sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

25 ANOS SEM PIRINHO


Ubaldo M.Porto Filho ESCRITOR
No dia 12 de janeiro deste 2016, uma segunda-feira, completará 25 anos que a Bahia perdeu Raimundo Rocha Pires, o Pirinho. Formado em Odontologia, pela Universidade Federal da Bahia, ele foi prefeito de São Félix no quadriênio 1959-1963. Depois de uma suplência (1963-1967) na Assembleia Legislativa da Bahia (assumiu o mandato algumas vezes), foi eleito para quatro mandatos integrais de deputado estadual, cumpridos por 16 anos consecutivos, de 1967 até 1983

                                               
Desportista, foi presidente do Esporte Clube Vitória em duas gestões: 1970-1973 e 1979-1980. Na última, convidou-me para escrever a história do clube, projeto que abandonei quando ele se desentendeu com os 'coronéis' que controlavam a agremiação e deixou a presidência. 
                                                                                               
Raimundo Rocha Pires - PIRINHO
Renunciei  o trabalho antes do recebimento de qualquer honorário. Não quis nenhum envolvimento com os novos dirigentes, uma vez que o ambiente no Vitória não oferecia a segurança necessária ao desenvolvimento do projeto editorial. Em Pirinho eu tinha confiança total. Entre nós havia uma amizade fraterna e leal.
O conheci em 1957, quando fui morar em Cachoeira. Ele residia em São Félix, mas atravessava a Imperial Ponte Dom Pedro II para lecionar no Ginásio da Cachoeira, onde ministrava a disciplina Ciências Naturais, com uma didática desenvolta, eficiente e catalisadora das atenções dos alunos.
Mas antes de ser meu professor, ele participou, juntamente com meu pai, do grupo que fundou o Lions Clube de Cachoeira, integrado por personalidades de três cidades: Cachoeira, São Félix e Muritiba. Tornou-se um amigo da nossa família e passou a frequentar o nosso sobrado na Rua Prisco Paraíso. Numa das visitas, fez uma revelação: havia nascido em Cachoeira, mas seu pai o registrou como tendo sido em São Félix.
Nascido no dia 16 de fevereiro de 1931, Pirinho morreu repentinamente aos 59 anos, em Salvador. Alguns de seus amigos médicos justificaram o infarto fulminante, que teve em 12 de janeiro de 1991, aos anos de cultivo do vício como fumante de cigarros.
Pirinho entrou para a memória do futebol como um presidente competente, combativo, querido e bem identificado com a torcida do rubro-negro baiano, onde gozava do status de verdadeiro ídolo.
Foi um tribuno excelente, dotado de uma oratória objetiva e sem demagogia, que tinha sido aperfeiçoada quando esteve no exercício do magistério.
Enfim, Raimundo Rocha Pires constitui-se num exemplo de liderança carismática e cativante. Destacou-se nos diversos segmentos por onde transitou.
Salvador, 1º de janeiro de 2016.

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