sexta-feira, 16 de outubro de 2015

 
HISTÓRIA
Monumento cachoeirano aos Heróis de 1822
A data da Grande Epopéia o 25 de Junho, foi comemorada pela primeira vez no ano de 1832, portanto, dez anos após o histórico e importante acontecimento. Naqueles primeiros tempos, era formada uma Comissão dos Festejos Patrióticos a fim de angariar recursos através de subscrição popular.
Digno de registro os festejos de 1870, quando a Comissão composta por Aristides Milton, Manoel Batista Leone e Ricardo José Ramos conseguiram várias cartas de alforrias para as vitimas do elemento servil escravocrata.  
Temos notícias de que, além do tradicional Te Deum oficiado na igreja matriz, vários espetáculos eram levados em cena, na ocasião, no cortejo cívico era levado aquele retrato enorme do Imperador D.Pedro II que se encontra presentemente na sala de reuniões da Câmara Municipal, vários oradores interrompiam o cortejo a fim de declamar poesias, enfim, era a rigor, uma festa monárquica em pleno regime republicano!
A idéia para se construir um marco histórico povoou a cabeça dos cachoeiranos desde então. O jornal A Ordem, comandado por Durval Chagas, encampou a idéia de Augusto de Azevedo Luz a abriu uma subscrição popular e auscultou a população sobre o local onde se construiria o monumento. Semanalmente o jornal  publicava as sugestões e os locais mais votados foram; Praça 25 de Junho (atual Teixeira de Freitas), Praça da Aclamação, Currais Velho (Marechal Deodoro) Dr. Milton e Pedra da Baleia.
Não obstante a argumentação de que o local mais votado, - praça Teixeira de Freitas - era onde ficava o Pelourinho cachoeirano, a sua localização frente ao rio paraguaçu, local de resistência contra a barca canhoneira acabou sendo vitoriosa.
A obra, que também contou com o apoio financeiro da municipalidade, foi iniciada e inaugurada pelo Intendente (Prefeito) Cândido Cunegundes Barreto (1928/1930), foi por ele inaugurado em a tarde do dia 10 de outubro de 1930, há 85 anos passados, portanto, com as presenças de autoridades locais e da filarmônica Lira Ceciliana.
Clichê publicado em  A ORDEM, no dia da inauguração. Na sequência, uma fotografia de uma filmagem de 1935.
 Respeitando a decisão dos nossos avós, na realidade o monumento é uma cópia mal feita da estátua da liberdade de Nova Iorque (EUA). Eu lamento profundamente que o projeto idealizado per um dos maiores escultores do Brasil, o mexicano naturalizado brasileiro, Rodolfo Bernardelli (1852/1931) não ter sido levado adiante, talvez por falta de recursos
No ano passado, ao abordar o assunto, apresentei a minha concepção aproveitando o mesmo pedestal, apenas colocando a estátua do Brigadeiro Rodrigo Brandão conforme pintou em seu memorável quadro o pintor Antônio Parreiras.
Vamos, então, descrever o que se encontra no referido monumento.
Na base, encontram-se dois canhões de origem desconhecida. Em um deles está gravado o que me pareceu ser 1828 (!), sendo que o número 8 está meio apagado, tornando fácil confundir-se com o número 0 (zero).
Na face anterior, lemos o seguinte: Aos pioneiros da Independência. Aos bravos libertadores da Cachoeira Heróica na Campanha da Independência.
                                               1822 - 1823
RODRIGO
Diretor do Museu - Dr, Francisco Borges de Barros
                                               12-10-1930
 Antes de continuarmos descrevendo o maior monumento público da cidade, devo esclarecer aos interessados na história, sobretudo da nossa terra, que alguns dos personagens grafados apenas pelo sobrenome, ficou difícil uma identificação que não demandasse muito tempo em pesquisas.
                                                 Tambor Soledade
Trata-se, naturalmente da pessoa do tambor-mor Manoel da Silva Soledade. Segundo Aristides Milton, em suas "Efemérides Cachoeiranas", o referido militar "foi atingido por uma bucha que o prostrou por terra a lançar golfadas de sangue".
Mais abaixo um pouco, em alto-relevo, a figura da fragata lusitana invasora, e um florão em alto relevo contendo a palavra
                                                        Heroísmo 
Na face lateral direita, encontram-se oito nomes de homens que tiveram naturalmente papel destacado antes e durante o movimento libertário:
Arnizau,Garcia Pacheco, Rodrigo Brandão. Coimbra, Victor Maurício, Rocha Bacelar, Sá Gomes e F. Barbosa. 
ARNIZAU - Sargento-mor José Joaquim de Almeida Arnizau.
GARCIA PACHECO - José Garcia Pacheco de Moura Pimentel e Aragão, Comandante do Regimento de Cavalaria Miliciana.
RODRIGO BRANDÃO - Rodrigo Antônio Falcão Brandão, depois Barão de Belém. Era Coronel agregado e conduziu as tropas chamadas de Regimento dos Auxiliares composto fundamentalmente de escravos dos engenhos de cana de açúcar ávidos em conseguirem alforria.
F. BARBOSA - Antônio Teixeira de Freitas Barbosa, depois Barão de Itaparica, eleito para presidir a Junta Conciliatória de Defesa. Ele foi pai do notável jurisconsulto cachoeirano Augusto Teixeira de Freitas.
Ainda na lateral direita, a data de 7 de janeiro de 1823 
Na data em questão, através portaria, o Conselho Interino autorizava a construção de uma escuna a que deram o nome de "Cachoeira"  Foi construída na então povoação de Barra do Paraguaçu. A referida escuna foi fazer parte juntamente com o barco "25 de Junho" da flotilha de guerra organizada para enfrentar qualquer reação portuguesa.
Na face lateral esquerda, vamos encontrar os seguintes nomes:
Freitas, Rebouças, frei José de S.Jacinto e Bastos 
FREITAS - Trata-se do padre Manoel José de Freitas Mascarenhas. Não obstante haver nascido na cidade do Porto, em Portugal, o religioso foi um defensor intransigente da independência do Brasil, assim como alguns portugueses aqui radicados.
Ele tomou parte ativa e fez parte do Conselho Interino e trocou o nome para Manoel Dendê Bus.  
REBOUÇAS - Antônio Pereira Rebouças,advogado, natural de Maragojipe, conspirou contra os portugueses desde sempre. Foi o redator da ata histórica do 25 de junho de 1822. Era casado com dona Carolina Pinto Rebouças. Dois de seus filhos nascidos na Cachoeira, Antônio Rebouças Filho e André Rebouças (Patrono dos Engenheiros)  se notabilizaram na engenharia nacional. Eles dão o nome a dois túneis de maior importância viária para a cidade do Rio de Janeiro.
FREI JOSÉ DE S.JACINTO   Logo na chegada da marujada portuguesa em terras da cachoeira, ele enfrentou alguns soldados que tentaram invadir o Convento do Carmo. Esteve presente em todos os movimentos.
BASTOS -  Antônio José Alves Bastos, outro nome de destaque no comando da Junta Conciliatória e de Defesa.
Dentro de outro escudo lemos os nomes de Padre Villaboim, Cerqueira Lima e Padre Fonseca. Mais três padres católicos de atuação destacada. 
PADRE VILLABOIM - É citado por Milton nas "Efemérides" pela sua corajosa participação que redundou na rendição da tripulação da barca canhoneira.
CERQUEIRA LIMA -  Antônio Cerqueira Lima, Juiz de Fora da então Vila da Cachoeira. Foi ele que, em 20 de junho de 1822 oficiou ao Governo Provisório da Província (hoje capital do estado da Bahia), da chegada da barca canhoneira sob o comando do 1° Tenente Domingos Fortunato do Valle. 
Foi ele, também, quem presidiu a sessão histórica do 25 de Junho de 1822.
Aparece um outro escudo com uma nova data: 7 de setembro de 1822 
No lado posterior,lemos o seguinte:
Frei Brayner, Montezuma, Castro e M. de Abrantes. 
FREI BRAYNER - É o religioso José Maria Brayner, Comandante dos Encouraçados do Pedrão.
No dia 12 de outubro de 1822, a Comissão da Caixa Militar que funcionava na então Vila da Cachoeira, presidida pelo Capitão Antônio José de Menezes, enviava ao Conselho Deliberativo do Governo, o pedido de reforço às defesas nacional. O frei José Maria Brayner pediu a permissão e obteve a permissão para criar a Companhia Guerrilheira de Couraças. Conforme o nome sugere, os soldados eram vestidos de roupas iguais aos vaqueiros, de couro.
MONTEZUMA -  Francisco Gomes Brandão. Era uma espécie de correspondente do que acontecia na Corte. Foi dele, finalmente, a correspondência de que dever-se-ia proclamar D.Pedro I como Regente conforme o fizera a Câmara do Rio de Janeiro. Mudou o seu nome para Francisco Gê de Acaiaba Montezuma. Recebeu o título  de Visconde de Jequitinhonha.
CASTRO -  Capitão Antônio de Castro Lima, membro ativo da Camara de Vereadores, na ocasião.
M.DE ABRANTES - Miguel Calmon du Pin e Almeida, figura de realce no Governo Provisório que se instalou na Cachoeira, em uma dependência do Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Foi agraciado com o título de Marquês.
Finalmente, amigos, dentro de outro escudo, ainda na face posterior, a data de 2 de Julho de 1823, o colorário da sangrenta campanha que culminou com a expulsão das tropas portuguesas da Bahia. 
 
 
 
 
 
 






 

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