sexta-feira, 29 de abril de 2016


PESQUISA HISTÓRICA
A incrível família Rebouças

Gaspar Pereira Rebouças era um pequeno porém bem sucedido comerciante em terras da então Vila de Maragojipe, casado com dona Rita Basília dos Santos. Desse feliz enlace, nasceram na "Terra das Palmeiras" três rapazes: José, Manoel Maurício e Antônio Pereira Rebouças. Todos eles acabaram desempenhando papel de relevância na então florescente Vila da Cachoeira.
José Pereira Rebouças, o mais velho, esteve na linha de frente nas lutas pela independência que ocorreram prematuramente na Cachoeira, em 1822, no célebre enfrentamento com as forças portuguesas. A sua atuação foi tão eficiente que ele foi escolhido, unanimemente pelo Conselho de Governo Interino a fim de ser o encarregado do controle e provisão do armazém de víveres.
O maragojipano José Rebouças era um músico de inegável talento, todavia, seu talento foi ofuscado no presente por Heráclito Guerreiro cujas composições são executadas Brasil afora pelas filarmônicas, mas, é dele, José, o privilégio de ter se especializado em música, na Europa, nos idos de 1829. Foi um dos, senão o primeiro músico brasileiro a desfrutar de tal privilégio.
O segundo Rebouças, Manoel Maurício, exerceu a função de escrevente cartorial na Cachoeira, depois, abandonou o emprego e partiu para a França graduando-se em Ciências com doutorado em Medicina.
Por ocasião das epidemias da  Cólera e da Febre Amarela, ele teve atuação destacada e benemerente, sendo, depois,agraciado com o título de Cavalheiro da Ordem do Cruzeiro.
Finalmente o caçula, Antônio Pereira Rebouças (foto),também nascido em Maragojipe em o dia 10 de agosto de 1798. Ele mudou-se para a Cachoeira em 1814,aos 14 anos de idade, a fim de trabalhar num Cartório. Teve uma carreira meteórica devido ao seu empenho. Era um orador de largos recursos e erudição jurídica, sendo, por isso mesmo, advogado provisionado. 
Na Cachoeira, Antônio Rebouças, gozando de notória fama, casou-se com Carolina Pinto Silveira, filha do comerciante André Pinto Silveira. O casal teve oito filho: André, Antônio, José, Ladislau, Carolina, Pedro, Ana e Maria Carolina. André e Antônio figuram na galeria dos cachoeiranos ilustres.
Nos idos de 1822, o velho Rebouças, então um jovem de apenas 24 anos, teve participação ativa conspirando contra o governo da Província, favorável à nacionalidade brasileira sem romper com o regime monárquico e com Portugal. Foi ele quem redigiu a ata histórica do dia 25 de junho de 1822.
Bem sucedido financeiramente, ele tornou-se defensor destemido da raça negra,combatia o tráfico de escravos e tinha como adversários, acreditem, um africano chamado Manoel Joaquim Ricardo, um dos dez homens mais ricos da Bahia, que prosperou comprando e vendendo negros.
O velho Rebouças foi eleito deputado provincial em 1830. Transferindo o seu domicílio para o Rio de Janeiro, então capital do Império em 16 de fevereiro de 1846, indo morar na atual Rua do Riachuelo.
Gozando de justa fama pelos seus discursos, tornou-se amigo de D.Pedro Ii que lhe concedeu o título de Conselheiro Geral, em 1814.
Aos 82 anos de idade, Antônio Pereira Rebouças teve a graça de ter visto seus filhos André e Antônio gozando de grande fama. Faleceu no Rio, no dia 19 de junho de 1880.
André Pinto  Rebouças

O primogênito do velho Rebouças,nasceu na Cachoeira em o dia 13 de janeiro de 1838. Foi um menino doentinho, tinha bexiga. Foi batizado às pressas na igreja de Nossa Senhora do Rosário. O avô materno, murmurava o seguinte:"Para que deram o meu nome a esse pobre menino, tão doente? Vai ser um tolo e um mártir com eu mesmo!"  Nem  uma coisa nem outra, o menino cachoeirano tornar-se-ia um engenheiro até hoje reverenciado.
No seu "Diário e Notas Autobiográficas", André escreveu em notas curtas e omissivas o seguinte: "eu nasci numa casa da praça em que se acha a catedral da Cachoeira, prestigiosa pelas felizes recordações da independência em 1822".
Entre 1881 a 1862, ele e o irmão, Antônio (de quem falaremos em seguida), fizeram curso de engenharia, na Inglaterra.
André teve participação estratégica no conflito com o Paraguai, no Corpo de Engenheiros.
Entre as diversas obras executadas e supervisionadas pelo engenheiro André Rebouças, destacamos o Porto de Cabedelo, na Paraíba, Porto e Docas do maranhão, e a Docas Pedro II, no Rio de Janeiro onde realizou, também obras de saneamento básico.
Depois da morte do pai, tomou a bandeira da erradicação do elemento servil juntamente com outros patriotas de influência com o Imperador, escrevendo artigos em jornais influentes. Fez, também, o primeiro projeto de Reforma Agrária.
Amigo pessoal do Imperador, após a proclamação da República, exilou-se na Europa, indo, inclusive encontrar-se com D.Pedro na França, entre os dias 28 de abril a 2 de maio de 1891.

Finalmente, por motivos até hoje não bem esclarecidos, se morte natural ou suicídio, André Rebouças morreu em Funchal, Ilha da Madeira, em o dia 9 de maio de 1898.

Antônio  Pereira Rebouças  Filho


Era um ano mais moço do que André. Nasceu na Cachoeira no dia 13 de junho de 1839 e faleceu com apenas 35 anos de idade, em São Paulo, no dia 24 de maio de 1874.
Rebouças Filho,(foto) foi, também,engenheiro militar, como o irmão, sendo responsável, dentre outras obras, da estrada de Ferro de Campinas e Limeira e Rio Claro  da Estrada de Ferro  Curitiba-Paranaguá, e da Rodovia Antonina-Curitiba chamada de "Estrada da Graciosa". Chamamos a atenção para a solução técnica que Rebouças Filho encontrou para a conclusão exitosa da ferrovia Serra Mar. ( foto abaixo)
 Os irmãos (FOTO) eram muito unidos e também discretos quanto ao preconceito que sofriam por causa de suas negritudes.
Hoje, o prestígio de ambos se mede nas homenagens que várias cidades brasileiras a eles tributam, dando-lhes o nome de avenidas importantes, ruas e outras construções importantes como o túnel do Rio de Janeiro (foto).
Lamentavelmente, na terra natal dos dois engenheiros, apenas André figura numa ruela de pouca importância cujo nome primitivo era Rua Stela. Antônio Filho, poucos ouviram até de falar.
 



 


 



4 comentários:

  1. Lamentavelmente meus irmãos baianos que foram cidadãos de destaque, muitos deles e seus legados não recebem o devido respeito, em particular nos seus respectivas terra natal, principalmente os de pele escura e de origem pobre - rarissímos, filhos e cidade-mãe são lembrados. Vale apenas o estrangerismo e os que se destacaram de forma negativa

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  2. Evany,se engana, muitos irmãos seus baianos tiveram grande destaque, inclusive na medicina. Pesquise a lista de médicos que existiram, vários,como os irmãos José e Domingos Melo, além de médicos eram professores (século XIX), Juliano Moreira, Salustiano Ferreira Souto e o médico e professor Luis Anselmo da Fonseca, entre outros.

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  3. Evany,se engana, muitos irmãos seus baianos tiveram grande destaque, inclusive na medicina. Pesquise a lista de médicos que existiram, vários,como os irmãos José e Domingos Melo, além de médicos eram professores (século XIX), Juliano Moreira, Salustiano Ferreira Souto e o médico e professor Luis Anselmo da Fonseca, entre outros.

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