sexta-feira, 13 de maio de 2016

"causos" VERIDICOS

Medos e Temores
A renomada historiadora Mary del Priore, em seu novo livro intitulado História da Gente Brasileira, nos conta vários casos "diabólicos" e, dentre eles, o de um visitante estrangeiro apavorado com a nossa fauna ;
"O animal que os selvagens chamam de hay é grande como o cão d´água com a face de um macaco, o ventre pendente é como de uma porca prenhe, o pelo esfumaçado como a lã de carneiro negro, a cauda bem curta, aass pernas peludas como as d urso e as garras muito longas". Assustador,com certeza mas,o bicho terrível era o bicho Preguiça!
Nós, brasileiros, fomos moldados nas culturas  indígena, europeia e africana, suas crenças e temores sobretudo com o fascinante sobrenatural. , com o outro mundo, proliferando por isso mesmo os curandeiros (até mesmo alguns segmentos evangélicos entraram na exploração), as cartomantes, etc.

Quando eu era menino, eu e a minha numerosa  família costumávamos  passar alguns dias na casa da minha avó, uma casa enorme na Rua do Sertão na aprazível cidade serrana de Muritiba.  Quase sempre havia o chamado "prego de luz", a falta de energia elétrica. E o pessoal mais velho gostava de contar casos de assombração, de fantasmas que a gente ouvia arrepiado e não conseguia dormir ouvindo o tic-tac do relógio de parede da casa da minha avó.
Ouvi a história da "mão cabeluda" de um escravo que morreu afogado no Rio Cachoeirinha, na visagem que ficava na Santa Cruz na divisória entre a estrada velha e a nova, que certa feita o prefeito doutor Waldir Almeida ao descer para Cachoeira para ir pegar pessoas da sua família vindas de Salvador pelo navio Paraguaçu, encontrou com a visagem que ficou bem nítida com o farol do seu carro. A visagem deu com a mão e o prefeito pisou no acelerador. Mais adiante, sentiu a presença da viagem e ela realmente estava sentada no banco traseiro sorrido para ele. Antes de fazer a curva na delegacia de São Félix, a visagem desapareceu!
Tinha também o caso do morto que aparecia na porta do Cemitério da Piedade pedindo para rezarem por ele, do espírito que empurrava as pessoas que passavam a noite no passeio da casa onde existia uma Santa Cruz, do médico que atendeu a um doente na Santa Casa e foi reconhecido por um retrato na parede da benemérita Instituição. Havia sido morto há anos!
Eu ouvia aquelas histórias todas com a curiosidade instigante dos meninos e não conseguia conciliar o sono ouvindo o tic-tac do relógio de parede da casa da minha avó, enquanto ouvia a minha mãe cantando uma famosa música para um dos meus irmãos pequenos dormir;
 "Boi,boi,boi...
Boi da cara preta,
Vem pegar (fulano) que tem medo de careta! "
Houve um tempo, não sei se vocês se lembram, quando os trens da ferrovia Leste Brasileiro vindo do alto sertão da Bahia passavam pela Cachoeira. 

que devido a fama dos velhos que dominavam as coisas do culto africano atraíam muita gente, inclusive com Pais de Santo sendo contratados para trabalharem em prol de candidatos em toda a Bahia e até em cidades importantes como Rio de Janeiro e São Paulo,que um bando de espertalhões criou o chamado "Pegadores de Gado". No caso o "gado" era o incauto cliente,de ordinário possuidores de fazendas que se indispunham em disputa de terras com vizinhos,amores destruídos etc e tal.
Certa feita, como era de costume, estava no Bar O Sucesso, de Dadinho, velho companheiro, crooner de Os Tincoãs, grupo do qual fui fundador, quando apareceu Edílson Cabeludo, filho do velho Sales, morador da fazenda que foi do deputado João Mendes da Costa Filho, na antiga Charqueada. E ele pediu;
- Dadinho me bota uma "ceuveja" aê !
E começou a contar a última e bem sucedida  viagem que fez acompanhado por Louro e Beca. Logo ao chegarem na propriedade, Edilson combinou com Louro que enterrasse a caveira de um burro que Beca arrumou, de sorte que, quando o "Caboclo" de apoderou dele ele indicou o local onde o vizinho tinha feito um "trabalho". E todos ficaram impressionados com o achado. A mulher do dono da fazenda se apressou em dizer;
- Eu  disse, eu sabia  que aquele estrupício tava "trabaiano" pra lascar a gente ! Crendeuspadi! Mangalô três "vez", o sangue de Cristo tem "pudê"!
Edilson contou que o mais incrível se deu em uma das vezes em que o tal "Caboclo" incorporou. nele. Existia no casarão um negra que tinha um filho de seus 12 anos,moleque forte mas nasceu mudo. Edilson então, já tomando umas cachaças, com aquela assustadora cabeleira partiu pra cima do garoto que deu um pulo e gritou; MA-MA- EEEE !!! MA-MA- EEEE 111
Dal pra frente deslanchou a falar, sabe Deus como, e o prestígio deLE, Edilson multiplicou.






Nenhum comentário:

Postar um comentário