quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Há 28 anos passados, o memorialista Francisco José de Mello, meu saudoso amigo Chiquinho, publicava em A ORDEM, jornal que nós dirigíamos a matéria que transcrevemos abaixo para reflexão do nosso leitor de hoje.
 
O Natal do passado na Cachoeira 
Antecedíamos à Segunda Grande Guerra Mundial (1939/1945) e nossos costumes eram bem diferentes.
Ainda  não havíamos nos tornado uma sociedade consumista, e nem sido contagiados  pela onda de "macaquice" generalizada do após guerra que tomou conta do nosso povo, quando passamos a imitar os costumes e os modismos americanos, quando fomos invadidos pela "onda" do plástico, da goma de mascar (chicles), a Coca Cola e o Rock.  
Contávamos apenas com o rádio, pois, a televisão ainda estava por vir. As organizações de marketing nas empresas publicitárias achavam-se em estado embrionário. Não havia o incentivo consumista.
Não se falava em dólares...não havia 13° Salário, mas...o dinheiro dava para todos e para tudo...
Todos, por mais humildes que fossem, podiam comprar , sem sacrifícios, seu peru, seu queijo e ter uma mesa farta!
A música natalina mais em voga,era tocada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Era ela, a eterna música de Assis Valente:
"Anoiteceu, o sino gemeu/ e a gente ficou/feliz a rezar/Papai noel/V~e se você tem/ a felicidade para me dar..."
Tínhamos a felicidade...e não sabíamos!
A vida era mais simples, e o povo também. No seu rosto não havia a amargura de hoje!
Na véspera do Natal, praticamente, Cachoeira se transferia para Belém ou Capoeiruçu.
Boa parte das famílias da Cachoeira veraneava nos dois distritos, sendo Belém mais procurado. E era por isso que os habitantes da Cachoeira acorriam à Missa do Galo, em Belém.
Não havia estrada de rodagem, nem transporte motorizado. De seis quilômetros que separa Cachoeira da vila de belém, eram vencidos na canela...e ninguém sentia. Eram bandos alegres de jovens de mente sadia.
Cachoeira, esvaziava-se! A cidade revestia-se de uma quietude imensa, enquanto Belém e Capoeiruçu, regurgitava de gente, alegre, feliz, entoando a música de Assis Valente: "Anoiteceu, o sino gemeu!"  No dia 25, ao voltar, todos traziam as enfieiras de caju, que naquele tempo não era comercializado.
Saudosismo? Nostalgia? Sim. Nostalgia de um tempo bom, onde nem havia tanta miséria, onde nem havia violência, quando a vida mesmo sem o conforto de era eletrônica, sem a rapidez dos transportes, era mais tranquila, mais feliz, dentro da sua simplicidade.
 Com um Natal menos comercializado, menos consumista, parece que nos identificávamos melhor com o evento natalino e nos sentíamos mais próximos de Jesus, que, também, era simples e pregou,sempre, a humildade!
Fecho os olhos...volvo ao passado distante...e sinto uma saudade imensa de um tempo que não volta mais.

 


  

Nenhum comentário:

Postar um comentário