sexta-feira, 4 de setembro de 2015

 
História
Getúlio: suicídio ou assassinato?
O dia 24 de agosto de 1954 ficou indelevelmente registrada em minha mente de menino. Na manhã daquele dia, o pessoal lá de casa se assustou com uma gritaria histérica e correram todos até a janela do sobrado para ver o que é que estava acontecendo. Corri junto e até cheguei primeiro.  Dezenas de mulheres da Fábrica Leite Alves saíram gritando alucinadamente pela rua, muitas desmaiaram, quando souberam através do rádio da morte de Getúlio Vargas.
Meu pai adorava o "Pai dos Pobres", chegou a filiar-se ao PTB e candidatou-se a Vereador,então, interessei-me também pelo personagem lendo revistas, livros e acompanhando documentários nos cinemas, e da visita que ele fez no ano de 1933 a São Félix e Cachoeira (foto).
Em dezembro de 1999 conseguí trazer a minha mãe para visitar sua irmã, Georgeta, que morava em Realengo, ver o Rèveilon de Copacabana, conhecer o Maracanã, o Corcovado e outros pontos turísticos. No Palácio do Catete, mais precisamente no quarto presidencial, eu pude verificar a emoção que a minha mãe sentia.
Apesar de tantos anos volvidos, de tanta literatura, a morte de Getúlio continua sendo especulada; foi assassinato ou suicídio? Um prato cheio para os eternos teórico da conspiração que dizem ter sido tudo forjado tendo como "prova" as duas versões existentes da famosa Carta Testamento. A original, escrita do próprio punho e a segunda, que foi entregue aos jornalistas, datilografada  por José Soares Maciel Filho, que era o redator oficial dos discursos do presidente. Ele, por certo alterou o original do original, sabe-se lá por que motivo.
Uma simples análise dos acontecimentos históricos nos leva a uma conspiração política com apoio das Forças Armadas a fim de derrubar Getúlio da Presidência. O jornalista Carlos Lacerda é o principal fomentador, tendo como colorário o atentado na Rua Toneleiro pelo chefe da guarda pessoal do presidente, Gregório Fortunato (foto), no qual foi morto o major Rubem Vaz. O cerco se fechava. Vargas, pressionado acenou com uma licença. Lacerda explorava o atentado publicando matérias e fotografias de que ele tinha sido vitima o que hoje é contestado porque o laudo do hospital (Miguel Couto) simplesmente desapareceu.
A vedete Virgínia Lane (foto), era voz corrente que era amante de Getúlio. Depois de velha, ela apareceu contando para a imprensa que quatro homens invadiram o quarto do presidente, que ele pediu a Gregório que a tirasse de lá e ele obedeceu jogando-a da janela e ela acabou sofrendo algumas fraturas e hematomas pelo corpo.
A tese da vedete não se sustenta pelos seguintes motivos:
- Por que Getúlio pediu a ela que nada falasse sobre o pretenso assassinato?
- Como foi escrita a Carta Testamento do próprio punho de Getúlio?
- Por que Gregório não reagiu ?
No dia da morte de Getúlio, o general Mascarenhas de Morais convocou uma reunião ministerial a fim de avaliar o cenário político. Alguns ministros queriam resistir, outros aconselhavam a renúncia. Getúlio rascunhou em sua Agenda o seguinte: " Já que o Ministério não chegou a nenhuma conclusão, eu vou decidir. Determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida,entrarei com um pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos  encontrarão aqui o meu cadáver".
Naquela mesma noite o irmão do presidente, Benjamin Vargas foi preso, os militares não queriam a simples renúncia, e, sim, o afastamento definitivo. Eram 8:30h da manhã de uma segunda-feira quando um único disparo foi ouvido no Palácio do Catete. Naquele 24 de agosto de 1954, Getúlio que já havia tentado o suicídio quando da Revolução Constitucionalista de 1932, cunhou a frase que se tornou célebre:
"Saio da vida para entrar na História". 

 



 



 


 

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