sexta-feira, 18 de março de 2016


Turismo Gastronômico

Peço vênia ao querido amigo Ubaldo Filho, escritor de renome, pesquisador meticuloso sobretudo do áureo período  fumageiro do Recôncavo, notadamente Cachoeira e São Félix, com doutorado em turismo, a fim de abordar um assunto que é da sua especialidade: o turismo.
Hoje, galera, faço parte dos que estão na arquibancada mas, pelas informações que nos chegam, fundamentalmente são três os eventos turísticos mais expressivos da Cachoeira: Feira do Porto, Boa Morte e o encontro literário que deram o nome de Flica. Eu implico com essa sigla.
É óbvia a necessidade de se criarem novos eventos. Aqui mesmo já dei alguns pitacos. O negócio é elaborar um projeto com o detalhamento necessário, inclusive custos, procurar apoio financeiro de alguma empresa e de agências especializadas em turismo para a inclusão da cidade no roteiro de visitações. Para a receptividade, temos de preparar guias que conheçam os locais e os personagens históricos. Há uma gama enorme de coisas que se pode fazer independentemente da participação financeira do governo municipal, como o turismo gastronômico, por exemplo. "Brito está caducando, falando em turismo gastronômico?" Permitam-me dizer apenas do que vivenciei.
 








De manhã bem cedinho,os passageiros que íam para Salvador e passavam pela Cachoeira, sabiam da excelência dos mingáus de tapioca e de milho verde de Madá, que tinha o seu tabuleiro em frente ao mercado municipal. Era de milho verde de verdade e não de milharina como eu tomei na última Feira do Porto em que lá estive, depois do falecimento de Madá.  

Pela tardinha, formavam-se filas no passeio do bar de Domingão, carros parados junto ao passeio da Leitalves, todo mundo atraído pelo acarajé de Matildes.
 


Nas quartas e sábados, quem resistia à feijoada de  dona Lolo no mercado municipal?
No dia a dia, a moqueca de petitinga de Nair que estava iniciando o seu negócio, e o mais importante de todos, a Gruta Azul, uma empresa familiar idealizada pelo chefe da clá, Alexandre Dias.
O muritibano Alexandre era, inicialmente, gerente do Posto Texaco. O seu restaurante contava com o apoio logístico da sua esposa, dona Lourdes que preparava as iguarias. Quando a freguesia aumentou, toda a família arregaçava as mangas, inclusive os filhos que cursavam faculdade
Alexandre era uma pessoa encantadora, sorriso franco, fala mansa, um verdadeiro gentleman, saía de mesa em mesa perguntando se estava faltando alguma coisa, não raro oferecia coisas grátis como o "Boa Morte", uma expécie de ponche, especialidade da casa.
Na foto, o vice-governador Edwaldo Brandão e o imortal Pedro Calmon. Alexandre aparece ao fundo, em pé e eu também estava presente lá no fundo.


 Muitos eram os turistas que vinham apenas para almoçar na Gruta Azul, visitantes ilustres, deputados, governadores, artistas e até o Príncipe da família Orleans. Acolhendo uma sugestão minha, Alexandre mantinha umLivro com assinaturas e opiniões de pessoas importantes que visitavam a Gruta, que passou a ter tal importância para o turismo da cidade que os nativos inventaram um neologismo: grutar, ou seja, almoçar na Gruta Azul. Preciso dizer mais nada?



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