sexta-feira, 4 de setembro de 2015

 
MEMÓRIA FUTEBOLÍSTICA
O E.C. Bahia em Muritiba
Mesmo depois que a minha avó, Lalu, vendeu a casa na Rua do Sertão, em Muritiba, e comprou a casa do engenheiro Humberto Pacheco, no Curiachito, imóvel que foi reformado e onde reside o doutor Pina, o meu pai não deixou de veranear na bela e aprazível Cidade Serrana.
Entre os anos de 1957/58, meu pai alugou uma casa vizinha ao doutor Copelo, bem em frente ao Armazém da firma  Pimentel. O Estádio Raulino Lima havia sido reinaugurado, o Esporte Clube Bahia, um timaço que conquistaria o campeonato brasileiro de 1959, ia fazer um jogo amistoso  contra um combinado local com alguns jogadores da Cachoeira.
O meu amigo de infância, Sócrates Ventura Passos, Tó, filho do renomado professor Salvador, subiu da Cachoeira para ver o jogo. No Bahia, jogava o meia atacante Sandoval, mais conhecido como Natinho, primo do engenheiro Virgílio Elísio.
Apesar de bem mais velho do que eu e Tó, por várias vezes Natinho entrava em nossos "Babas" no passeio do Telégrafo.
A delegação do Bahia ficou hospedada num bangalô contíguo ao prédio da prefeitura. Fomos, eu e Tó até lá. Dos jogadores que Natinho nos apresentou, recordo-me de Osvaldo Baliza (foto a esquerda ), que foi goleiro seleção e do Botafogo do Rio, do zagueiro Juvenal, da seleção brasileira e do Flamengo (foto a direita) e do ponta direita Marito dos cabelos cor de milho.
Eu e Tó fomos assistir ao jogo. Do combinado muritibano, lembro-me apenas do jogador cachoeirano Didi Zoião (foto) e Pedro Orquestra pelos muritibanos.Ah! não sei se o goleiro muritibano foi Lessa... Sei que o Bahia venceu por 5 a 1.
No ano de 1961, estando no Rio de janeiro como componente do grupo original de Os Tincoãs, estive algumas vezes com Natinho que havia sido transferido para jogar no Vasco da Gama. Aposentado, ele era gerente de uma empresa de transportes interestadual ligando o Rio a Minas Gerais. Ele lembrava do jogo e mais nada.
Algum tempo após o nosso retorno para Cachoeira, soubemos que Natinho sofreu um acidente, foi atropelado na presidente Vargas e veio a falecer.
Quando eu estive secretário da prefeitura da Cachoeira na primeira gestão de Ariston Mascarenhas (1971/72), tive, curiosamente dois contatos que poderiam me dizer algo sobre aquele amistoso. O primeiro foi com o professor Adroaldo Ribeiro Costa,(foto) antigo criador e animador do programa "A Hora da Criança" na Radio Sociedade da Bahia, que veio fazer uma palestra no auditório das Irmãs Sacramentinas. O professor Adroaldo foi o compositor do Hino do Bahia. Ele não lembrava nada do amistoso. 
Pouco tempo depois, eu estava no gabinete da prefeitura quando chegou o então deputado Osório Villas-Boas (foto). Ele queria implantar uma revista semanal esportiva e queria o apoio da prefeitura. Conversei com ele a respeito daquele amistoso do Bahia em Muritiba. Ele lembrava do jogo pois esteve presente. Prometeu-me enviar alguma coisa dos anais do clube. Não recebi.
Quando Osório  ia retornar à Salvador, meu irmão Rubem foi chegando e sugeriu levá-lo a uma ferrenha torcedora do Vitória, dona Maria Suzart, avó da minha primeira esposa, Leda. Osório ficou sabendo de antemão que ele era xingado por ela.
Nunca esqueci quando chegamos ao sobrado, quem veio atender foi a própria dona Maria. Eu falei; "dona Maria quero apresentar a senhora um amigo". Cordial como sempre, Osório estendeu a mão e disse; "muito prazer, Osório Villas-Boas!!!" E abraçou a velha torcedora do Vitória.
Rubem quis complicar o encontro dizendo: "agora xinga ele que eu quero ver!"
Osório agiu diplomaticamente: "torcedores como a senhora,dona Maria, são movidos pela paixão, sei que não é a minha pessoa que a senhora xinga mas o clube que eu represento e que tem muitos torcedores fanáticos".
Dona Maria disse; "você é muito do sem-graça!' Depois daquele encontro, ela falava o seguinte: "Osório é uma outra pessoa quando está presente, não é aquele fanfarrão do rádio".




 





 

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