sexta-feira, 9 de outubro de 2015




Os nascidos na Cachoeira, cidade histórica do Recôncavo baiano, independentemente da religião que professe, não deixam de reverenciara sua Ínclita Padroeira, desde remotos tempos, afinal o nome de batismo daquela pequenina vila era Nossa Senhora do porto da Cachoeira.
De autor desconhecido, o soneto intitulado "Súplica à Virgem do Rosário" que publicamos na íntegra em nosso livro Oradores e Poetas da Cachoeira (1982). Observem apenas um pequeno trecho a fim de avaliar a veneração dos nossos avoengos:
Minha Nossa Senhora, ó Mãe Celeste, 
Ó Fonte de Concórdia, 
Que em Jesus amantíssimo nos deste
Cheio de amor e de misericórdia.

Mãe que vives, além, nos luminosos
mundos santificados,
Nossa Senhora, Mãe dos Venturosos,
Nossa Senhora, Mãe dos Desgraçados!

Nunca é de mais lembrar a Jaculatória escrita por Sapucaia Sobrinho que foi musicada pelo maestro Francisco Frois:
"Virgem do Rosário,Santa Mãe do redentor / Suplicantes imploramos/ Pra Cachoeira, o teu amor!"
Das festas da Padroeira,lembro-me, no momento,  das que tiveram como juizes, Stênio Burgos (1958), Manoel da Silva Lobo/Elizabete Martins (1961), Geraldo Pedreira/Josina Marques (1962), Ubaldo Marques Porto/Nailda Santos Oliveira (1964), Carlos Melo/Vilma Bastos (1965), José Mascarenhas/Rosa Pereira Levita (1968),Edwaldo Brandão e digníssima esposa (1969) Raimundo Rocha Pires?Terezinha Suzart Santos,dentre outros.
Em algumas das citadas acima, eu já fazia parte do Coral da Matriz mas, a festa que ficou inesquecível (além da de Pirinho e Terezinha, quando eu fui animador de um Festival de Música), ficou em minha mente e no meu coração, a festa que aconteceu há 37 anos passados quando foi presidida pelo pecuarista e então diretor da Odebrecht Benedito Dourado da Luz e sua esposa dona Maria Lícia Aragão da Luz.
A referida festa apresentou algumas novidades: o Bando Anunciador com vários cavaleiros distribuindo os Programas, a lavagem dos degraus e passeio da Igreja por baianas vestidas a caráter, e uma Gincana que teve início no novenário, mais precisamente em a noite  de 10 de outubro de 1978. A competição tinha o nome pomposo de "Gincana Cultural Sobre a Cachoeira".
Acabei sendo envolvido e intimado a participar pelo juiz da festa e pelo coordenador da Gincana, o saudoso Antônio Carlos dos Santos Souza Onofre da Silva, o ex-padre Tontom,ambos, na foto ao lado.
O meu saudoso amigo Manoel Bonfim, Zinho,acabou me convencendo e nós formamos e escrevemos uma equipe a que eu irreverentemente coloquei o nome de "Equipe Nico" a fim de formar o cacófato engraçado.
O meu envolvimento acabou sendo de tal forma que até no meu trabalho, no extinto Banco da Bahia, eu era inquirido sobre o ocorrido e  incentivado. A Gincana tomou conta da cidade pela respostas sobre grandes vultos, exposição de fotografias e jornais mais antigos etc. As tarefas a serem executadas tinham a participação de familiares dos grupos e mesmo estranhos, todos queriam ajudar de certa forma.
Na véspera da última novena, a tarefa seria a de levar a aluna ou aluno mais idoso e que estivesse legalmente matriculado. Na reunião com o meu grupo eu disse que todos estavam pensando o óbvio; a aluna mais antiga era a dona Massu, uma professora leiga de quase 70 anos que morava naquela rua que dá fundos para a igreja de N.S.da Conceição do Monte.  Ela resolveu fazer o segundo grau e o magistério, todo mundo na cidade sabia disso.Qual seria a opção dela? Que grupo ela representaria? Havia gente poderosa, inclusive diretores e professores do então Ginásio da Cachoeira envolvidos, mas, eu tinha um Plano B, e, sem explicitá-lo disse que iria executá-lo.
Na manhã do grande dia fui procurar o meu saudoso amigo Antônio Dantas Pereira, o popularíssimo "Major", que era como ele chamava as pessoas e acabou ganhando o apelido. Disse a ele o seguinte: "Major" Pereira, estou precisando do amigo hoje a noite depois da Novena, para, com a sua presença, ganhar uns pontos preciosas na tarefa de hoje da Gincana. Sem perguntar qual seria a sua participação, o "Major" disse que eu podia contar com ele. E ele foi. Estava de terno,com gravata e tudo. Ao ver-me o palanque, levantou o polegar em sinal de "positivo".
Na hora do cumprimento da tarefa proposta, vi a pobre da dona Massu sendo esticada, empurrada, atordoada tendo de declarar para a Comissão a que equipe ela estava representando. Nem lembro mais qual foi a equipe que pontuou. Na nossa vez, apresentei para a Comissão um documento de matrícula legal em nome do "Major" na Escola Datilográfica Santo Antônio. Nem foi preciso argumentar muito perante a comissão julgadora porque a tarefa apenas determinava que fosse matriculado, não determinava em que curso fosse.
Vocês estão pensando que o "Major" Pereira se conformou?  Subiu o palanque, pediu a palavra e de microfone em punho passou a discursar:
"Não sei por que eu sou discriminado em minha terra...Eu sempre sonhei em estudar datilografia mas não dava, foi preciso que o coração generoso do meu amigo Erivaldo tomasse a iniciativa de motivar-me. Vou estudar, sim."


 Depois que recolheu a procissão, uma multidão se formou, todos aguardavam o colorário  daquela festa maravilhosa, a apresentação do trio vocal Os Tincoãs. Eu,como representante da meu grupo estava presente. Fui testemunha da aflição para o começo do show. Benedito e Tontom mandaram procurar Mateus em casa, era ele que estava faltando. Veio a notícia que ele estava passando mal e não se podia contar com a sua presença. Dadinho disfarçava o nervoso dedilhando alguns acordes. Qual seria a solução? Todo o mundo olhou pra mim, todos sabiam que eu fiz parte do grupo original, que Mateus foi quem me substituiu, portanto... Dadinho me olhou, com aquele olhar de "no caso do sem jeito"... Fui enfático ao dizer que, mesmo que as músicas que seriam executadas fossem do meu tempo, não ousaria cantar sem que houvesse pelo menos um ensaio. Dadinho e Badu (substituto de Heraldo, que havia falecido) fizeram a dupla e o show transcorreu normalmente.
Na segunda-feira, estava no banco quando fui procurado por Tontom e Benedito. Eles pretendiam promover umas brincadeiras na parte da tarde, coisa como "corrida na colher", "pau de sebo" e "quebra potes". Foram procurar o meu compadre Valdir de Gegeu que aceitou e sugeriu o meu nome. Eu fui. No "quebra potes", Valdir era quem colocava a venda no olho da molecada. Eu, com um pedaço de caibro, procurava desviar o moleque do local exato onde se encontrava o pote. Foi então, galera, que um moleque doidão, que havia já entrado na Padaria Suíça e quase arrebentando uma prateleira, ao ser conduzido para a rua, eu procurei distraí-lo com o caibro que tinha na mão. Pensando que estava no exato local, o garoto, penando em afugentar os companheiros que avançavam nos prêmios quando os potes se arrebentavam, rodou o pau e atingiu em cheio a minha canela: Pô !   Se o compadre Valdir não segura a minha mão eu teria arriado o garoto com uma paulada. Já pensaram as consequências?
A porrada fez inchar a minha perna de tal forma que pareceu que a batata da perna passou pra frente.  Era tal o inchaço que para tirar as calças, tive de abrir as pernas da mesma com uma tesoura.
Bom final de semana e bom feriado, galera.








 

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