o Capitão Gaspar Rodrigues Adorno recebe a incumbência de combater e exterminar os selvagens que continuavam a assaltar os habitantes do Recôncavo, através Carta Régia de 6 de setembro de 1651. O capitão Adorno, como recompensa, foi agraciado com quatro léguas às margens do Paraguaçu.
Chegando em 1654 ao sítio onde se desenvolveria mais tarde a Cachoeira, o jovem Capitão João Rodrigues Adorno, filho de Gaspar, iniciou-se o processo de desenvolvimento e povoamento em sua vasta propriedade.
1 - desenho da primeira Capela da Ajuda - 2 O Patrimônio Histórico promoveu algumas reformas - 3 Novas intervençoes são realizadas na fachadoda igreja - 4 Igreja de Santiago do iguape, hoje totalmente em ruínas, e que foi a primeira matriz da então Vila de N.S.do Rosário do Porto da Cachoeira.
 Adorno construiu um sobrado (foto 1 abaixo) nas proximidades da Capela da Ajuda. O prédio foi totalmente remodelado (foto 2), sendo remodelado como se apresenta recentemente sendo para lá transferida a sede do governo municipal na gestão do prefeito Geraldo Simões (1983/88).
Foram construídas a chamada Casa de Purgar junto ao Riacho Pitanga, o Alambique (na rua ainda conhecida por esse nome), e a ponte de embarque. Do largo da Ajuda, portanto, partiu o povoamento e as construções.
O desenvolvimento cachoeirano, notadamente no século dezoito, deveu-se, sobretudo, ao porto fluvial local de escoamento de tudo o que vinha do sertão da Bahia através das estradas de Muritiba, Capoeiruçu e Belém, com destino a Capital, a extraordinária atividade açucareira com dezenas de engenhos em pleno funcionamento e as lavouras da mandioca e do tabaco. 
Foi a Cachoeira,a cidade baiana - talvez brasileira -, que maior número de jornais possuiu: cerca de 150, além de um jornal diário (o primitivo O Guarany) e duas revistas, a "Phenix" e a "Revista das Senhoras".
Cheia de março de 1940, rua 13 de Maio - Cachoeira BA
Na nossa modesta opinião, a decadência da Cachoeira teve como um dos fatores ter ficado obsoleto o transporte fluvial,  a abertura de novas vias de comunicação com a capital via terrestre (BR 101), as periódicas enchentes do Rio Paraguaçu (foto)que ocasionou o êxodo de muitas famílias,e,finalmente, o abandono da agricultura hoje mal suprindo as necessidades da população.
Da opulência cachoeirana até mesmo o acervo arquitetônico colonial sofreu danos irreparáveis não tão somente por causa das enchentes mas, pela ação do tempo, incêndios e demolições criminosas como a Igreja do Amparo, demolida para a construção de uma Maternidade.
O poeta Sabino de Campos, autor do Hino da Cachoeira, assim se reportou sobre o assunto:
                       A IGREJA DE NOSSA SENHORA DO AMPARO

Outrora, erguida,além, ao topo da ladeira,
Num mistério de luz que os altares lhe invade,
Era, a Igreja do Amparo, a expressão altaneira,
Dos coros, procissões, de festas e saudade.

Agora, a estertorar numa nuvem de poeira,
A visão enternece os olhos da cidade...
Embora tenha alí, a esperança, a Cachoeira,
De outro templo de amor; sua Maternidade!

Rolam traves e pedras, argamassa e tijolo
Escurecendo o espaço ambiente o espesso rolo
Do pó que o vento leva, em rumor de onda brava!

E, em meio ao turbilhão, o sino grande, em frente,
Na torre, badalava, abaladoramente,
Chorando a destruição do templo que tombava.
No detalhe, clichê do poeta Sabino de Sampos, sua assinatura facsimilada e fotogrfia da demolição da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, hoje um nobre bairro residencial da cidade.
A Cachoeira, hoje, além da presença acadêmica, possui e deve incentivar mais festivais e promover o turismo, divulgar matérias como a que assistimos na rede GNT apresentando as belas casas como a do doutor Evandro e doutora Rita Maluf. É uma contribuição valiosa e que incentiva a conservação das fachadas originais  com interiores belíssimos conforme assistimos na referida matéria.
 




 



 







 








 

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