sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

 
Pancadaria no futebol
Na quinta-feira da semana passada, no bairro de Icaraí, Niterói, Rio de Janeiro,um grupo da denominada Torcida jovem do Flamengo fazia um churrasco quando foram atacados pela Força Jovem do Vasco. A selvageria acabou com um baleado e seis pessoas feridas.
 









O pessoal da minha geração deve lembrar ainda quando o time do Cruzeiro Cachoeirano era filiado e disputava o campeonato na vizinha São Félix.
O futebol apareceu na Cachoeira há 148 anos passados, quando, em o dia 28 de junho de 1867, era inaugurado no terreno do local chamado de Calabar, um campo para a prática do então chamado "esporte bretão".
A solenidade bastante festiva, contou com as presenças ilustres do próprio governador da Província, José Bonifácio de Azambuja, o Arcebispo D. Manoel Joaquim da Silveira, do presidente do Senado Municipal, Dr. Egas Moniz Barreto de Aragão, demais Conselheiros e autoridades locais.
Na década de 30 é que houve uma organização futebolística com a criação da Liga Intermunicipal de Desportos Atléticos, a chamada LIDA, com a participação dos seguintes clubes: Corinthians e Bahiano (Cachoeira), Silencioso (Muritiba), Floresta, Flamengo, Botafogo e América (S.Félix). 
Quando os dois times cachoeiranos se encontravam em partida realizada no estádio Dr.Arlindo Rodrigues, como em o dia 7 de janeiro de 1934, o prefeito cachoeirano, engenheiro Humberto Pacheco de Miranda, juntamente com a autoridade sanfelixta, precaveram-se com um "policiamento ostensivo". Ainda bem que a partida terminou empatada em 1 a 1.
Em 1938 foi organizada a Liga Cachoeirana, e o campeonato passou a ser disputado no campo improvisado da praça Maciel. Havia uma grande rivalidade entre o Botafogo e o Ipiranga. Teve um jogo em que, ao término do primeiro tempo, o Botafogo estava vencendo a partida. O pessoal do Ipiranga alegava que o juiz da partida, Elpídio Nunes estava sendo imparcial, "estava prejudicando as cores do Ipiranga". Resultado: o mesmo foi substituído por Maurílio Silva mas, mesmo assim o Ipiranga perdeu por 4 a 0.
Presenciei muitas brigas entre torcedores cachoeiranos e sanfelixtas, socos, pauladas, pedradas, enfim, não sei como não aconteceu uma tragédia.
Teve um jogo "amistoso" na inauguração do estádio Paulino Lima, em Muritiba que terminou com muita porrada envolvendo os jogadores Bié e Hevandro Pretinho (Cruzeiro) e Pedro orquestra (Muritiba). O prefeito da cidade, Geraldino Almeida, foi um dos estopins da pancadaria.
Sobre a rivalidade existente entre as torcidas do Paraguaçu cachoeirano e o Democrata sanfelixta, o meu saudoso amigo Francisco José de Mello, escreveu para o jornal A Ordem que eu dirigia, uma crônica hilariante envolvendo o clássico. Depois ele publicou no seu livro "Coquetel Literário".
Ele nos conta que o pai dele considerava o futebol "um bando de bobos correndo atrás de uma bola", ao contrário do seu amigo, vizinho e compadre Marjaval Silva que acabou o influenciando a levá-lo a assistir ao clássico disputado em São Félix.
E lá se foi o velho todo solene, "de terno e gravata, chapéu de feltro cinza e a bengala de junco".
Em lá chegando, constataram que não cabia mais de gente. Como não havia arquibancada e muito menos alambrado, o que separava os torcedores do campo de jogo era um pequeno cercado de madeira.
As duas equipes entram em campo. Uma gritaria infernal. O árbitro da partida era um engenheiro francês chamado Emile Toumillon, que trabalhava na então Estrada de Ferro Central da Bahia. O homem, segundo Chiquinho, era de temperamento violento, por várias vezes havia partido em cima de qualquer torcedor que discordasse do sua decisão 
Chico Mello (pai),também não ficava atrás, era corpulento, "seu farto bigode dava um tom de maior seriedade".
No decorrer da partida, um atacante do Paraguaçu foi derrubado dentro da área. A torcida cachoeirana começou a gritar, pênalti! pênalti!
O juiz partiu pra cima. Marjaval havia prevenido que ele era violento. Chico Mello pai, diante da covardia de alguns torcedores, passou a gritar:
- Pênalti ! Pênalti !
O juiz se aproximou mas, não contava com a valentia de Chico Mello pai que levantou a bengala e ameaçou a baixar o porrete. O juiz recuou pra espanto geral. Jamais alguém o havia enfrentado.
Na crônica e no livro Chiquinho não informou o resultado da partida mas, quando os dois amigos retornavam pela ponte D.Pedro II, o pai dele perguntou:
- Compadre Marjaval, me explique uma coisa. Que diabo é pênalti?!
Conforme disse no início, fui testemunha ocular de muita confusão extra-campo. Uma das batalhas mais ferrenhas foi na década de 60 envolvendo torcedores santamarenses e cachoeiranos, na célebre partida entre os dois selecionados no campo improvisado em Belém da Cachoeira, registrando-se um empate de 2 a 2. Vários jogadores que atuaram naquela partida (Carlinhos, Vitor, Pavão, Lázaro, Miranda, Badaró, Mario Codorna e Zé Melo) poderão dar preciosas informações.
Lembrei,recentemente, aqui neste blogger, do incidente envolvendo Cachoeira e Maragojipe mas, permanece bem viva em minha memória o conflito entre cachoeiranos em sanfelixtas no dia 6 de janeiro de 1969, quando da conquista do bi-campeonato intermunicipal. Torcedores cachoeiranos que passavam na caçamba da prefeitura com destino a Muritiba, onde se homenagearia o goleiro Vadinho, a exemplo do que ocorreu em Maragojipe, causaram a maior provocação. Quando do retorno, houve um confronto. Jogadores mais exaltados com o centro avante Antonivaldo,(foto), mais conhecido como Belisco, e vários torcedores partiram pra luta, enquanto outros jogaram um vão enorme do encanamento que leva água potável para São Félix.
O Comando do Exército em Salvador considerou o ato como terrorista. Dentre os chamados para depor, levaram o ferroviário Totó que nem presente estava no momento.
    
 
  



Nenhum comentário:

Postar um comentário