sexta-feira, 16 de outubro de 2015






Volta e meia o assunto volta a baila: a legalização dos bingos e cassinos no Brasil. E por que não? Seria uma fonte de renda extraordinária para os cofres de prefeituras pobres como a da minha cidade, se a abertura de Cassinos privilegiassem cidades turísticas, que atrairiam turistas estrangeiros ricos.
As alegações religiosas e morais soam patéticas para mim, uma vez que, governos federal e estaduais já exploram Raspadinhas, Mega-Sena, Quina, Timemania, Lotomania, Lotofácil, Loterias diversas.
Sou favorável, também, a legalização do Jogo do Bicho.  

Na minha Bahia, na década de 60, durante o governo do General Juracy Magalhães, o Jogo do Bicho foi legalizado, fiscalizado pelo governo que cobrava tributos e repassava para instituições de caridade.
Na cidade da Cachoeira, quem explorava o jogo era o empresário do ramo de transportes rodoviários Carlos Menezes, o Carlito do Bicho. Carlito não era chefe de nenhuma organização criminosa, não explorava máquinas caça-niqueis e de video-pôquer programadas para roubar os incautos, nem qualquer tipo de droga. \pelo contrário: colaborava com as instituições de caridade, com o futebol, ou outro qualquer movimento filantrópico.
O Jogo do Bicho, conforme sabemos, é antiquíssimo, vem do início da República, foi criado pelo barão de Drummond (foto abaixo)a fim de angariar recursos para manter funcionando o zoológico que ele criou e foi inaugurado no dia 3 de julho de 1892, em Vila Isabel, aqui no Rio.

Na década de 20, mais ou menos, o Jogo do Bicho fazia grande sucesso na Cachoeira. Sabino de Campos, em seu livro de memórias nos fala dos antigos banqueiros Artur Farias,  e Armando Sobral, em épocas diversas. O cambista - ainda na época do vintém - era um tal de João de Aníbal.
Tal era o prestígio do jogo que um grupo de cachoeiranos formado por Serafim Costa, Arnóbio Chagas (apelidado de Bijuca) e Tancredo (apelidado de Tantan) formaram o "Grupo dos Calculistas" a fim de encontrar "a fórmula do palpite infalível". 
O autor da letra do Hino da Cachoeira assegura que o grupo ficou no prejuízo. No seu relato, existe a figura hilária de uma mulher do povo, uma doida apelidada de Xodó. Por onde ela passava gritava pra quem quisesse ouvir qual era o seu palpite:
- Hoje vai dar avestruz na cabeça !
E na Ponta da Calçada e na Rua da Feira:
- Hoje a águia vai voar !
Ao descer para o Caquende, passando pela Rua das Ganhadeiras (7 de Setembro):
- Jogue o laço que o burro vai passar!
Vocês já perceberam que Xodó acabava palpitando as 25 dezenas da tabela,e,como de maluca ela não tinha nada, pelo menos o que se referia a dinheiro, quando saía o resultado ela ía direitinho até ao local por ela anunciado a fim de arrumar uma graninha de algum ganhador. 
Quem são os grandes interessados para que o Jogo do bicho continue na ilegalidade? Quem detem o mando atual, claro, sobretudo nas grandes cidades com a exploração da máquinas de apostas viciadas.
Por que o Extado que já explora um sem número de jogos de azar permite que os pobres percam seu dinheirinho e poupam os ricos que ficam jogando em cassinos virtuais na Internet.
O governo já tem um excelente estrutura lotérica através da Caixa, isso garantiria ser possível gerar receitas para as cidades economicamente debilitadas com a instalação de cassinos de luxo.


 

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