sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

 
Hansen Bahia


Harl Hein Hansen, nasceu em Hamburgo, na Alemanha, lutou na 2ª Guerra Mundial como marinheiro de Hitler. Ao término do conflito, ele resolveu vir para o Brasil, trabalhou em fábricas em São Paulo, dispondo de apenas os finais de semana para fazer o que mais gostava: xilogravura.
Através de amigos ouviu falar da Bahia. Veio,conheceu e mudou-se de mala e cuia. Ele declarava que, "nasceu novamente". Tornou-se amigo de gente importante nas artes como Jorge Amado, Caribé, Carlos Bastos e Mário Cravo, dentre outros. Adotou o nome de Hansen Bahia. Resolveu,por fim,vir morar num lugar mais tranquilo, Salvador, segundo ele, já não era mais a mesma (imagine se fosse hoje!) A escolha recaiu em São Félix. Ao repórter do Jornal da Bahia, ele declarou:
"Eu tive dois nascimentos, um na Alemanha outro aqui em São Félix e Cachoeira que pra mim é tudo uma mesma cidade. Uma terra muito bonita, alias a mais bonita do Brasil, com uma história forte, muito folclore e um povo maravilhoso".
Da esquerda para a direita: o artista já enfermo, sentado numa cadeira de engraxate com a sua segunda esposa ao centro ladeada dos dois filhos do primeiro casamento.
Eu estava secretário da prefeitura da Cachoeira quando fui convidado por dona Noelice Costa Pinto, esposa do querido amigo doutor José Mário, a fim de fazer um cadastramento das obras doadas por Hansen. A dona Noelice queria inaugurar o Museu Hansen Bahia no dia do aniversário do artista, em vista mesmo do agravamento da sua saúde.  O local improvisado foi a casa natal de Ana Neri, na rua do mesmo nome, na cidade da Cachoeira. Dona Noelice foi aluna do gravador e a grande responsável para que a Cachoeira não perdesse tão rico acervo.
Hansen era um saudosista nato. Em conversa comigo ele falava da Bahia antiga, os bondes, os costumes, os fotógrafos lambe-lambe e os engraxates. Comprei a cadeira de engraxate que pertenceu a Osvaldo Conceição, (Sapo) e fiz uma surpresa pra ele, dando-a de presente no dia do seu aniversário.
Naquele 20 de abril de 1978, Hansen participou da solenidade de inauguração do museu e recebeu os títulos de cidadão sanfelixta e cachoeirano. Todo o acervo foi doado para a Fundação Hansen Bahia.
Peço licença aos leitores para contar um episódio acerca do "Festival de Inverno" idealizado pela dona Noelice. O referido festival durava um mês inteirinho de exposições, retretas, serenatas, festival de música,recitais etc.  Então o pessoal da contabilidade achava que "era muito trabalho" e tentava fazer a cabeça do prefeito Ariston Mascarenhas, alegando, inclusive, a "Feira do Porto" e os festejos do @% de Junho. Ainda bem que eu cheguei na hora, disse pra Ari que a prefeitura não gastava um centavo sequer, que a dona Noelice havia conseguido patrocínio de órgãos de cultura na esfera federal, que o município era quem faturava em cima doImposto sobre Serviços.
Durante a solenidade de inauguração, Hansen se manteve firme, não reclamou da "doença chata". Dois meses depois, em junho de 1978, em São Paulo, Hansen viria a falecer sem realizar o seu sonho de criar um centro de artesãos jovens, de iniciar a fabricação de tapeçaria onde pai, mãe e filhos poderiam tirar o seu sustento.



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