quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

 
Peão de Trecho
Barrageiro é o sujeito que trabalha na construção de uma barragem, seja no escritório ou no campo. É também conhecido como Peão, ou ainda, Peão de Trecho pela constante mudança de domicílio, de obra e empregador.
O Peão não tem apego a nada. Se uma "Gata" (empresa) está pagando melhor do que ele está ganhando, ele pula fora,na hora. Aliás, decisões desse tipo são tomadas por grupos inteiros. 
Convivi com barrageiros durante boa parte da minha vida, quando trabalhei nas obras de Pedra do Cavalo, e, depois, na sua funcionalidade.
O autor desta reminiscência acompanhando uma sondagem, no campo.
 Entre os barrageiros funcionava, com bastante eficiência, a "Radio Peão", onde as notícias sobre alojamento, refeições, acidentes melhores salários, a vida de fulano, quem estava comendo quem,enfiam, as notícias viajavam à velocidade da luz e olha quem ninguém sonhava em Internet, ainda.
O trabalho do Peão é um trabalho duro. Não exagero em dizer que, por vezes é até desumano. Canteiros de obra não oferecem qualquer conforto, ora é o sol causticante e impiedoso de fazer "rachar bola de gude", ou é a poeira sufocante, ou é a lama da chuva que cai e da chuva que molha até os ossos...
Mas, galera, o motivo desta crônica é abordar o tema do linguajar peculiar, do vocabulário do barrageiro.
BOIA - Refeição
BUFUNFA - Dinheiro
BRECHETE - Construtora Norberto Odebrecht
BOM BRIL - Atesta Médico gracioso
BODE - Pequenos furtos
BODEIRO - Quem pratica pequenos furtos
CACHIMBO - Encarregado da Turma
CACHORRA - Mulher sem vergonha
CAPIM - Salário
DAR BODE - Confusão
EMPINAR PAPAGAIO - Tomar dinheiro emprestado
GATA - Empresa,firma
JACARÉ -Demissão, corte de   pessoal
Nó - Sair do trabalho na hora do expediente
PIRADO - Doido
PEIXE - Pessoa influente, amigo íntimo
RANGO - Comida.
A maioria das palavras e expressões já são de uso corrente.
Gostaria de lembrar um episódio interessante. No final do ano, havia um encontro de confraternização. No meu setor que era o Setor Administrativo é o que reunia mais gente. O encontro no refeitório reunia muita gente independentemente de nível hierárquico, a  comida era rebuscada mas não havia ingestão de bebidas alcoólicas.
Apareceu pela primeira vez a brincadeira do "Amigo Secreto". Naqueles dias, Lima, encarregado do Setor de Limpeza, saiu resmungando com o seu "amigo oculto":
- Fui logo tirar aquele sacana ! Comentou ele na minha presença. Disse-lhe o seguinte: Olha, Lima, se você fazia restrições a alguém que estava participando, você não devia entrar, você sair, agora, comentando de sala em sala pode lhe causar transtornos futuros. E não deu outra. Quando ele foi chamado e partiu para dar o seu presente (um cinturão) ao Chefe Administrativo, Antônio Borges, o pau comeu, Borges não quis aceitar, foi um empurra-empurra, um quieta-acomoda mas no fim prevaleceu o espírito natalino.

 

 
 
 

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