sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

AS ORIGENS
Etimologicamente a gente aprendeu que  a palavra carnaval significa, - em latim,logicamente -, a festa da carne. Mas, como dizia o bordão daquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo,"há controvérsia. Mickhail Bakhtin (1895/1975) afirma que a raiz é  germânica, e significa "procissão dos deuses morto"Polêmica à parte, naqueles idos não era o rei Momo, os caras homenageavam o rei Ísis e o boi Ápis. A luxúria,a libertinagem era tudo igualzinho aos dias atuais.
Com o cristianismo tornando-se a religião oficial de Roma,o clero procurou proibir os excessos uma vez que a nobreza, sobretudo em Nice,Roma e Veneza adoravam os festejos.

O ENTRUDO
Segundo a maioria dos cronistas, o carnaval foi introduzido em nosso país no ano de 1641 com o nome de Entrudo. "Entrudar" era jogar água, farinha de trigo, tinta e até urina uns nos outros.Surgiu,então, a "laranjinha" que era formada de uma massa fina contendo perfume. O desenhista francês Jean Baptista Debret, em 1816 registrou em aquarela aquela "brincadeira" altamente agressiva e que fez um sem número de vitimas no Brasil.

O ENTRUDO E UMA VITIMA FATAL NA CACHOEIRA
O relógio da igreja matriz batia 6 badaladas da tarde daquele dia 4 de março de 1878, O jovem Egídio Ferreira Tapiranga (irmão de um futuro religioso que faria fama no clero baiano, o monsenhor Tapiranga), passeava pela Rua da Matriz (atual Ana Neri) um tanto quanto chateado pelo fato de ter sido surpreendido por uma amiga chamada Bela e sido "entrudado". Queria revanche. Sabendo que a moça já havia chegado em casa, Egídio entrou pelos fundos e começou a fazer uma barulheira do cacete mas deu azar porque naquele momento passavam dois soldados do destacamento local. Pensando que era algum conflito, com aquela habitual delicadeza com que agem os policiais deram safanões e baixaram a porrada no rapaz dando voz de prisão. Aí, galera, já havia juntado muita gente e a patuleia resolver encarar os dois "praças", como eram chamados os soldados. E os dois não tiveram como encarar aquela gente corajosa e caíram fora debaixo da maior vaia.
Ainda falando do Entrudo, em 12 de fevereiro de 1888, o jovem José Ramiro das Chagas Filho, filho do proprietário do bi-semanário cachoeirano A ORDEM,(foto) ao aproximar-se do comerciante Cesário Avelino da Silveira levou um tiro à queima roupa. O comerciante confessou,depois,que pensou que ia ser entrudado!


O INÍCIO DO CARNAVAL NA CACHOEIRA
Foi, a Cachoeira, uma das primeiras cidades do interior do Brasil a comemorar a festa com o nome de  carnaval, em fevereiro de 1897. De várias cidades vizinhas organizaram-se caravanas nos animados "passeios de recreio", notadamente de Feira de Santana e Maragojipe com suas filarmônicas, todos queriam conhecer a novidade, embora reclamassem dos preços dos aluguéis,porquanto a alimentação era considerada barata. Também os preços de produtos carnavalescos da época, "limões-de-cheiro"máscaras de celuloide, confetes,serpentinas, etc, também não eram caros.
As ruas da cidade se enfeitaram de bandeirolas, lanternas e folhagens. Cavaleiros e suas cavalgaduras movimentaram as ruas
O desfile propriamente dito contou com os seguintes clubes: Democratas Carnavalescos Filhos de Vênus, Natos da Lua e outros de menor expressão, "com carros alegóricos monumentais" conforme escreveu o jornal A ORDEM.
Não existia à época a figura do Rei Momo que foi criada pelo antigo e extinto  jornal do Rio de Janeiro, "A Noite" no ano de 1933.
O lança-perfume era utilizado nas ruas e nos salões. Não sei precisar a data em que foi usado pela primeira vez mas, a marca Rodo era fabricado na Suíça e passou a ser comercializado no Brasil em 1906. Apenas em 1927 a Rodo criou o recipiente em metal. Os recipientes de vidro quebravam-se facilmente causando por vezes ferimentos nas mãos.
O uso deturpado do lança-perfume, inalado por alguns segundos ou misturado às bebidas, desde os idos de 1928 era denunciado pela imprensa cachoeirana, sendo proibida a fabricação e o seu uso através Decreto nº 51.211 de 18 de agosto de 1961 pelo então presidente Jânio Quadros.

Muito concorridos os chamados "banhos de mar à fantasia", "batalhas de confetes".

OS CARNAVAIS DO MEU TEMPO
 Antes do advento dos trios elétricos, dos abadás e das acrobáticas evoluções dos tempos modernos, no meu tempo ninguém dançava ou sambava carnaval, a gente "brincava" o carnaval, ou seja, não precisava pular, por vezes até apreciando os outros brincarem.
Fundamentalmente o carnaval na minha terra, Cachoeira, na Bahia, o carnaval era concentrado na praça Teixeira de Freitas em frente ao Hotel Colombo, ao som dos alto-falantes "Vozes da Primavera" e gente rodeando o jardim, jogando confetes e lança-perfume nas garotas. Era uma forma de paquera. De vez em quando surgia um bloco de "Índios", a batucada de Felinho e Sapo Engraxate e as filarmônicas Lira Ceciliana e Minerva Cachoeirana.
Eu já namorava Lêda, com quem fui casado em primeiras núpcias. Combinamos e ela fez um vestido branco com uma fita Rigout colorida do lado esquerdo, enquanto eu vestia camisa branca com o mesmo adereço.
 A gente brincava mesmo era na Desportiva do Paraguaçu. Nos bailes infantis as mães caprichavam nas vestimentas.
Morenito e o compositor, Francisco Beline
 Nos tempos áureos do clube, quem tocava era Porto e Seu Conjunto mas, mesmo nos tempos de Amância de seu Conjunto, o maior puxador de marchinhas era Morenito, isso mesmo,Morenito! O homem sabia todas as músicas do carnaval.
Os cachoeiranos aprecisavam mesmo eram as festas das Santas Cecília da Ajuda. O grande compositor cachoeirano de marchinhas, Francisco Beline de Brito (foto), meu tio, só fez músicas para os ternos das "Cozinheiras", das "Melindrosas" e da "Costa Pena" da qual ele era funcionário. 

UM POUCO DO CARNAVAL DE HOJE
 O Rio se igualou à minha Bahia, o carnaval de rua já começou e não se sabe quando vai terminar. Eu prefiro assistir de camarote, ou melhor, em casa, sentadinho na poltrona e vendo pela televisão.É exatamente pela televisão e pelos jornais que eu fico sabendo da explosão de marchinhas satíricas caindo o pau nos políticos. Tá fácil fazer piada de conteúdo político, né mesmo? Das 611 músicas inscritas no Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso, 120 fazem alusão a Dilma, Eduardo, Lava-Jato etc. A preferida da patuleia é a do "Japonês da Federal" e até me animei em fazer uma máscara para posar para o blogger mas, que faria grande sucesso se eu tivesse ânimo de ir pra rua. Seria até focalizado no RJTV.
A letra é a seguinte:
"Ai meu Deus, me dei mal / bateu na minha porta p japonês da Federal / Dormia o sono dos justos, raiava o dia, eram quase seis / Escutei um barulhão, avistei um camburão / O japonês então falou: vem pra cá! / Você ganhou uma viagem ao Paraná!"
O bloco Imprensa Que Eu Gamo tem um samba que diz o seguinte:
"O meu bloco tá na rua, tô ficando sem vergonha: menos Cunha, mais conha / Bulsonaro e Malafaia gostam de mudar a fronha: menos Cunha, mais conha / Dilma Rousseff, chaga mais, não se vá agora / Mas essa crise tá mais feia que a senhora!"
Tem, também, a marchinha do "Pirata do olho caído e que rouba demais!" (Sem dúvida uma referência a Nestor Cerveró), a do "candidato chorão / que perdeu a eleição / e chama o outro de ladrão!" (por certo o senador Aécio Neves, e, por fim, de um discurso pronunciado pela presidente Dilma no lançamento dos Jogos Indígenas: "Saudação à Mandioca"
"Mandioca, macaxeira e aipim / o seu governo já chegou ao fim"
E ainda sobre mandioca:
"A Mandioca Sapiens"
"Não inventa, presidenta / Vira essa mandioca pra la!/ Do jeito que tá ninguém aguenta / Enfia essa mandioca em outro lugar!"
Valeu, galera, bom carnaval!
 
 
 
 
 

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