quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Meus  Natais !
Os meninos da minha época acreditavam em Papai Noel sem jamais ter conhecido qualquer desenho,qualquer figura, qualquer ilustração do Bom Velhinho. Isso só ocorreu, depois, graças à Coca-Cola. Mas a gente ansiava pelos presentes que amanheciam aos pés da cama, as bolas de borracha, os carrinhos de madeira e de galalite, apitos, cornetas,tambores, peões de madeira etc. Debaixo do sobrado da filarmônica Lira Ceciliana existia um senhor chamado Anísio. Ele possuía um torno e fabrica peões pra vender.
Um certo Natal estando com um dos meus companheiros de infância, Sócrates, apelidado de Tó, travamos uma discussão danada. Ele, com sua inconfundível voz anasalada, argumentava:
- Você é besta! Quem vai colocar o presente que você vai encontrar de manhã é Laurinha, não é Papai Noel coisa nenhuma!
"Laurinha" era a minha madrinha. Existia, sim, uma certa lógica mas eu insistia no meu sonho. Por pouco não enfiei a porrada nele pra ele deixar de ser teimoso. Aliás não brigamos por causa de chegada de dona Amor (foto).
 Ela morava na parte térrea do sobrado onde moravam os pais de Tó, professores Edméa e Salvador,hoje pertencente à Caixa Econômica Federal. Dona Amor (chamava-se Arlinda), foi minha parteira, quem "me aparou", segundo a minha mãe.  Diziam que ela era irmã do professor Salvador. 
Cada um de nós imaginávamos o Papai Noel de uma forma exclusiva. Tempos depois é que o marketing da Coca-Cola deu forma mundial ao Bom Velhinho.
A primeira loja que materializou a entrega de presentes foi a de propriedade de Antônio de Assis Costa, (foto) Coletor Estadual, filho do antigo comerciante e Vereador Júlio Costa. Toninho Costa era diretor da Desportiva,presidente da Liga Cachoeirana de Futebol, foi candidato a prefeito em 1954 mas foi derrotado por Stênio Burgos. A sua loja era na parte térrea de um sobrado (assinalado) e que não mais existe, na antiga Rua das Lojas.
No sobrado propriamente dito, se armavam um dos presépios mais famosos da cidade; o da dona Delcina. 

A ideia original de Toninho Costa foi abraçada por Jorge Abdala que fantasiava Tibu, irmão de Tabatinga e fazia entrega dos presentes no seu jeep, no dia 25, no que ele proclamava como sendo  "o tradicional Papai Noel da Loja Jormeire"
Armar presépio era, também, uma tradição na cidade. Na minha casa ele era armado todos os anos. Os caixotes de madeira ficavam guardados nos mezanino. Neles, eram guardadas as figuras de barro (feitas pelo pai de Tamba), casinhas e bangalôs (feitos por Eduardo Sangue Azul), areia da Barra, búzios, conchas, musgos,espelho, papel pintado etc. As figuras da Família Sagrada e os três Reis Magos eram guardadas em separado, talvez por serem valiosas. Diziam que eram de marfim.
Lembro-me de haver visitado os presépios da dona Delcina, do dindinho Mota na praça da Aclamação e o de Douglas da Pipoca, na Rua dos Artistas.
Quando estive secretário da Educação na cidade de Muritiba, na primeira gestão de Babão, mesmo contando com o apoio do pessoal da secretaria, o Concurso de Presépios não prosperou, todo o mundo preferindo a praticidade das árvores natalinas e pronto!
Eu usava calças curtas quando vi a primeira árvore de Natal ao vivo. Foi na casa do doutor Neiva, no Monte. Ele era Fiscal do Consumo, um homem rico. Fiquei encantado com o pisca-pisca e as multicoloridas e frágeis bolas de aljofre. Acabei quebrando uma,sem querer!
A minha irmã, Lilita era muito criativa. Apanhou um galho seco no quintal. Encheu uma lata de querosene de terra, enfiou o galho já enrolado de papel crepom, algodão imitando neve e algumas flores de papel que ela confeccionou... e os meus natais nunca mais foram os mesmos.










 


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