sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Pesquisa histórica
A Mutuária Cachoeirana
Quem se der ao trabalho de pesquisar os jornais da Cachoeira do século vinte, vai ficar impressionado com o ideal desenvolvimentista de grande número de cidadãos não necessariamente nativos.
No ano de 1914, há 102 anos passados, portanto, reuniram-se em assembleia  os seguintes moradores da Cachoeira: Vicente Levite Seixas, José Correia de Melo, Epiphanio Conceição e o poeta Pacheco de Miranda Filho (foto abaixo) para aprovação dos Estatutos da criada Mutuária Cachoeirana.
Mutuário, conforme sabemos, é o que recebe alguma coisa a título precário. Foi, sem dúvida, no campo social, uma grande novidade essa instituição mais abrangente do que o "Monte Pio dos Artistas Cachoeiranos", e cujo objetivo primordial era "garantir à família ou herdeiros de cada sócio, um pecúlio, por ocasião do seu falecimento".
Dentre outras coisas, previa o Estatuto que o quadro de sócios ficaria completo quando chegasse a 1001 membros, aceitando-se propostas para quando fossem surgindo vagas. Outra novidade era que os sócios podiam ser de ambos os sexo, desde que tivessem de 18 a 50 anos de idade.
 No caso de inadimplência, o sócio, depois de devidamente notificado, no prazo de 10 dias, seria eliminado dos quadros, "sem direito a indenização alguma, e só poderá ser readmitido decorridos seis meses".
Mas, galera, no seu artigo 25, aparece uma grande novidade na época. Leiamos:
"O sócio que tiver 150 contribuições e cair em indigência, a juízo da Diretoria e da Comissão Fiscal, não perderá o direito, sendo suas prestações pagas pelo fundo social, enquanto permanecer nesse estado".
No parágrafo primeiro, temos: "Cessando o motivo estabelecido neste artigo, o sócio que tiver gozado dos seus favores tem de indenizar a Sociedade da importância despendida".
No no § 2º " No caso de falecer no estado a que se refere o artigo 25. do pecúlio a que tive direito será abatida a importância desprendida pela Sociedade".
Da Comissão elaboradora, temos notícias de dois; Epiphânio Conceição, proprietário de uma pequena oficina gráfica e do semanário cachoeirano "Pequeno Jornal", e do português Pacheco de Miranda Filho, industrial e poeta. O seu livro "Aerolithos" foi prefaciado pelo escritor português Pereira Sampaio.
Pacheco de Miranda Filho foi membro do Conselho Cachoeirano, o seu filho, engenheiro Humberto Pacheco de Miranda, foi prefeito da Cachoeira, sua terra natal, no período de 1932 a 1934, e, depois, eleito deputado estadual.
Da Mutuária Cachoeirana, temos notícias até a posse da Diretoria, cujo presidente foi Silvano Maiffre (presiente da diretoria) e Leonídio Rocha, (presideente da assembléia geral).
 
 
 

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