sexta-feira, 8 de abril de 2016


O Baile da Agulha e outros

 






Tive o privilégio de ter vivido na época dos bailes da Desportiva, das festas nas casas de família, os bailes de formatura, novenas e trezenas de santos católicos, e, também, do chamado "Baile da Agulha", aos sábados, no brega, animados pelo conjunto de Gildásio do Saxofone e Felinho do Pandeiro. Chamavam de "Baile da Agulha" porque, ao término, o sujeito quase sempre acabava na cama com uma prostituta infestada de doença venérea, a temível gonorreia. O jeito era procurar Salu, na farmácia, pra ele aplicar uma injeção de Penicilina. Não havia os modernos antibióticos.
Tenho viva na minha mente já cansada, os bailes maravilhosos que pude observar os casais dançando de fazer inveja ao Reality Show "Dança dos Famosos". Meu companheiro de Os Tincoãs, Dadinho, dançava muito bem, já Carlinhos Monteiro exagerava a dose, passava do ponto, ficava caricato. Eu gostava de tomar meus "birinaites" curtir as músicas e ficar sentadinho na timidez dos que não conseguem dançar bem.
Teve uma festa chamada "Uma noite em Portugal" promovida por seu Lobo, na quadra de basquetebol, onde tocaram dois conjuntos maravilhosos. Não exagero em dizer os melhores da Bahia: o Gwelpan Bossa e o Cuba Jazz. Tocavam no Gwelpan, Igaiara (trombone de vara), Roberto (saxofone tenor), Porto (violão), Dadinho (violão e voz), Heraldo (maracas e voz), Didi Zoião - Nadir (acordeon), Wandecock (baixo de cordas) e Luís Oliveira, Jeep (baterista). 
O Cuba Jazz de São Félix, tinha Dadá (trumpete), João Frescor (saxofone), Nelson (trumpete), Roque do Amor Divino (baterista), Didi da Bahiana (violão e guitarra), Dikal (crooner).
Na década de 60, mais ou menos, surgiu na Bahia o "Dancing Club" quando surgiram as dançarinas profissionais. Ao serem chamadas por algum homem (não havia possibilidade de recusa, as chamadas "tabocas"), elas picotavam um cartão, uma espécie de comanda que elas traziam na mão.
Quanto mais elas fosses solicitadas, mais faturavam.
Alguém me disse que, existe hoje aqui no Rio, na Rua do Lavradio, um clube assim, mas ao invés das mulheres, são dançarinos profissionais e o publico naturalmente é feminino.
Voltando para a minha Cachoeira, teve uma turma de futuros formandos que resolveu promover um baile nas dependências do próprio Ginásio, atual Colégio Estadual da Cachoeira. A turma planejava faturar bem no serviço de bar. Bombou de gente. ! Os casais tinham pouco espaço, todo mundo esprimido, era uma passo aqui, outro lá...Ninguém estava se importando com isso. Qual é o casal que se importa em estar bem agarradinho?
 De repente, galera, um casal em particular chamou a atenção de um dos músicos, o mais crítico, o que falava de todo o mundo:
- Olha praquilo lá, bicho!
Todos os músicos ficaram curiosos pra saber onde:
- É aquele casal alí encostado naquela coluna onde não tem luz! Aquilo não dança porra nenhuma, já é uma preliminar sexual!
Um dos seus colegas deu uma olhada e largou a bucha:
- É a sua irmã, bicho, que está entrando na chincha !

Menino...o irmão da moça que dançava largou o instrumento que tocava e saiu na porrada, foi um quieta-acomoda ele deu uns sapeca iaia na moça e recomendou com voz de autoridade:
- Vá direto pra casa!
Disseram as más línguas que ela não obedeceu, que foi direto para o escurinho do "Jardim do Faquir" com o novo namorado para continuar a esquentar as turbinas.
 

                                                                                                

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