sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

LIVRO
A Cabeleira do Zezé
Conforme sabem os meus amigos, sobretudo os que acompanham o nosso trabalho ao longos dos anos, que maioria das coisas que eu escrevo, não só fui testemunha ocular mas, em grande parte, um protagonista. Na década de sessenta, Os Tincoãs foram contratados pela gravadora Continental a fim de gravar um elepê. Não era pouca coisa,desculpem-me a imodéstia. Muitos cantores de fama, na época, não tinham conseguido,ainda,gravar um disco.
Então, galera, viemos para o Rio de Janeiro. Não sei dizer como mas fomos contratados para fazer "uma ponta" num musical produzido por João Roberto Kelly no Teatrinho Jardel, que ficava na esquina da rua Bolívar com a avenida Nossa Senhora de Copacabana, em frente ao cinema Roxy.
Regulando mais ou menos a minha idade, Kelly estava fazendo um sucesso danado com um samba-canção que foi gravado por Elza Soares,até então eram as marchinhas gravadas por Emilinha Borba,Jorge Goulart e outros que o projetavam.
 Kelly sempre foi um boa praça,aceitou que eu fizesse um esquete para a participação do comediante Cole (tio de Dede Santana) e ria quando eu o comparava fisicamente com o meu conterrâneo o pintor  Dante Lamartine
. Não sei precisar quanto foi a duração da peça, o fato é que perdemos o contato com ele. O nosso contato passou a ser com o também compositor Gilvan Chaves, então diretor da extinta TV Tupi, que funcionava na Urca, aqui no Rio. Gilvan era pernambucano de Olinda. Dirigiu por algum tempo o "Ao pé da Fogueira" na TV Itapoan. Os Tincoãs participaram várias vezes.
Soube,depois do sucesso de João Roberto Kelly com músicas dela gravadas por Dalva de Oliveira, Elis Regina,Jamelão e as marchinhas  "Mulata Iê-iê-iê", "Joga a chave meu amor", Colombina ,onde vai você?", "Maria Sapatão"(com Abelardo Chacrinha), e a mais famosa de todas, "Cabeleira do Zezé" que dá nome ao livro por ele recentemente lançado.
Há coisa de uns seis anos passados eu o encontrei no metrô e eu me identifiquei. Não estou bem certo se ele me identificou, na ocasião. No mês de dezembro próximo passado eu o reencontrei na rua Santa Clara, em Copacabana. O papo foi breve e ele lembrava, sim, "do trio baiano da Cachoeira" e deu-me um cartão com o telefone da sua casa.
Semana passada fui ao lançamento do seu livro de memórias. Fui recebido com um sorriso e um aperto de mão. A dedicatória fez-me voltar aos sonhos da juventude.
"Ao amigo Erivaldo Brito, com uma recordação viva dos Tincoãs, o abraço do João Roberto Kelly - Rio 2016"
O livro é todo escrito de uma forma coloquial, nos leva aos primórdios da televisão brasileira, aos tampos da boates, do teatro de revista,é um verdadeiro relicário.
Quando as cinzas do carnaval baixarem, pretendo acertar um encontro com ele
 

Um comentário:

  1. Quantas saudades daquela época Brito. Época de você no timbau, Dadinho no violão e Eraldo com maracas. Tempo memorável dos Tincoãs. Vocal que até hoje é insubstituível. Um grande abraço

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