sexta-feira, 6 de novembro de 2015


sexta-feira, 6 de novembro de 2015


Contou-me certa feita o meu primo Antônio loureiro de Souza, um episódio muito interessante. O jornal A Tarde, era, ainda, uma diário vespertino, o imponente edifício sede era na subida da praça Castro Alves. Uma bela tarde, enquanto o corpo redacional do jornal, do qual meu primo fazia parte estava empenhado no fechamento da edição, Então, inopinadamente adentra ao recinto o dono do jornal, o cachoeirano Ernesto Simões Filho (1886/1957). E ele saiu de carteira em carteira. Quando chegou perto de Loureiro, colocou uma das mãos no ombro dele e fez a seguinte observação:
"Você escreve muito bem, no entanto, - permita-me a observação -, tem um defeito que é inerente aos cachoeiranos; se enche de orgulho e vaidade quando fala da sua terra natal!"
E o que dizer, então, de não nascidos na Cachoeira que se comportam como o doutor Simões afirmou quando escrevem sobre a Cachoeira?  Permitam-me falar de três apenas. O primeiro,já falecido, foi professor em Caitité, depois, transferido para a Cachoeira, muito contribuiu para a memória da cidade. Trata-se, naturalmente, do professor Pedro Celestino da Silva, membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, escreveu na Revista da benemérita instituição, vários artigos envolvendo episódios e vultos históricos da Heroica.  Quem se der ao trabalho de pesquisar os jornais cachoeiranos da época, vai encontrar um artigo dele.
Nos dias atuais, vamos ressaltar a figura de Jorginho Ramos, filho de seu Souza da Coletoria, como era carinhosamente chamado o meu amigo Veridiano.
Jorge Ramos é detentor de um excelente acervo fotográfico, mantém o blog "Vapor da Cachoeira", e, além de artigos e crônicas esparsas, publicou a mais completa obra sobre o maestro Manoel Tranquilino Bastos (1850/1935), o Apóstolo da Música. O livro em questão recebeu o título de "O Semeador de Orquestras". É uma obra que não pode faltar na biblioteca dos apreciadores da arte universal da música e dos que cultivam a história, pois o maestro além de pensador, espiritualista, foi um dos abolicionistas mais destacados entre os cachoeiranos.
Ubaldo Marques Porto, foi meu amigo e colega bancário, um homem que se integrou de forma plena e altamente positiva na sociedade cachoeirana. Tornou-se meu amigo atra´ves do amigo comum, o padre Fernando Carneiro.
Um dos seus filhos, seu homônimo, Ubaldo, é um escritor consagrado, criterioso, inteligentíssimo, pesquisador tenaz, vai fundo na temática a que se propõe realizar. Ninguém será capaz de falar do apogeu e na derrocada da industria fumageira em nossa região sem consultá-lo. Sabe tudo.
Ubaldo Marques Porto Filho (foto), está na fase final do seu novo livro, um livro de memórias a que ele deu o título de "Lembranças de Ubá (sua terra natal), Cachoeira & Rio Vermelho". Dentro das minhas limitações tudo fiz para dar uma mãozinha, Ubaldo, então, privilegiou-me enviando cópia do original do capítulo 2, exatamente o que enfoca a "Cachoeira, Heroica Cidade". Show de bola! Fiquei maravilhado. Além de uma memória prodigiosa, a leitura é gostosa. 
Como diziam na minha época, Ubaldo é "um sujeito cri-cri", vai a fundo, não dispensa minúcias o que é um prato cheio para os apreciadores da história autêntica. Por enquanto é só o que eu posso adiantar e o que posso dizer desses cachoeiranos nascidos fora da Cachoeira.

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