sexta-feira, 7 de agosto de 2015

 
MEMÓRIA
No tempo dos alto-falantes
Quando surgiram os tijolões" e "orelhões", parecia ser o máximo de tecnologia. Depois vieram os modernos celulares que fotografam, filmam, mandam mensagem, o escambau, e se tornou indispensável para a maioria das pessoas eu resolvi testar ser possível abrir mão do meu.  E deu certo, não uso celulares. Tenho telefone fixo em casa e onde trabalho, tenho e-mail, facebook ,este blogger e estou satisfeito. Sou do tempo em que a patota se reunia para bater papo, contar piadas, a modernidade em informação eram os alto-falantes.
Os primeiros alto-falantes que apareceram foram, naturalmente,dos circos e parques de diversão. Com estúdio fixo e ramificação em grande parte da cidade, teve "A Voz do Norte" e "A Voz da Cachoeira", os pioneiros, mais ou menos da mesma época. Na janela do sobrado onde eu morava, tinha um alto-falante da "Voz da Cachoeira", e eu de calças curtas, adorava ouvir Bob Nelson, Luiz Gonzaga, Quatro Azes e Um Curinga, Augusto Calheiro, Chico alves dentre outros.
A "Voz do Norte" funcionava na Rua 13 de Maio, na parte térrea de um sobrado junto ao de doutor Aurelino. Um dos locutores era Álvaro Bechara, Afrodísio Silva (Pé de Valsa) e Xavier, que era o proprietário. A "Voz do Norte" transmitia os jogos do campeonato cachoeirano de futebol praticado no campinho Ubaldino de Assis. Então, galera, houve um jogo noturno em a noite de 29 de junho de 1949 entre o Real e o Botafogo. Xavier estava entrevistando o técnico Zé Barros, quando alguém não identificado passou a mão na bunda do entrevistado que berrou: "Vá passar a m]ao no cu da mãe!"
Para quem gosta de história, aquele não foi o primeiro jogo noturno da cidade. O primeiro, e talvez o primeiro do interior do estado, foi em a noite de 21 de agosto de 1921, o campo de futebol era a Praça Maciel. O feito foi possível graças ao gerente da Companhia de Energia Elétrica da Bahia, o engenheiro Gastão Pedreira. A partida, segundo jornais de época, "reuniu dois escretes com os melhores jogadores da Bahia".
E pra não perder o pique do futebol, todo mundo gostava quando ouvia as imitações de transmissão de futebol feitas com direito a sonoplastia dos treinos do Cruzeiro de Morenito e até dos babas na quadra do Montezuma feitas por Geambaskani Ribeiro, o popularíssimo Breno.
Num jogo no Ubaldino de Assis entre o Ipirnga e o Bahia (eu era o presidente do clube), Evandro Pretinho deu um carrinho e fraturou a perna de Bute. Com a lembrança ainda viva do que havia acontecido comZé da Peida que teve a perna amputad, chamei Jorge Bagaginha pra levar Bute para Salvador. Ao sairmos do campo, Breno, com a sua mania de locução, com as mãos em concha, fingindo um microfone, partiu para entrevistar o jogador machucado:
- E agora, Bute, você vai fazer falta?
E Bute chorando de dor:
- Como eu vou fazer falta se eu não vou poder jogar?
Naqueles tempos, locutor era chamado de specker, palavra inglesa. A patuleia reconhecia os seguintes "espiques": Reinaldo Paulino (Nadinho) cuja voz era reconhecida na leitura do livro de Júlio Lousada, da "Ave Maria"das 18 horas, Xavier, Américo (sanfelixta e tocador de violão), Afrodísio Silva (Pé de Valsa), maioria deles seguiram a carreira do rádio.
A "Voz da Cachoeira" tinha seus estúdios na Praça Maciel, no mezanino do sobrado onde morava o seu proprietário, Osvaldo Cortes de Oliveira (Mamá).
O responsável técnico era Pamponet, cuja oficina ficava na Rua do Fogo, frente ao fabrico de Roque Pinto, e o responsável pela linha de transmissão era Genario. Não raro, quando alguma linha apresentava defeito o locutor chamava:  "Alô, alô, Genario eletricista! Alô, alô Genario Eletricista! Compareça ao nosso estúdio com urgência".
Fazendo parte da edilidade cachoeirana (1959/62), o primeiro a esquerda, o técnico PAMPONET, a direita (assinalado com o número 2) o locutor Nadinho, e no detalhe, o locutor Álvaro Bechara.
 Adílson Januário do Nascimento, o grapiúna que veio para Cachoeira para ser operador do Cine Glória, foi ser locutor do "A Voz da Cachoeira"  Eu e Roberto Herval Lopes (Alemão), começamos a atuar alí, amigos que éramos de Adílson. Eu comecei a escrever um quadro humorístico e Roberto o programa "Boa Tarde Madame".
Além da veiculação de comerciais, a maior parte da receita provinha dos "Presentes Sonoros", quando os amigos noticiavam e parabenizavam os aniversariantes. Quem controlava a quantidade de "Presentes Sonoros" era dona Áurea, irmã de Mamá.
Um dia Adílson descobriu como é que ela sabia a quantidade de "Presentes Sonoros" quando terminava a programação e ele ia prestar contas a ela. É que ela ficava com um caderno anotando tudo pois tinha em casa um pequeno alto-falante. Então, certo dia, Adílson falou assim com Roberto:
- Alemão, eu vou desligar a caixa de dona Áurea e você pica o pau!
"Pica o pau" significava anunciar o que pudesse dos "Presentes Sonoros" enquanto dona Áurea berrava lá de cima:
- Seu Adílson, a minha caixa pifou !
Naquele dia, Adílson bancou a cervejinha que tomamos no Bar 7 Portas.
A Desportiva do Paraguaçu também adquiriu um serviço de alto-falantes, o estúdio era no sótão da própria sede, na Rua Ana Neri. Eram locutores, Pipiu (irmão de boboco) e Gilberto Braga (Betinho); Depois o estúdio desceu para a parte térrea, Fernando Álem (Alacrim) fazia um programa esportivo, Eu, Betinho e Alemão fazíamos, aos domingos, show de Calouros e variedades. Alemão idealizou,escreveu e participou de um radioteatro, talvez o primeiro da cidade. O nome era "O louco da Montanha". Certa manhã, estava no ar mais um capítulo da novela quando entrou de repente o presidente do clube, Carlos Gottshall, no exato momento que Roberto Alemão interpretava o seu personagem, o próprio louco da montanha:
- Quero carne ! Quero carne!
E Gottschall:
- E eu quero o meu guarda-chuva, Alemão, que você apanhou ontem a noite lá no Night !!!
O sonoplasta aumentou o volume da música de fundo e desligou os microfones porque a turma caiu na gargalhada. 
Na foto acima, Eu, Adílson e Roberto Lopes (Alemão). Na foto de baixo, eu fazendo uma entrevista com o então governador Roberto Santos para a Emissora Radiovox

O padre Fernando Carneiro comprou do frei Lamberto um equipamento e um alto-falante que ele mandou instalar em cima da torre da igreja Matriz e deu o nome de "A Voz da Assistência Paroquial". O locutor era Braga. O restante do equipamento foi adquirido pelo ferroviário  Elias Cardoso de Jesus, mais conhecido pela alcunha de Paco-Paco (foto) e inaugurou a sua "Vozes da Primavera" em 21 de Setembro de 1949.
O primeiro locutor de Elias foi Nelito braga, mais conhecido como Peru Careca e a sede era no prédio da Caridade dos Operários.
 Iniciaram suas carreiras na "Vozes da Primavera", dentre outros, Pedro Zuri (foi presidente do Sindicato dos Radialistas da Bahia), Argemiro T.de Almeida, Paulo Cerqueira (atual comentarista de futebol da TV) e um filho de Elias que atuou na Radiovox e numa emissora de Cruz das Almas.
Elias entrou para o anedotário da cidade por causa das suas interferências radiofônicas, quer no programa de calouros (quem peidaram no arditório) e no programa "Turbilhão de Melodias". Eu mesmo contei em livros e artigos vários"causos".
Na década de 60, Gileno resolveu abrir um alto-falante na Cachoeira. Os locutores era Adilson e Wilson Pigmeu. A sede do alto-falante "Radiovox" era na Rua 25 de Junho, na sede do Cruzeiro, em cima do sobrado onde também funonava a barbearia de Vardinho.
Quanto a idéia de uma emissora, a primeira que funcionou "em fase de experi~encia" foi a "Rádio Presideente do Vale do Paraguaçu" na Rua Rui Barbosa, na Oficina Monteiro. O seu proprietário era Fausto Monteiro, pai de Tonho Monteiro que mantinha um serviço de alto-falante móvel para anunciar sobretudo os falecimentos.

 Enchente do ano de 1947, aparece à esquerda a Oficina Monteiro, onde funcionou a primeira emissora de rádio cachoeirana,a "Rádio Presidente do Vale do Paraguaçu" de Fauto Monteiro

Enquanto eu morei na Região, quem mantinha um serviço de alto-falantes era o vereador Gilberto Franco.





 

 

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