sexta-feira, 11 de março de 2016


Memória Musical
O  centenário  do  Samba

Vários são os programas planejados no Rio de Janeiro a fim de marcar o centenário do Samba, gênero musical associado ao Brasil mas,que é de origem africana. A palavra samba nos remete à festa, diversão, brincadeira porém, segundo os etimologistas, a palavra é da etnia Quioco e significa "brincar,cabriolar,pular como cabrito".
Há naturalmente quem diverge, que o significado vem de umbigo ou coração, dança que fazia parte da cerimônia nupcial em Angola. Realmente, no seu início, a Umbigada e o Maxixe foram proibidas pela polícia no Brasil, eram consideradas danças lascivas, sensuais, usadas pelas mulheres negras, escravas para atrair o patrão branco. O que todos concordam, afinal, é que a origem é africana, que o batuque era e continua sendo um dos elementos dos rituais religiosos africanos, que foram trazidos para o brasil pelos nossos avós escravizados.
O samba produziu algumas variações: samba de roda, de breque, enredo, gafieira, do morro,pagode,reggae, sambalanço, canção, etc.
Por volta do ´seculo dezenove, quando o Rio de Janeiro se tornou a capital do Império, uma leva considerável  de nativos da Bahia, sobretudo da Cachoeira, se mudaram para lá.  Na casa da Tia Ciata (foto) nascida em Salvador e na da Tia Perciliana, natural de Santo Amaro da Purificação reuniam-se  grande parte do pessoal da Bahia para tomar cachaça, comer feijoada e sambar até altas horas.
A Tia Perciliana é mãe de João da Baiana que gravou o "Batuque na Cozinha", no entanto, o primeiro disco com o nome "samba" foi o de Joaquim Maria dos Santos, o Donga, com o título de "Pelo Telefone" ganhando daí por diante espaço na indústria fonográfica.
Não tive notícias se na minha terra natal, Cachoeira, na Bahia,onde naturalmente p samba foi praticado desde a sua origem no Brasil, quer nos cultos religiosos, quer nas festividades populares,se estão se programando alguma atividade para comemorar o evento. Se ainda se planeja, a coordenação terá de ser da minha amiga Dalva Xodó, autora de várias melodias, versos e refrões cantados pelos Sambas de Roda da Região.
Certa feita, morava na Vila residencial de Muritiba, e fui convidado para um caruru na casa de Luci, filha de Dalva,casada com o meu colega da Desenvale,Honório.
O samba puxado por uma viola e pandeiro comia solto. A estrela majestosa era Dalva que bailava no centro, sozinha,como uma deusa. E ela partiu em minha direção e me deu a "umbigada". Já pensaram a responsabilidade?
Não sou ruim da cabeça nem doente do pé mas, sou um tanto quanto desengonçado para bailar. Dei uns dois passos e passei a bola para a saudosa Luci, filha de Dalva,a dona da casa que por seu turno tirou o irmão, Leu, que deu um show adaptando a sua ginga ao reggae. Fiquei impressionado com o show daquela família que tanto amo.
Se a Cachoeira comemorar o centenário do Samba, se fizerem uma programação condigna, irá atrair muita gente de fora, tenho certeza.


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